quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Morto vivo

Hoje em dia sou um pouco menos que um desaforado...um homem que perdeu passado,piso em cima do presente e nada sei do meu futuro.Meus planos são como um filme que nunca será exibido e minha família nem sequer sabe mais quem sou.
Ontem fui alguem vibrante,jovial...fui infinito enquanto estive em terreno sólido...hoje meus pés afundam em lama e sinto que jamais conseguirei limpar meus sapatos...carrego uma culpa que não sei se mereço...pago por um pecado que cometi por imaturidade...sou triste e trágico...perdi minha identidade,perdi meus projetos de vida...perdi coisas importantes...não sei se posso ainda recuperar qualquer delas,pois mesmo a esperança de que isso aconteça me causa temor.Mas tenho ainda um tesouro...meu tesouro vive na ingenuidade...respira,sorri e é minha unica fonte de vitalidade....meu tesouro sobrevive a tudo o que eu quis matar e enterrar dentro de mim...me mantem vivo e imerso em responsabilidades que aceito de bom grado...minha única e imortal razão de existir...devo a ti meu grande amor todo o meu suor e meu sofrimento.Mal sabes o quanto me és caro e necessário...mal sabes o quanto sou capaz de morrer e rensacer em teu nome...já que o mundo que construí ruiu,apenas tu restaste dos escombros.Já reneguei a casa de meus pais...já expulsei do peito minha infância...já deixei os anos levarem meus sorrisos...já chorei a perda de meus irmãos de sangue...pouco me resta ainda...vejo mais espírito em minha imagem refletida do que em minha própria pessoa...vejo mais humanidade nas minhas palavras do que em minhas atitudes...vejo mais mentiras povoando meus dias do que em minha própria boca.Já não minto porque esqueci o que era verdadeiro
Já não brinco porque já esqueci como é pensar em coisas alegres
Já não desejo porque nada me apetece mais do que um passado morto
Já não enterro meus mortos porque não tenho coragem de abandoná-los
Porque de certa forma eu morri tambem
E enquanto aqueles que me amam choram minha morte
Eu me perco em armas e punhais
Feridas e desgastes
Tentando desesperadamente morrer outra vez.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Cafundó

Assisti ontem o filme "Cafundó" protagonzado por Lázaro Ramos.Cheio de poesia e História,o filme é encantador.Remexe em religião,negritude,brasilidade e um pouco de política tambem.Vale a pena assistir mesmo.A proposta do filme em si é contar a História de um ex-escravo que acaba por fundar uma religião ultra-sincrética,mas solidificada nos dogmas católicos,mas que não dispensa rituais africanos.Por si só o assunto me interessa muito,e trata-se de um tema que jamais se esgota.
Deixo o nome do filme somente como uma dica e me limitarei apenas a isso para não cair no erro de dar uma de crítica de cinema,coisa que não tenho a pretensão de ser.

domingo, 11 de outubro de 2009

Melô do individualista

O que é meu,não dá pra ser teu
O que é teu,tem que ser um pouco meu
O que é nosso é pequeno,não dá pra satisfazer
O que ainda não é nosso...talvez nos fosse suficiente
Até lá,o que é meu é meu,e o que é teu,tem que ser um pouco meu
Mas jamais o meu pode ser um pouco teu,porque o que é meu,mal dá pra mim
Enquanto que o que é teu,te basta e te sobra!
O que é meu eu conquistei!
O que é teu ganhaste de graça,e eu te ajudei a ter de graça
O que é meu tem que ser só meu,porque quem sofreu fui eu!
Mas divido só um pouquinho,quando estou de bom humor
Senão...esquece!Eu decido quando mereces!
E nem vem cobiçar meu espaço e meu tempo
Esses são meus por direito...e se queres o teu,corre e conquista!
Não divido porque não dou nada de graça pra quem não faz nada
E tu queres dividir tudo porque não sofreste para conquistar ...como eu!!
Vens doando tudo o que tens dizendo que é amor
Não vem não!Não acredito!Tu só doas porque não lutaste pelo o que é teu!!!!
Bem...então já sabes...
Nada dessa coisa de dividir por amor...nem de dividir por solidariedade
Cada macaco no seu galho...se teu galho rebentou,estavas pesado demais
Eu me cuido...por iso meu galho não rebenta...mas se eu for dividir meu galho com outro...ah...ele vai rebentar com certeza!!
Desse modo...o que é meu é meu
E o que é teu é teu
Mas eu tenho direito a um pouco do que é teu
Mas não divido nada com alguem que não mereceu!

Enquanto dormíamos

Quando anoiteceu ontem
Parecia que o céu tinha matizes novas
Que as nuvens estavam mais cremosas e turvas que o normal
O hálito da noite era quente e envolvia o jardim e suas flores
O que parecia longo ficou curto
O que parecia impossível causou impacto
Leve era o ar que atravessou a madrugada
Um frio gasoso dava sabor doce ao sono
Um espelho de tranquilidade selou a paz no ambiente
Nem eu nem ninguem pode ver enquanto dormia
Que o universo estava se movimentando a favor de alguma coisa
Que não sabemos até agora o que pode ser
Mas veremos
As portas da casa dos justos foram escancaradas
Para que nelas penetrasse a luz
Assim foi...durante essa noite,enquanto todos dormíamos
Mesmo que acordados.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009



Ultimos dias!
Na última quarta-feira entrei na 37ª semana de gestação.A ansiedade e falta de concentração para qualquer coisa é algo que tem me levado às raias da loucura.Não há nada que eu consiga fazer...parece que qualquer coisa que eu comece a fazer agora,será interrompida por uma bolsa rompida ou um exame a mais que tenha que fazer,impedindo-me de concluí-la.Sendo assim,acabo não começando nada,não produzo nada.E assim o tempo custa muito mais a passar e tudo se torna mais difícil de ser pensado.
Enfim...é uma espera prazerosa,bonita e incomparável...mas de tudo o que uma gravidez envolve,confesso que essa espera me tem sido a parte mais penosa...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Anjo

Onde quer que eu esteja,estás comigo
Teus pés e mãos perfuram meu corpo
Tuas reações me divertem
Te vejo em meus sonhos
Tua presença é constante,mas não te vejo
Quero te ver,te ouvir e tudo o mais
Tua vida já é tão necessária para mim
Como me é o ar e as palavras
Já és tão grande que teu pouco tamanho me assusta
Logo estarás apartada de mim
Logo serás um ser que precisa de minha proteção,de meus cuidados
Logo estarás longe de mim,mas em meus braços
Assim como perder um membro do corpo
Perco partes,mas ganho uma companhia eterna enquanto viver
E a ti legarei minha vida,meus esforços
A ti doarei o que ainda não gastei
E aquilo que já perdi e me esforço em recuperar
Farei de minhas mãos as tuas
De meus pés os teus
Farei de meus anseios o teu bem-estar
E de teus caminhos o meu
Deixo nesses ultimos dias de espera
Para trás tudo o que não pude entender
Tudo o que não quis ousar
deixo para trás tudo o que foi apenas meu
Para abraçar resignadamente o nosso
Faço dessas ultimas semanas um preparo para ser tua
Tua proteção,teu abrigo,teu anjo
Faço desses ultimos dias uma despedida
Da menina,da jovem,da mulher sem rumo certo
Para ser tua mãe,minha filha

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quiz II

Outra adivinhação para as cabeças pensantes!!!!

Romeu e Julieta estão mortos no chão.Ao redor dos cadáveres,cacos de vidro e água espalhada pelo piso.Logo acima do casal inerte,uma mesa repousa sob a janela aberta,por onde o vento sopra fortemente.
1-Como morreram Romeu e Julieta?
2-O que explica a água espalhada pelo piso?
3-Qual a relação(se é que existe) da janela aberta com a morte do casal?

Resposta em 3 dias(dessa vez serei pontual!) nos comentários.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quiz

Uma adivinhação para quem gosta de exercitar o cérebro e a criatividade:
"Alberto é um viúvo.Perdeu a esposa num acidente durante um cruzeiro marítimo,no qual o imenso navio naufragou à moda Titanic.Ele,a esposa e vários sobreviventes conseguiram nadar até uma ilha completamente árida,habitada apenas por pássaros litorâneos.A esposa de Alberto veio a falecer após horas em alto-mar,chegando à costa já morta.Lá,Alberto e os demais náufragos permaneceram por cerca de 15 dias até que chegasse o resgate.
Após retornar à cidade onde residia antes do acidente,teve como primeira providência entrar em um restaurante e pedir carne de gaivota.Após provar o prato,deixou-o ainda cheio e abandonou o restaurante tomado de uma grande tristeza e desespero.Alberto havia acabado com uma dúvida que o torturava desde a morte da esposa.Chorou durante horas de mágoa,arrependimento e de dor."
Perguntas:
1-Por quê Alberto quis provar a carne da gaivota?
2-Por quê Alberto não quis terminar a refeição?
3-Qual era a dúvida de Alberto?
4-Por quê Alberto chorou após provar o prato?

Essa adivinhação me foi prposta há mais de 15 anos.Sempre gostei muito dela por me causar um certo desconforto e tambem por me fazer pensar com calma na situação.É um bom exercício e vale a pena pensar um pouco.Boa sorte!
Em 3 dias colocarei a resposta nos comentários para aqueles que desistirem ou cansarem!Até lá,espero que deixem suas suposições.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Interativa

Um homem sem nome nem face caminha pela cidade pela primeira vez.Nunca havia visto tantos urros de motores,nem tantas pernas e meia-calças circulando livremente sem um par de calças ao lado.O homem sem face está entre o riso e o susto.Pára,esfrega os olhos,e segue a andadura.É meio-dia e já ruge um leão em seu ventre.Pensa nos sabugos de milho cozidos,na carne gorda do suíno recém abatido pulaando na panela de ferro.Anda mais uns metros.Na placa lê:"Almoço completo a R$8,00".Funga,experimenta o cheiro...experimenta o bolso..."R$4,00,mais sessenta centavos do troco da passagem,mais oitenta centavos do troco da água mineral,mais trinta centavos do troco da gasolina do Ford"...conta os dedos de unhas negras e retoma a caminhada.O sol queima-lhe a testa e já pode sentir o cheiro do próprio suor.Pensa no açude fresco,na vara de pesca encostada num canto do galpão.Seca o suor da testa e senta no degrau da loja de roupas.Bolsada na testa,empurrão no braço,olhares de reprovaçãoe um cão como companhia,que se coça ruidosamente."Não tenho dinheiro para um almoço completo".Puxa do bolso um chiclete já mascado,derretido e grudado no brim da calça.Joga na boca o imundo confeito.Sobe as escadas da loja de roupa,aborda a vendedora assustada e pede um copo dágua.Não há agua aqui!
Volta então à rua,ás placas e meia-calças sem par.Caminha rápido,com rumo certo.dobra a esquina e avista o Ford.Entra,arranca e some rua afora.
O que o homem foi fazer na cidade?De onde ele vem?
Deixe sua resposta nos comentários.

A morte do poeta

Medo,arremedo
Um grita,outro escuta
Sangra veia,sangra
Sob fio de mil lâminas
Uma banheira em rubi,uma mão suspensa
Medo arremedo
Canelas,pés,joelhos
Roxa solidão
Morte por desafio
Grito de dor sem voz
Uma alma que assobia
Um sol que deita no extremo
Um rádio que chia
Uma voz ao fundo diz
"Não esqueçamos de que o importante é ser feliz!"
Voa, pardal,voa
Leva ao chefe de polícia um recado
De que um morto jaz em junho
Na tarde do santo de barro
Que descansa em cima da cômoda
Exibindo um sorriso plácido
Contempla a cena com sarcasmo
Um fim pouco digno
Uma despedida da empregada
Um copo de conhaque,um cigarro apagado
Um dedo em riste
Soa,cuco,soa
Já se passaram seis horas
O morto não acorda
O azedo da morte não se cala
O ralo, púrpura,não abraça
Sangra,veia,sangra
Mais uma notícia no rádio
Uma cruel voz retumba
Um estrondo anuncia
Mais um conto a ser contado
Mais uma vida que se esgota
Mais uma arte que repousa inquieta
É a morte do poeta.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009




O Gandalf tem sido um companheiro fora do comum...achei que lhe caiu muito bem o isopor como caminha,e ele realmente gostou muito.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Politicagem

Após escrever esse texto abaixo sobre indiferença,que é um tipo de sentimento que eu particularmente desprezo,fiquei pensando com meus botões no quanto somos capazes de disfarçar coisas que sentimos e pensamos para nos safarmos de uma situação difícil.É que costuma-se chamar de "escorregadio".O tal escorregadio é louvado e aplaudido nos dias de hoje.Tornou-se bonito e respeitável safar-se das situações difíceis enrolando,mentindo,disfarçando e omitindo.A famosa "malandragem" cresce forte e sadia dentro de nossas casas,no círculo de nossas relações,e sem saber ,aprovamos esse tipo de comportamento quando fingimos indiferença.Ao mesmo tempo que atiramos dúzias de pedras em nossos políticos e representantes sociais(ou mesmo em nossos vizinhos e conhecidos),alimentamos esse tipo de atitude na nossa convivência quando permitimos que alguem aja dessa forma diante de nossos narizes.Eu costumo chamar esse tipo de pessoas exatamnete de "políticos",pois são pessoas que fazem politicagem descarada,porque aprenderam a se safar dizendo meias verdades,ao invés de expor suas fraquezas e admitir erros banais.
Quando me deparo com esse comportamento,seja em casa ou da parte de meus colegas e alunos no trabalho,jamais deixo de protestar.Exijo humildade e auto-crítica de todos com quem convivo,sejam mais velhos ou não do que eu.É o mínimo que posso fazer para enfrentar e envergonhar pessoas que tentam se dar bem às custas da piedade ou ingenuidade dos outros.
Estou longe de me ver como um modelo de correção moral,e tampouco faço propagandas do meu modo de pensar quando a situação não permite.Me vejo como um ser em construção e destruição constante,que peca e perdoa,tambem se deixa enganar,mas com certeza,jamais se utiliza de subterfúgios baixos para "sair de uma fria".As frias em que nos metemos são produto de nossas atitudes,e devemos ser exigentes e punitivos com nós mesmos.

Indiferença

A indiferença é um tipo de emoção que se emite e se recebe
A indiferença faz quem recebe seentir-se o último ser do mundo
E o que emite pouco se abala,pois mesmo as consequencias de seus atos
São tratadas por ele mesmo com indiferença
O pouco caso em relação àqueles que nos querem bem minam um dia bom
Destroem uma possibilidade
Mas mesmo assim,permanecemos indiferentes a isso.
Quando as consequências batem à nossa porta,subjugando-nos
Teimamos em não aceitá-las,pois fomos indiferentes tambem quando não levamos em consideração que todos os males que causamos,nos são devolvidos.
A indiferença é um fruto azedo da modernidade,do individualismo
Quando decidimos que somos donos de nós mesmos e senhores de nossas vontades
Estamos sendo infinitamente indiferentes a todos que nos cercam
Elevamos em torno de nossas auras um imenso muro de proteção
Que nos lança aos leões ao mesmo tempo que nos dá a sensação de não sermos percebidos.
Quando se demonstra indiferença com alguem próximo,provocamos o afastamento
E mergulhamos na solidão de nossos próprios planos e e projetos solitários.
Quando fazemos pouco caso da dor de alguem,estamos estabelecendo uma hierarquia de importâncias em nossas convivências
Onde excluimos e incluimos pessoas sem consulta prévia
Sem pensar na importância que cada ser possui em nossas vidas
Relegamos vidas e mágoas ao esquecimento
Preferindo escolher "o que me serve e o que não me serve" ao "que me é caro e insubstituível"
Um grão de areia por vez
Uma lágrima contida,uma luta de egos
Um sofrimento desnecessário,ao qual não se deve dar nome e nem parâmetros
Pequeno,mas que faz volume naquele que sofre
Ser indiferente é escolher aquilo que nos é conveniente,mesmo quando não há escolhas a fazer
É optar sempre pelo cinismo e autopreservação
Abrindo feridas na alma alheia,sem ter capacidade de curá-las
Porque uma ferida causada pela indiferença cresce
Pois aquele que fere acha certa sua opção
Pois sempre vai preferir ferir aos outros e poupar a si mesmo.

sábado, 19 de setembro de 2009

Artigo de luxo

Escrevo hoje um artigo
Um artigo qualquer...um par de meias ou um pardal barulhento
Escrevo um artigo porque o nome soa bonito
É elegante escrever artigos
Escrevo um artigo porque não articulo nenhuma palavra
Assim que as vejo soltas,repercutindo em meus ouvidos
Decido lançá-las num artigo
E assim que as coloco em ordem em uma duzia de linhas
tais palavras ganham a força incontestável de um artigo
Um artigo para quem quiser fazer uma leitura breve e sem compromisso
Que não esteja atento ás figurações de linguagem e nem ás minhas metáforas
Já que as palavras dançam tão suavemente conforme eu as leio
Convido-as a uma valsa suave
Ou a um simples arrasta-pés desconjuntado
Articulo agora alguma coisa
Quem vê minhas linhas escritas pode esperar delas um comentário inteligente
Ou procurar nelas um requinte qualquer de quem tem intimidade com a língua corrente
Mas o fato é que prefiro articular sobre uma dança animada
Do que sobre a guerra dos vícios ou uma sucessão de tragédias.

Historiando...

Ainda ontem me perguntava se fazer uma faculdade de História me traria uma profissão ou se apenas me lançaria ao riso e deboche daqueles que adoram chamar estudantes de Históra de "vagabundos que não querem estudar muito".O fato é que fiz a faculdade sem muita certeza de nada,li obras sensacionais,cresci intelectualmente e como ser humano,além de ,é claro,aproveitar muito o período "acadêmico" para experimentar tudo o que me foi oferecido.Foi muito bom,foi gratificante...convivi com mestres,doutores e professores de qualificação não tão invejável,porém de espíritos bem intencionados e desprendidos.A faculdade me rendeu um título que hoje garante meu sustento,me rendeu um certo respeito,embora ainda não todo o que a profissão de professor mereça,mas acima de tudo,me rendeu uma paixão que é lecionar.Mas o ítem mais importante do "pacote de rendimentos" foi o conhecimento que adquiri através de tudo o que li,de todas as rodas de conversa das quais participei,dos maus bocados que passei para tirar tudo o que precisava para sobreviver de uma mesada paterna e materna.Houve tambem as intermináveis reuniões etílicas e fumacentas com colegas e amigos que às gargalhadas,derrubavam tudo o que os mestres esforçaram-se para enfiar em nossas cabeças.Muitos amigos,muitos assuntos...fui popular e anônima...fui estrangeira e nativa...fui inteligente e vazia.Naquela época a vida quis me mostrar que os caminhos são divertidos e tortuosos,mas que permanecem caminhos com bifurcações imperceptiveis,dentre as quais escolhemos uma.Eu escolhi seguir uma delas e qual foi eu nunca entendi...nem sequer lembro o momento em que escolhi.Não que seja importante lembrar ou ter vivo na memória para um dia ensinar a alguem,mas gostara de simplesmente saber em qual ponto eu decidi ser o que sou hoje,nem que seja para escolher de novo o mesmo curso caso um dia tenha a oportunidade de viver tudo de novo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Flor de outubro

Uma bela canção se anuncia
Já é possível sentir a sonoridade se seu suave calor
Com notas perfumadas em escalas coloridas em tom pastel
Uma canção que repercute fundo
Uma canção de aromas e bons sinais
Chegará em outubro uma flor
A mais bela das flores
Capaz de fazer brilhar o mais triste dos jardins
Uma flor que chega colorindo a estação
De pétalas macias e odor delicado
Um cristal em espécie
Uma pedrinha preciosa
Não é passageira
Nem tampouco murchará com a chegada do inverno
E deixará os espectadores atônitos com sua frágil beleza
Raro exemplar de uma vida
Que ja paira entre todos nós
Ao contemplar tua breve chegada
Desejo que a mais bela das flores simplesmente
Agrade-se de seu canteiro desde já alvo dos mais sinceros cuidados
Um canteirinho verdejante que recebe o sol das manhãs
Que espera docemente
A chegada da flor de outubro.

sábado, 22 de agosto de 2009

Insight de infância

Dia desses estive na minha terra...estive em Pelotas com meu maridão em visita a meus pais e lá dei de cara com várias surpresas.A primeira delas foi reencontrar uma amiga de infância que não via há mais de 10 anos,acompanhada de filha,seus queridíssimos pais,marido e carro zero.Achei o máximo revê-la tão bem e feliz.E penso que ela tambem gostou de ter me reencontrado.Era uma amiga do tipo irmã,pois eu adorava os pais dela e passava mais tempo na casa dela do que na minha,pois no fundo da casa havia uma horta,coelhos,galinhas,pessegueiros,cães,gatos,e até uma cabrita...nossa...a casa dela era para mim um paraíso.Lá aprendi a amar os animais e curtir viver suja de terra e respirar ar puro.E isso significava um grito de liberdade para minha infância,pois em minha casa eu podia ter no máximo 1 bicho de estimação de cada vez,meu pátio era calçado e o consumo de conservas(pepino,rabanete,azeitona)era limitado.Diversas coisas que sempre adorei e que na casa de minha amiga havia de sobra me fizeram crescer misturando as lembranças a respeito da minha essência.Tenho tantos pontos em comum com minha família,mas tenho tambem várias características que não sei one adquiri...é claro que foi na casa de minha amiga!!!Tenho muito em minha memória dos dias que vivi naquela casa,tratada como a terceira filha,comendo á mesa e acompanhando a família em suas viagens de férias.Era muito bom!!!
Minha ligação com eles foi tão forte que ao me reencontrar,ela e os pais dela tambem ficaram estupefatos,sem saber o que me perguntar primeiro.Meu marido que acompahou o reencontro comentou que parecíamos ter nos visto há apenas alguns dias,pois o tempo não mudou o modo de nos tratarmos,nem o carinho que pairou no ar naquele breve momento.Voltei para casa feliz,tive um dia espl}êndido com meus pais e meu marido,muito contente por ter tido o prazer de sentir de novo o gostinho da infância,de ouvir aquelas vozes,de ver aqueles rostos...enfim...gostaria de nunca mais esquecê-los,e desejo que minha filha tenha uma infância bonita e cheia de gostos como foi a minha.


Após a morte por envenenamento do meu gatinho Oscarito,que me fez sofrer mais do que imaginava,e do consequente sumiço do Pascoal,meu gato mais velho(suspeito que tambem tenha sido envenenado),resolvemos adotar essa porcariazinha aí...Gandalf "o cinzento".

Isabela II

Isabela ontem foi um suspiro
Foi um desejo distante
Quando já nao sabia mais o que desejar
Foi um sorriso ao longe
Uma mescla de alegria com medo
Um vazio no ventre
Mês a mês saindo por meus poros
Sem me dar uma resposta viva
Isabela finalmente germinou
Hoje é muito mais que o ar que enche meus pulmões
Isabela é hoje todos os modos de conjugação de meus verbos
Meu mundo mexe conforme Isabela se movimenta
Nas madrugadas me desperta para lembrar que sou hoje plena
Isabela me dá a luz quando me sinto de novo despencar na escuridão
Jamais me deixou só desde que passou a existir
Hoje ela tem minha vida na pontinha de seus dedinhos,já tão bem-feitinhos
Isabela me faz sorrir como uma paixão faz sorrir aquele que ama
Me dá uma razão a mais para comer,dormir,pensar e edificar
Ela não tem voz mas me fala fundo e em voz muito alta
Que sou eu seu veículo de transporte ao mundo
Que sou eu que irá carregá-la por anos pela mãozinha
Enquanto ela me arrastará com um sorriso nos lábios até a minha velhice
Isabela,minha luz
Isabela,uma vida que me faz ter mais respeito pr tudo o que é vivo
E me faz correr contra o tempo
Minha doce filha
Minha semente que cresce e toma forma em meu ventre dia-a-dia
Isabela me conduz pelos pensamentos
Me leva longe e me abre portas
Me faz abandonar o que foi negro
E enxergar a alvura da minha própria existência
Isabela me dá razão para ser o que sou
Para justificar o que fui
E me ajuda a construir o que serei
Após sua tão esperada chegada.

Da janela

Quisera que os montes fossem pura terra
Que mesmo as águas fossem sinais de percursos possíveis
Bastando assim atirar-se a um barco e navegar sem preocupar-se com a profundidade
Nem com as curvas do rio
Nem com meandros de um curso dágua
Da janela vejo apenas um fio de lamento
E ouço nada mais que um sussurro
Uma voz que segreda mistérios ao ouvido
Sempre que a tarde se vai
Como um simples desmoronar de gracejo fútil
Como um vasto anoitecer diante do sol já não tão ardente
Vai-se assim um presente
Dá lugar a um porvir sem feições destinguiveis
Ao passo que os mortais seguem a dançar
Sem ritmo,sem poesia
Apenas com os braços abertos
A receber o que lhes foi destinado
Com dúvidas e perturbadoras incertezas
Mas á espera de um novo dia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Conjecturando

Se as razões que te apresento são falhas,dá-me forças para convencer-te
Se me deres as forças,dá-me tambem os caminhos a seguir,porque eu os desconheço
Faz de mim então um brinquedo maleável,uma peça de decoração
Mas tapa-me os ouvidos,e enche minha alma de perguntas
Para que assim me distraia a resolvê-las
Se não aceito agrados,não aceito tambem insultos,porque a ti jamais insultei
Se não há carne que te apeteça,por favor,não uses minha para conformar tua fome
Não quero que meus dias se esvaeçam servindo a um mestre que não dá sentido à minha servidão
Não posso querer um destino calçado em pés caminhantes,que me arrastam como as ondas
Dá-me então qualquer sorriso,qualquer sinal
Que me faça acreditar que vivo,que não padeço apenas
Dá-me um urro,um pedido de misericórdia
Um desassossego feliz
Convence-me de que não enlouqueci
Arranca-me os cabelos e as peles,desde que me cubras de rosas ao fim do percurso
Se não tenho pranto a chorar,não tenho fome a amargar
Dá-me então uma resposta que me satisfaça
O quanto devo já não vale o quanto quero
E o que quis não me traz arrependimento
Mas o falsejo de meus gritos,o arqueio de minhas costas estão aí para provar
Que vivo porque preciso
Que escolho porque não tenho escolha
Dá-me então uma chama de liberdade
Mostra-me que decido porque mereço
Que das brasas já retirei o fogo
Que amo porque assim me realizo.

Romantismo extraviado

Sempre que ouço mulheres da mesma faixa de idade que a minha conversando,escuto entre seus assuntos as palavras "romantismo" ou "programa a dois",ou "manutenção do casamento".Imediatamente me ponho a pensar "como será que se faz isso?".Sim...nunca pensei que esse tipo de expressão poderia atravessar as ficções de filmes e novelas para desembracar na realidade.Quer dizer que existem mesmo pessoas,e mais precisamente casais que realmente vivem isso?Será que encontram ânimo e tempo para isso?E se encontram,como será que fazem?
Não sei sincermente se já fui romântica ou mesmo se alguem já me tratou com romantismo...não sei o que é fazer um passeio romântico,e muito menos fazer a manutenção do casamento.Essas coisas para mim são sinônimo de manter as contas em dia,resolver como fazer tudo sem desagradar a ninguem,usar as férias para visitar mil pessoas que cobram visitas o ano inteiro sem deixar nenhuma delas no esquecimento.Já nem sei mais como é ficar a sós com meu marido sem que falemos de contas,planos para sair do negativo no banco,comprar um carro sem precisar ficar devendo,ver o filho dele para que não se rompam os laços familiares.Isso sim é fazer a manutenção do casamento...romantismo é coisa de novela.Viagem a dois é coisa de gente rica,receber flores é coisa de defunto.A vida acabou retirando de nós toda a capacidade de amar sem sentir-se em dívida,pois até amar custa muito caro.O dinheiro tomou espaços enormes em nossas conversas,e a busca inconstante pela paz nos deixou endurecidos e insensíveis.De onde um ser humano pode tirar forças para envelhecer o lado de alguem com quem só dividiu preocupações?Nesse caso,deveríamos casar com nossos contadores,com o gerente de nossos bancos,com nossos terapeutas...creio que não sou a única a viver este tipo de situação...muitos homens e mulheres que casaram em busca de companhia,acabam tendo mesmo só a companhia, e o romantismo fica na conversa...quando sobrar um tempinho se discute uma coisa ou outra,quando sobrar um dinheirinho a gente janta fora...quando os filhos forem adultos,descansaremos em casa nas férias...quando ficarmos velhos,teremos saudade disso tudo...será?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Nada de chuva

Esse tempinho quente e úmido lá fora está me deixando nervosa
Parece que tem algo fora do lugar
E realmente tem algo fora do comum,pois calor não combina com inverno
O estranho é o fato de eu estar estendendo essa sensação para todos os outros setores da minha vida
Um toque de ansiedade e uma pressão no peito
Esqueço de tudo para apenas ficar esperando que a chuva caia com força
E coloque as coisas em seu devido lugar novamente
Nada me agrada
Me sinto desconfiada e acuada com as gotas de vapor escorrendo pela parede
Com o cheiro de coisas mofadas e expostas no ar logo quando entro em casa
Coisas velhas e bolorentas
Comida com perfume
Cigarro com fungos
Me sinto pouco à vontade com o dia de hoje
E a noite promete ser quente e sufocante
Sem posição para dormir
Sem disposição para conversar
Sem paciência para o novo dia
Amanhã será recem quarta-feira
E meu espírito está cansado como numa sexta à noite
Meu corpo reclama o peso e a rigidez dos ossos
Meus nervos estiram e não retornam ao lugar
Meus pensamentos não se afastam das coisas práticas e irritantes
Que povoam meu cérebro como um zumbido de inseto
Não divago,não me abstraio
Escrevo com os dedos enrijecidos
Sorrio com uma alegria ácida
Não há conforto
O sono me causa náuseas
A comida não me satisfaz
Nem sinal da chuva
Nenhuma trovoada
O calor está dentro de casa
A água está debaixo do meu tapete
As roupas estão sujas
O sol não me engana
Espero a chuva que liberta,que desafoga
Que me leva de volta à normalidade
As coisas em seu lugar
Me fazem apreciar a rotina.

domingo, 5 de julho de 2009

Compreender

Compreender é fazer de conta que aceita coisas com as quais não se concorda
Compreender é dar outro sentido ao ceder
Não é dar um anel de brilhantes ao pobre sentir-se quite com o mundo
Não é ceder um pouco para pedir muito
Compreender é uma arte dificil,muitas vezes não reconhecida
Na maioria das ocasiões não lembrada
Quem compreende engole seco
Sufoca um grito
Atende à consciência
Mas não quer,não suporta
Compreender está alem das forças de um ser qualquer
Não apenas do egoísta
Compreender é comer algo que não sacia a fome
É dar um troco maior do que o valor recebido
É a sensação de comprar algo inutil
De perder um pouco de si e daquilo que acredita
É romper com uma crença,com uma religião
É aprender que o mundo gira para mais de um
Que um umbigo só não faz a harmonia
Que um beijo não cala a dor de uma mordida
Compreender é doar um pouco do que se é
Para sustentar a vontade de outrem
Compreender é dar de graça algo pela qual pagamos caro
Compreender é abrir mão da própria alegria
Para ver um parco sorriso no rosto do angustiado
É parar no meio do caminho e esperar por um preguiçoso
É ceder espaço para que alguem invada a tão cara intimidade
É querer bem a alguem e sorrir mesmo tendo perdido um pedaço
Mas sem compreender,não se cresce
Não se aperfeiçoa
Não se enobrece
Não se relaciona.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pérolas aos porcos

Não fosse o total exagero,o bem viver alcançaria a todos os seres que habitam(ou poluem,conforme o caso) a face do frágil planeta em que nossos pés estão cravados.Há o que basta para todos,sem deixar qualquer vida em abandono.Essa afirmação é perfeitamente constatável se observarmos os níveis de pobreza (material e intelectual) de alguns e o de riqueza de outros.Longe de mim vir com um discurso esquerdista,já que fui obrigada a abandoná-lo quando me lancei na selva do meracdo de trabalho.Minha intenção é mesmo dar ênfase às diferenças tênues que encontramos em todas as esquinas ao topar com a miséria existente em todos os detalhes,do mendigo na calçada à escassa banca de revistas.Nada há para comer,nada há para ler.Pessoalmente trato a fome orgânica e a fome cultural como termômetros indicativos de pobreza.É claro que o mendigo não pode comprar uma revista interessante poruqe não possui meios.Mas quem tem esse privilégio,escolherá a revista de fofoca.Para piorar o caso,outra observação:as revistas de fofoca são semanais!!!!E não me resta dúvida de que se o mendigo tivesse a oportunidade de cmprar uma revista,escolheria justamente esta.O povo lê sim!Não falem mal do povo!O problema é que o povo lê mal,assiste TV em horários e canais precários e comenta a novela no outro dia de manhã sentado em bancos de ônibus precários.
Tenho reparado que meus alunos não sabem distinguir obras literárias de textos didáticos de História.Qualquer conjunto de letras que possa lembra-los de que estão "lendo" algo já é motivo para queixas e expresões de tédio.E tenho receio de ser soterrada por tomates podres caso queira forçá-los a ler ou explorar algo dentro dos vastos limites da literatura.Nada atinge ninguem nesses tempos.A morte do Michael Jackson me roubou minutos preciosos de aula sobre Renascimento na sétima série.Tive me deter a explicar como um nariz de negro pode virar nariz de branco em poucos anos.Se os filhos de Michael Jackson seriam brancos ou negros.Sim...expliquei...podem rir de mim à vontade,mas o fato é que esclareci todas as dúvidas que pude,porque minha bandeira é e sempre foi a educação pelo diálogo,e jamais pelo cala-boca.Me prestei inclusive a incluir o nariz mutilado do Michael Jackson para falar no Apartheid sul-africano na aula de Geografia na 8ª série.
Levando em consideração que na idade de meus alunos as palavras que povoam suas bocas e mentes são namoro,sexo,pedra de crack e hip-hop,acho até que obtive algum êxito,mesmo que limitado à pouca vivência que possuem.
Mas ao chegar em casa parei e pensei:"será que sempre vou ter essa criatividade?Esse jogo de cintura combinado com uma dose gigantesca de paciência?".Não sou do tipo que desiste fácil...mas eu canso...Em meio à minha indignação me faço perguntas:Que tipo de pessoas eles serão?Que momento da vida eles vão parar e pensar que vale a pena ler,estudar?Mesmo que não seja para um vestibular em universidade pública(sonho meu!),mas será que o dia de valorizar a leitura vai chegar para eles?
Daí a grande diferença entre pobreza orgânica e pobreza intelectual.Meus alunos vestem roupas melhores que as minhas,comem com certeza mais vezes e melhor do que eu e moram em casa própria,coisa que ainda não consegui...mas são pobres!São muito mais pobres que eu...e a pobreza deles é crônica,pois já dura mais que anos!!!E o pior de tudo é que quem sofre com isso sou eu,pois tenho que aguentar minha desilusão quando tento ajudá-los ou minha conciência pesada quando procuro ser indiferente.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O livro

Mesmo ontem quando tudo parecia meio cinzento
Quando a chuva fina ainda agredia a pele macia
Parecia ainda que o tempo de desatar velhos nós estava próximo
Parecia que as coisas de épocas passadas ainda estava em suspenso
Sobrevoando as cabeças que apontam para o infinito
Agora que o tempo esgotou
O gargalo afinou
A festa ienesperadamente acabou
O pensamento ficou lento e não atinge mais o grau de loucura
Nem tem velocidade para ir tão longe com o fôlego disponível
Tudo que sempre figurou como importante
Hoje é apenas o prefácio de um livro escrito às pressas
Que goza de um enredo sólido e sufocante
Bem como os enredos de obras fascinantes
Deixadas por mortos-vivos
O grande segredo caiu por terra
Não que tenha sido revelado
Apenas deixou de ser misterioso
Para tornar-se claro como o dia
Sem que o escritor movesse a pena
As páginas escritas reviram-se descansadamente
E as palavras dançam como insetos de verão
Em torno de uma bela luz
Que em breve acenderá a lâmpada de cabeceira
Para começar um novo capítulo
Agora sem insinuações de verdade
Nem sentimentos esfumaçados
Mas sim o concreto,o tocável
Que pode ser vivido.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Isabela

Isabela hoje é meu sol,minha luz
Um presente enviado pelos anjinhos mais caprichosos
Sent by Angels
Isabela é o prazer de minhas madrugadas
Me acorda e me deixa de olhos vidrados sentido a sensação
Não é uma droga alucinógena
Isabela aparece diversas vezes ao dia,mas sempre sei onde ela está
Isabela me faz chorar sem culpa,sem motivo
Isabela ainda não tem rosto nem personalidade
Mas tem uma matriz forte
Isabela me faz sentir dores lancinantes
Mas sucumbo aos prazeres a que me lança
Isabela não é uma orgia romana
Isabela e um dom,um presente
Isabela tem todas as cores de um arco-íris
Meu chão,meu pulsante coração
Isabela regula meus absurdos
Regula meus exageros
Acaba com meus nojos e ascos
Minha luz...minha filha
Isabela nem chegou mas o sol já a anunciou
Isabela chega logo,traz a paz e tudo o que possa ser incondicional em mim
Sou incondicionalmente mãe dela
Da minha bela Isabela
Minha criança tão desejada,tão cheia de missões
Minha luz
Minha filhinha.

Furturo

À medida em que as tardes vão se esvaindo
E as marcas de uma indecisão passada vão-se apagando
Passam a ter lugar as certezas
As esperanças e a noção do que é ou não reversível
O que se pode ou não trazer de volta parece tão claro
Que quase vislumbra-se o furturo
Sim o FURTURO...porque o futuro em si furta
Rouba-nos a chance de fantasiar,de tentar novamente
O furto que mais causa sensação de perda,que mais causa tristezas
Quando o ontem vira hoje,o amanhã torna-se cada vez mais próximo e mais curto
O tempo parece levar consigo a capacidade de decidir
De ousar,de ser desaforado
Quando o ontem vira hoje veste-se a máscara e fecha-se os olhos
Na esperança de disfarçar o que não foi feito
E o que foi mal feito
O furturo está presente desde o ontem
E assombrará os amanhãs...sempre
Leva embora o brilho dos olhos
Apaga as cores de nossos rostos
E grita em nossos ouvidos fazendo ameaças
Mas quando ele chega de verdade e resolvemos encará-lo
Acaba o medo,acaba o pânico,acaba a busca
Quando aceitamos o furturo
A vida torna-se mais digna,mais suave
Mais velha
Perde-se a chama
Mas ganha-se a serenidade
A calmaria.

Arte

Os artistas aqui estão para cantar coisas
Que as frases não dizem
Para levar aos céus aquele que teme voar
Para fazer esquecer aquilo que se faz lembrar
Para cantar em versos o que não se pode falar
Para preencher vazios que uma palavra não pode calar
Para libertar seres que a virtude não permite mostrar
Na música,na tela,nas cores,nas palavras
Ou em simples sinais gráficos querendo dizer algo
Que uma alma sã não sabe decifrar
Um som ao fundo irradia um êxtase
Uma cor margeia uma lembrança
Um movimento imperceptível de pernas e pés
Faz ruir um solo e erigir uma expressão
A arte não revela segredos e nem decifra intimidades
A arte passa por todos como um veículo em movimento
Que ruma para o interior desconhecido
Onde só embarcam aqueles que tem sensibilidade
Que não só sentem com os cinco sentidos
Mas com todas as terminações nervosas.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Que sofrimento!

Imagine que seu esôfago é uma seringa estreita com diâmetro preparado para receber apenas líquidos e alimentos bem mastigados.Dentro da seringa há um êmbolo macio que percorre suavemente as paredes do seu esôfago,que em seu estado normal é representado pelos gases que liberamos após engolir algo(o arroto mesmo!).Essa é a descriçao que faço do meu aparelho de deglutição durante e madrugada,quando estou com fome mas o frio não me permite sair da cama para beber um copo d´água sequer.Mas durante as demais horas do dia,já desenhei em minha mente como se parece o meu pobre órgão.Lá vai: imagine que seu esôfago é uma seringa da finura de uma agulha de costura,por onde já não passam mais líquidos e muito menos alimentos triturados.Dentro dele há um êmbolo da grossura de uma agulha de tricô incandescente que se movimeta com uma frequência enervante.Na extremidade deste êmbolo está uma pedra do tamanho de uma bolinha de pingue-pongue cheia de espinhos também incandscentes que insistem em atravesar uma agulhinha de costura frágil e despreparada.Logo abaixo da seringa está um mar de lava em estado de movimentação intensa que me faz enxergar todas as estrelas do firmamento,que seria o meu estômago.Percebe-se que durante a já mencionada madrugada consiste hoje no meu unico momento e alívio durante o dia.Alguem arrisca um palpite sobre o mal que anda me afligindo?Acrescento ainda que estou grávida,e que meu estômago sofre pressão de cima para baixo.E então?Ninguem sabe?Para os beberrões de plantão e para os adoradores de pastéis e croquetes de rodoviária apimentados com cerveja,e tambem para os amantes de molhos condimentados,devo toda a minha solidariedade,pois estou sofrendo diariamente e hora após hora da queimação mais horrorosa que um organismo pode sentir...meu suco gástrico está gritando vitorioso,ás portas do escaldante inferno dos pecadores da gula que estou MORRENDO DE AZIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 14 de junho de 2009

Inverno

Depois de um feriado de tempo sombrio e gelado
Eis que surge um domingo quente,ensolarado e sem vento
Assim mesmo como eu disse...um dia maravilhoso que me permitiu espalhar minha volumosa barriga ao sol,caminhar e não sentir dores no corpo de tanto me encolher de frio.E o pior de tudo é que já adivinhei uma segunda-feira tambem maravilhosa na qual estarei trabalhando sem poder curtir o solzinho.E quando estiver em casa,vão sobrar algumas horas mais de dia e logo a noite vai despencar fria e escura no meio da minha testa.Se tem uma coisa que detesto mais que falta de dinheiro e dor de cabeça é a porcaria do inverno!!!A gente passa entrouxado,à moda boneco de neve,o nariz sempre escorrendo,à moda criança de creche,o corpo dolorido,à moda velha reumatica,procurando sol quente à moda dos répteis e ainda por cima,não bastando essa droga toda,tem que ir trabalhar e levantar às 6:30 da manhã!Eu realmente não consigo controlar meu mau-humor quando chegam as 16:00hs e vejo que está na hora de fechar a casa,recolher a roupa,e se socar dentro de casa!Um saco!!!A gente entra cedo para dentro de casa e tem que se conformar em sair cedo de casa tambem!!!
Chego a sonhar com atestados médicos,licenças-saúde,obras na escola....quem sabe até uns 3 dias de luto por morte de um colega de trabalho...se eu pudesse escolher qual deles...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ciclos

Sempre que o universo me disse não
Fingi que não ouvi
Mas tambem não insisti
Andei mais algumas milhas
Me alimentei de me meu suor e meu desejo
Percebendo que tudo dava errado
Mas ainda não era a morte
Sempre que o acaso me flagrou
Fingi que já sabia
Mas não me privei da surpresa
Celebrei o quanto pude
Cada etapa da minha glória
Mas tambem tive de remoer algumas perdas
Que embora não fossem irreparáveis
Tiveram o poder de inaugurar uma nova cicatriz em minha existência
Como qualquer mortal,sempre vivi entre a vontade e a preguiça patológica
Mas as oportunidades que me serviam eu abracei
Sempre que uma dor qualquer me assaltou
Eu não deixei que se apossasse de mim
Mas tambem não reneguei minha culpa
Nem esperei um remédio milagroso
Apenas fiquei calma e esperei que o ciclo se completasse
Não sou exemplo de boa conduta
Não sou a carne nem o espírito
Minha força não é permanente
Apenas faz plantões longos
E nos intervalos não salvo almas
Nem protejo a minha própria.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fada Salupa

Salupa sonhou com um grande castelo
Era uma fada de tez alva
Não precisava fatigar-se em escadas
Nem despencar de torres
Simplesmente flutuava como uma folha
A morada de Salupa era em tons pastéis
Como uma tela de contos infantis
Grandes portões mantinham-na segura
Cavalos brancos estalavam seus cascos no jardim
Bravos cavaleiros armados disputavam sua atenção
Salupa alimentava-se de algodão-doce
Dormia em lençóis acetinados
Escrevia em seu diário
Luas cor-de-rosa iluminavam suas noites quentes
No castelo de Salupa não havia frio
Não havia lágrimas
Salupa viu em seu sonho avesso
A realidade desejada na infância
Que jamais viu rastro nem sinal
O príncipe encantado em armadura
Um mundo sem preço,sem moeda
Um mundo livre de semblantes obscuros
De palavras frias
Salupa não quis acordar,não quis abrir os olhos
Embora soubesse que bons sonhos não se estendem
Não resistem à luz da manhã quando esta decide rasgar a cortina
Salupa evitou o espelho
Evitou a própria voz
Não pôde chorar nem rir
Não pôde mover-se
Não quis que a vida continuasse
Procurou em vão a varinha de condão
Encontrou apenas o tapete no chão
Desbotado,sujo.velho
Negro e sem poderes mágicos.

sábado, 18 de abril de 2009

Virtue and vice

Virtude e vício
Palavras que beiram o insano
Quem sabe o impossível
O vício é mau
A virtude é nobre
Desde os mais obscuros tempos
O vício e a virtude separam os homens
Rótulos para uma vida inteira
Uma máscara que cai bem a uma cara
Por conta de uma atitude impensada
Quando achava que ningeum olhava
O vício lembra uma pre-disposição quase que patológica
Ao mau agir,ao mau caratismo
A virtude já cobre de graças seu portador
Perdoa-lhe todas as atitudes
Passa a mão pela cabeça
A virtude tem aura
O vício tem máscara
A virtude salva
O vício condena
Ambos são predadores de consciências
Devoradores de naturalidade
Cada qual a seu modo,sem nunca misturar-se
Infeliz é o homem que veste tal indumentária
Prisioneiro de um olhar curioso
De palavras ditas em tom baixo
Infeliz é o homem
Que viciou-se em ser virtuoso
Ou que desvirtua-se para não cair em vícios.

Sentir-se só

Sentir-se só nem sempre é sentir ausência de alguem
Sentir-se só nem sempre faz com que fiquemos tristes
Sentir-se só traz à tona coisas antigas
Faz questionar o mundo após uma má noite de sono
Sentir-se só revela pecados que nunca ousamos cometer
Faz culpar os outros por erros que não conseguimos reconhecer
Sentir-se só nos leva a analisar a vida do ano zero
Faz analisar a vida dos outros e descobrir o porquê
De se sentir tão diferente de todos
Sentir-se só faz com que questionemos nossas decisões
Faz com que busquemos fugas artificiais
Por não estar à vontade com a pr´pria solidão
Sentir-se só é sentir uma raiva contida
Raiva de não podido pensar antes de atirar a pedra
Antes de assumir um risco
Antes de jogar nas mãos de alguem o destino que por direito nos pertencia
Mãos erradas ou não
Mãos cuidadosas ou não
Sentir-se só traz a inveja ao nosso cotidiano
Traz miséria e olheiras
A solidão cobre a face de amargura
Cobre nossos dias de impotência
De questinamentos,dúvidas
Estar só é olhar o mundo de fora
É criticar tudo o que não atingimos
É fazer das atitudes pequenos sacrifícios
É não ter iniciativa para doar-se
Nem para receber doações
É torcer a cara para tudo
Desconfiar de tudo
Esmorecer diante da alegria dos outros
Criar empecilhos para a própria felicidade
Buscar meios nos fins
E mesmo sabendo de quem é a culpa
Sentir-se só é jamais aceitar-se
Jamais perdoar a si mesmo.

O frio

O anoitecer hoje é largo
O céu é firme e já não prevê mais chuvas de verão
Os dias,cada vez mais curtos,alongam-se conforme a angústia
As noites já não são mais tranquilas e serenas
Dores assombram,sons noturnos despertam
As horas parecem fugir do relógio
Rumo ao despertar iminente
O sol já tem cores vaporosas
O laranja engole o amarelo vivo
Que sucumbe rapidamente ao negro
Os insetos dançam cada vez menos frenéticos
Ao redor das luzes da rua
Os animais retiram-se cedo ao descanso
O frio já assalta a todos
Um longo inverno se encaminha
Seus sinais claros abatem corpos e espíritos
A busca pelo fogo,pela luz esvazia as calçadas
Expulsa as vozes da vizinhança
O calor está dentro
E o frio entra pelas frestas trazendo a mensagem
"Cubram-se todos...acumulem víveres..."
Aproximam-se os meses frios do ano
As caras fechadas,os humores abalados
A chuva e fungos
Estamos entrando em épocas de hibernação
Mais um ano,mais um inverno.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meu bebê em Arambaré

Enfim...fui a Arambaré!Passei ao lado do meu maridão 4 longos e belíssimos dias cheios de nada fazer,nada produzir,nada pensar e tudo esquecer.Estava ótimo e era tudo o que estava precisando.
A Lagoa dos Patos estava deslumbrante,um espelho dágua que encheu meus olhos sem deixar espaço para nenhuma visão mais.Não pensei em escola,nem em compromissos,nem provas e trabalhos a corrigir...
Minha sede por Arambaré é resultado de um verão escaldante socada dentro de casa,com pouca grana,muita incerteza e uma piscina de plástico para enfiar a cabeça fervente.Não digo que foi terrível ou insuportável...mas foi difícil,foi estressante...posso dizer com certeza que o único bônus deste verão foi o bebê que carrego neste momento,às vesperas de completar 11 semanas de vida in-útero.Foi uma excelente consequência,é claro...mas meu bebê poderia ter muito bem sido concebido em momentos de relaxamento e segurança numa paisagem estimulante.Mas...não foi!E hoje ele pode curtir a praia na barriga da mamãe que envia descargas hormonais positivas cada vez que estica o corpanzil volumoso em qualquer superfície horizontal,e atinge o êxtase quando o local em questão é a praia de Arambaré.
Logo pretendo retornar à praia doce levando meu feijãozinho comigo e fazer dessa gravidez um pretexto para distribuir sorrisos e dispensar caras-feias e coisas que não quero fazer.
A mamãe já pensa muito em ti,meu bebezinho!!!!!E te espera com muita alegria e um peito rebentando de amor e lactose!!!!!

sábado, 28 de março de 2009

Arambaré

Abraçar algas e fungos
Receber em meu corpo socos e pontapés da força da agua...
Andar sem calçados como mendiga...
Mandar ao vento sussurros de tranquilidade
Brincar com conchas, rolar pernas e braços no tapete dourado
Afundar meus pés na areia da orla
Romper com o cotidiano e subir ao azul
Entre nuvens escassas e brancas.

Medo

Quero um vermute agri-doce
Quero um cigarro de cravo ou canela
Que me anestesie a lingua e os pensamentos
Sem dor,sem sal,sem tempero algum
Quero um trem que arrase
Que voe parado em pleno furacão
Quero um doce extremo
Cacau com lembranças
Cevada e erva braba
Onde esconder os medos e certezas
Quando o armário está lotado
De coisas inúteis mas importantes
Não há espaço,mas há uma inquietação
Mudo de casa ou de atitude?
Mudo de vício ou de virtude?
Ando descalça ou de sandálias
Que cores vestir num dia tão opaco
Que sapatos calçar num solo tão inseguro?
Posso afundar ou a areia me ejeterá aos céus
Como acontece aos anjos e demônios?
Sempre que quero gritar
Minha garganta fecha e coça
Fica um restinho de voz rouca que acaha que saiu
Mas ainda está presa na boca do meu estômago`
É feio falar impropérios em tom agressivo
É feio enfrentar e ressuscitar a cada dia
O bom é ficar sempre com a mesma cara lavada
Feia e cansada...enjoada
Fazer uma média com o espelho,fingir um desconcerto
Mentir para os próprios olhos
Uma anedota por dia,faz a vida sadia
Mesmo que seja para esconder o medo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Stand-by(modo de espera)

Bem...finalmente depois de alguns dias intensos de dúvida e especulações,descobri e atestei que estou grávida.Não havia mais como fugir disso,mas de qualquer forma,ia ao banheiro de 20 em 20 minutos para ver se a menstruação não tinha chegado,imaginando cólicas e sintomas característicos.Nos últimos dias já estava com medo de menstruar,porque comecei a curtir muito a idéia.Continuei com os mesmos temores,só que com esperanças ao contrário.Meu sonho de liberdade acabou e deu lugar a meu sonho de maternidade hoje às 3 da tarde quando a obstetra falou"Estás gravidíssima,mamãe!".Fiquei vermelha,enchi os olhos de lágrimas e só pensava em sair gritando pela rua "Vou ter um nenê!!!".Não gritei e nem fiz fiasco,mas brotou um sorriso permanente no meu rosto que me acompanha até agora.É uma espécie de alegria suave,constante,inabalável...sim,tem alguem pequenininho crescendo entre meu intestino e minha bexiga,que tranca o primeiro e afrouxa a segunda!!!!Faz inchar minhas pernas e carrego uma tonelada de líquido em cada peito doído que nem o pobre sutiã já não consegue suportar.Tenho tanto sono que parece que durmo o dia inteiro e acordo só para comer e atravessar a rua...apesar de todo o meu corpo forte e bem nutrido,a fraqueza anestesia meus membros e me faz querer agir apenas telepaticamente...pobre do meu marido que virou um leva-e-traz paciente e risonho,fazendo tudo o que peço com prazer e alegria.Meus alunos,coitados...falam comigo e eu ouço apenas um rumor lá no fundo dos meus pensamentos...precisam gritar para que eu saia do meu torpor e possa atendê-los..."sôôôraaaa!!!".
É com certeza uma sensação que nunca vivi,não sei no que vai dar,não sei se quero que passe...estou em stand-by até o dia do parto.Não contem comigo para assuntos graves,nem para pensar logicamente...muito menos para trocar tragédias...não vou poder atender!!!Não que não queira,mas meu cérebro está programado para selecionar assuntos pelos próximos 7 meses(talvez depois do nascimento,o prazo aumente por mais alguns anos).A partir de agora vou pensar em roupinhas,fraldas,chupetas e cheirinho de nenê.

sábado, 7 de março de 2009

Sábado

Sábado é um dia muito legal.Sempre adorei sexta-feira,mas o sábado é muito bom,porque me deixa entre a vontade de descansar e de aproveitar e sair.Fora as coisas engraçadas que acontecem as coisas que observo acontecerem ao meu redor.Por exemplo:tem um vizinho meu que está ouvindo Rod Stewart a todo o pau numa caixinha de abelha neste exato momento.Meus vizinhos de pátio estão jogando bola no pátio,e posso ouvir os gritos de alegria do filho por ter os dois pais em casa...porque é sábado.Domingo a gente já anda com a bandeira a meio-pau,meio de luto,com cara de desgraçado...mas o sábado é longo e termina tarde.
Nos sábados acontecem coisas incríveis...a gente encontra a cidade inteira no supermercado comprando carne e cerveja.Nem sequer lembram que trabalharam durante a semana que passou.Penso que o sábado é como nadar até a superfície para pegar um fôlego,e depois voltar ao fundo.É uma sensação que começa na sexta à noite e estende-se até domingo às 3 ou 4 da tarde.Pra mim,esse período inteiro é sabado.

9 anos e um aborto

Uma menina de 9 anos é estuprada pelo padrasto,engravida de gêmeos e passa por uma cesariana para interromper a vida dos fetos.
Algum mortal poderia me dizer que sensação atravessa o corpo após ler algo assim?
É o mais completo circo dos horrores que eu já tive o desprazer de tomar ciência.São palavras comuns que juntas numa mesma oração têm um efeito de tirar o fôlego!
Em primeiro lugar,a expressão "menina de 9 anos estuprada" já é de provocar náuseas e revolta.Quando aliada ao conjunto "pelo padrasto",torna-se inconcebível.E se levarmos em consideração que ficou grávida de GÊMEOS,faz com que questionemos a sanidade de todos nós.A mídia divulga o absurdo,critica,rebate.A instituição mais antiga da História,que é a Igreja Católica,cai de novo na malha fina.A Igreja sempre terá atitudes medievais,sempre sera contra o aborto e qualquer tipo de atentado contra a vida humana.Mas vem cá...pra que pedir a opinião da Igreja?Pra que polemizar um assunto que diz respeito à humanidade,e não ao divino?A Igreja aceita o estupro como uma coisa natural!Afinal,quando foi criada,o macho tinha a liderança e o sagrado direito sobre qualquer fêmea,inclusive de abusar dela sexualmente.Igreja não tem nada a ver com direitos humanos.Igreja não entende nada de humanidade.É uma instituição atemporal,retrógrada,imbecilizada ...não acompanha nossas vidas e nem sequer preocupa-se com elas.Igreja serve para ocupar os domingos e aliviar a consciência dos cristãos malvados.Me digam por favor...como é possível a família da menina de 9 anos ter sido excomungada e o estuprador continuar tendo direito aos sacramentos?As leis dos homens e as leis divinas andam em pistas contrárias...se encontram num breve momento para discutir riquezas e palavras mal ditas por um bispo anti semita.Como uam pobre criança,estuprada pelo padrasto engravida e a Igreja não vê?Como a Igreja pôde permitir que um filho seu estuprasse uma criança?O deus não é onipresente?Onipotente?Tudo bem...passou despercebido...mas porque o aborto não passou despercebido?Será que por acaso os padres celebrariam o enterro(gratuitamente) da menina e depois criariam os gêmeos?Será que os gêmeos viveriam?A menina pesa apenas 33 quilos!
Bem...nem sei mais como manifestar meu desgosto com a hipocrisia da Igreja.Prefiro parar por aqui antes que me crucifiquem.

domingo, 1 de março de 2009

Tapa na mão

Um tapa na mão
Um cuspe na cara
Vale a mesma coisa
Quando o assunto é cumplicidade
Por mais que a razão resida ao lado
Ela se esvai como espuma
E não pode ser recuperada
Toda uma série de palavras
Que são ditas e jogadas no veto
Forte e de chuva iminente do verão
Retornam sempre que o dia escurece
E traz de volta a mágoa de um único momento
Não se trata de uma disputa,nem de um jogo baixo
É apenas um momento de desespero
No qual pode-se jogar uma vida fora
Sem ter a exta noção do impulso
Nenhum dos lados é poupado
Nenhum estilhaço desperdiçado
Surge um fruto podre,azedo
Que estará sempre presente
Conforme o momento permita.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Recomendo a qualquer mortal pensante baixar o disco ao lado do Taj Mahal,além de informar-se sobre quem foi esse cara negro blueseiro com nome de palácio indiano.http://camaradeeco.blogspot.com/2009/01/taj-mahal-natchl-blues.html
Não percam,por favor!!!!!Aliás,o blog é ótimo!!

Mundos e órbitas

É claro que o mundo tem que seguir girando,mesmo que as voltas sejam mais lentas
Que o sol não esteja presente
Mesmo que a chuva atrapalhe as caminhadas
E mesmo que a bruma invada a visão como uma cortina
Ainda assim o mundo segue seu conformado itinerário
Meu mundo pode parar por um segundo
Mas isso não quer dizer que o teu também sofrerá prejuízos
O mundo de alguem pode despencar ladeira abaixo
Enquanto que o de outros continua verdejante e cheio de perspectivas
O mundo gira porque não há nada humano que o impeça
Nem mesmo divino
O mundo do outro é um espaço pequeno
Limitado pela linha divisória do mundo vizinho
Pelo lado esquerdo,direito,frente e costas
Vivemos em pequenos países limítrofes
Onde cada um dá suas ordens e determina seu sucesso
São mundos feitos de partículas
Recolhidas pelo chão durante uma vida inteira
Constituído de poeira,fumaça
E alguns elementos sólidos
Para que pareça um pouco mais tangível
Cada mundo é inspirado no mundo do outro
Construído por um obreiro sem experiência
Sem noções de estrutura
Pode sim ruir a qualquer momento
Bastam emendas e rejuntes mal feitos
Um telhado frágil suscetível ao granizo
E paredes de papel
Que não suportam um vento mais severo
Mundos frágeis
Giram em órbitas diferentes
Acompanhados por astros brilhantes
Se chocam,se invadem
Em busca de unidade
Em busca de espaço vital
De romper com a escuridão
Com a solidão de um compromisso firmado
Um compromisso que não diz nada sobre nós mesmos
Mas contenta o mundo do vizinho
Mas nos mantem sós.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Talvez

O que eu espero da vida?Olha...da última vez que me fizeram esta pergunta,percebi que não tenho resposta para ela.Não tenho a mínima idéia do que eu espero da minha vida.É bem mais fácil dizer o que eu quero da vida dos outros...que sejam felizes,que tenham saúde,amor e longevidade.Mas para mim?Não sei mesmo.Talvez eu deseje que tudo continue como está...ou que seja tão bom quanto foi o ano passado,ou retrasado...sei que tenho vontade de conhecer a Bahia,Uruguai e quem sabe a Argentina...mas também não sei se um dia vou poder ir.Sei que quero ter filhos...mas não sei se um dia vou tê-los,e nem sei se posso tê-los.Sei que gostaria de escrever um livro...mas não me dedico o suficiente à pesquisas para a elaboração do mesmo.Sei que quero ter uma casa,mas não sei se vou conseguir economizar dinheiro para comprá-la.Acho que é por isso que não tenho nada definido em relação aos meus anseios.Planejar,construir,projetar...é tudo tão perigoso...até posso estar redondamente enganada,ou mesmo sendo covarde...sei que sou...mas a política do "se acontecer,tô no lucro!" tem me prporcionado bastantes surpresas agradáveis,assim como a ausência de planos me ajuda na adaptação durante momentos de crise.Nunca me frustro...nunca caio um tombo...nunca sou surpreendida...mas tambem não arrisco,não me atiro em nada,não boto o nariz para fora...foi uma escolha que acabei fazendo sem perceber.Me acomodei a uma vida serena por medo de voltar a viver a tormenta do passado.Nunca mais viver sem dinheiro!Nunca mais ser proibida de alguma coisa!Nunca mais ouvir coisas que não quero!!!!Nunca mais!!!!Digamos que eu seja uma acomodada sim...mas estou em estado de latência...a qualquer momento posso ressurgir e abocanhar o que vier...ou talvez morra velha e tranquila...talvez,tlavez...

Salupa vai às compras

Salupa foi às compras
Vitrines coloridas,vozes misturadas
Pessoas e corpos à venda
No outdoor um sorriso forçado
Salupa não viu realidade,não viu pureza
Salupa atravessa a rua e deixa cair a chave de casa
A faixa no chão,tão branca esconde o objeto procurado
Salupa deixa cair mais o guarda-chuva
A faixa branca cada vez mais perto
Salupa ouve o som metálico
Será o telefone da esquina?
Será um chamado?
As chaves estão escondidas na chuva,na faixa branca
O som alto...Salupa sente que não tem mais pernas
Braços,mãos...frouxos como que apenas pendurados
O som do motor
Salupa não levanta,não cai
Salupa sente uma dor lancinante nas costas
Um baque
Agora Salupa caiu,com sacolas e apetrechos
Nem chaves,nem guarda-chuva nem nada
Não vai entrar em casa
Abre os olhos...a dor nas costas
Um céu escuro e barulhento
Rodas,fumaça
Sem pernas,sem braços
Nos braços de alguem

Noite III

Um blues
Um copo ou outro
Numa noite escura
Uma companhia muda
Ou até estridente
Uma fumaça densa
Uma voz poderosa
Um cigarro de filtro amarelo
Nem sombra nem luz
Num canto qualquer,sussurros
Num espaç curto de tempo
Uma confissão
No teto a bruma,no chão a areia
Um blues
Uma testa na mesa,o sono profundo
Viagem marcada
Uma cara inchada,um olhar furtivo
Horas de esquecimento
Risos e gritos
Pernas,pés...mãos inquietas
Atrás do balcão
Vidros e marcas
Um olhar entediado
Mão no queixo,sono
Garganta seca
Calor e suor
Reservas e calafrios.

Meu avô

Durante este feriado de Carnaval,resolvi colocar em dia minhas visitas de família que estava devendo há uns dois anos mais ou menos.Entre as visitas que fiz,está meu avô Théo que conta agora com 89 anos de vida.Ele tem quase que exatamente o triplo da minha idade.Ele viveu 3 vezes a minha vida...isso é impressionante!!Se em 30 anos eu já tenho algumas coisas para contar,imagina o que ele deve ter no estoque de histórias.É uma pena que quando se tem um baú cheio de memórias,a cabeça não ajuda a preservá-las.Ele lembra de quase todas as pessoas que passaram pela vida dele,nome,sobrenome,família de origem...mas acredita que a filha mais nova é a esposa já falecida,chamando-a de "mãe" ou "Iarinha".Acredita que a esposa está ao lado dele e compartilha com ela as memórias.A idade tirou dele o vigor físico,a lucidez,a independência...mas não tirou o imenso amor sincero que sentia por minha avó Iara.Um amor puro misturado com companheirismo...amor de marido,de pai e de filho por uma so pessoa.
Meu avô não caminha mais sozinho,pois choca-se com as paredes...meu avô precisa de alguem para banhá-lo,para alimentá-lo,conduzí-lo...ele só ficou mesmo com as divagações e lembranças.Cada vez mais calado,cada vez mais só...ele passa dia a ter alucinações como ver coisas paradas em movimento,ver pessoas nas sombras,conversando com amigos imaginários...e tem pânico de que roubem o dinheiro dele.Sua carteira tem uma borrachinha enrolada 3 vezes.As 3 voltas são o único controle ue ele tem sobre o que é dele.Se a borracha foi mexida,ele conclui que alguem roubou o dinheiro dele.
Meu avô foi um exímio dançarino de tango.Ate hoje tem diversos CDs que ouve antes de dormir.Enquanto estava lá,ele cismou que minha prima de 18 anos havia roubado seus CD´s de tango!!O que ela faria com CD´s de tango?
Bem...fiquei mesmo muito chocada com o que vi...fiquei com pena de meus familiares,que precisam dedicar muito tempo de suas vidas e paciências ao velhinho,porque ele realmente dá muito trabalho!Fiquei também sentida por ver que um homem antes tão lúcido e galante tem pequenos momentos,mínimos mesmo de pé no chão durante o dia.O resto do tempo ele vive no passado,ao lado daqueles que já se foram.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carnaval de Caminha

Quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei de Portugal dando um relatório da viagem financiada pela coroa ao Brasil,suas palavras para designar a "indumentária" das nativas foram "vergonhas descobertas".Isso nada mais quer dizer que as índias desfrutavam do calor e das águas límpidas dos rios exatamanete como vieram ao mundo.Foi um verdadeiro escândalo!A corte portuguesa se viu diante do primeiro choque cultural da moda.Foram levados à Portugal diversos "exemplares" de peladões e peladonas para que os europeus pudessem domesticá-los e ensinálos a vertir-se.Bem...até aqui nada de novidade...todos sabem que os nativos andavam nus ou de tanga,que dançavam,batucavam e até que o europeu colocasse seu pé chulezento em terras brasileiras,nada havia de errado com este comportamento.A influência foi tamanha que hoje vemos na televisão índios da Amazônia de calção Adidas e camisa pólo.
Mas como toda a vergonha tem seu momento de glamour,a nudez tão criticada nas índias é hoje o que traz milhares de europeus ao Brasil em épocas de carnaval.Sim...os europeus que acharam absurda a vestimenta dos indígenas há apenas 500 anos atrás (o que,diga-se de passagem,para a História,é o mesmo que 5 anos)hoje gastam milhares de dólares por um assento na arquibancada da Sapucaí,e ainda por cima com ares de grandeza,para mirar de perto as mulatas com as vergonhas descobertas.Talvez seja por isso que o Brsail nunca deixou de ser o playground do mundo.Embora o carnaval traga ganhos para o mercado do turismo,acaba ao mesmo tempo jogando fora o respeito que poderia ter conquistado nos ultimos séculos.O povo espera o turista o ano inteiro,as mulatas malham e fazem dieta para ficar com a retaguarda cada vez maior para receber nossos ilustres navegadores.E entre todas as diferenças que existem entre estes dois períodos históricos é a que as mulatas,tal qual as índias,são produtos de exportação,mas seguramente,nenhum europeu tenta mais ensinar a elas as boas maneiras,principalmente no que diz respeito à vestimenta.

Um deus

Brilha no escuro
A dois passos da insanidade
Ressucita um claro e tenaz conselho
Um simples e desmedido interesse
Um singelo e pobre dar a mão
Sempre que um som grita
Denuncia uma alma em prantos
Como as almas perdidas a vagar
Em suspenso no firmamento
Sem céu,sem brilho
Ontem mesmo era dia de amanhã
Quando tudo era incerto e assustador
Quando o miserável se deita
O farto acorda de seu sono
E assim são os ajudantes de um deus que
Quem sabe...se perdeu?
Esqueceu o rumo?Esqueceu de acordar
Há alguns séculos caiu em sono profundo
E deixou vidas em abandono

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta-feira 13

Logo pela manhã do dia de hoje,senti que algo estava fora do lugar.Procurei pela casa,pelos meus papéis tentando dar um fôlego à minha percepção,que desde o início das férias anda meio preguiçosa.Não encontrei nada fora da ordem habitual.
Chegado o meio-dia,me emputeci com coisas bobas,a respiração acelerou,o sangue esquentou.Agarrei meu "O vermelho e o negro" e me acalmei.Passei o resto da tarde em paz,apenas lendo,atirando um olho para a TV e escrevendo.Eis que,alguem de dentro chega de fora com uma notícia que me afrouxou as pernas.Sangue fervendo de novo,olhos injetados...me emputeci de novo.Ao memso tempo que digeria a informação,tentava dar consolo,tentava ver o lado positivo.Me vi surda,muda e ferozmente provida de todos os demais sentidos.Tomou conta de mim a dor nas costas,a pressão despencou ao nível do dedão do pé.Conversa vai ,conversa vem...enfim...entre a angústia e a conformidade,escolhi a cerveja.Fui então ao supermercado buscar meu bálsamo e lá descobri a possível causa de um dia tão estranho...hoje é sexta-feira 13.
Tudo bem...não sou das mais supersticiosas,mas a associação dos maus eventos do dia com esta data funcionou para mim como um atenuante de tensão.Passei logo a pensar que a culpa é da data...amanhã será um lindo sábado 14,ensolarado e mais próspero talvez.Será?
A sexta-feira 13 já foi vista como um dia de mau agouro,fruto do constante pânico cristão frente a seus demônios que tem dia certo para mostrar a cara.Bem...quando do nascimento da superstição,não havia nada a temer senão desastres climáticos ou mesmo aparições demoníacas...nao havia crise econômica,desemprego,violência urbana.Os medos da humanidade frente a datas supersticiosas é sensível aos males de cada época.Hoje tememos tudo o que vem do homem...não mais o que vem de deus ou pregações bíblicas.
De fato,como nunca havia acontecido antes,senti o peso de uma data absurda.Senti a força deste número que até então eu julgava fantástico devido à sua natureza matemática.Algarismos que ,combinados ,deixam uma mancha negra no meu calendário como se fosse uma segunda feira de retorno ao trabalho.

Política

A política dá ao ser humano novos contornos
Nova voz,falsa criatividade
Dá e retira posses,virtudes
Controla vicios
Não importa a natureza da política
Seja ela de econômica,social
Ou até a mais invisível delas
A política induz às máscaras
Aos gestos exagerados
Às falas vazias
Às falácias impróprias
A política trafega entre todos
No momento de mentir,de falar a verdade
De livrar a cara
A política decepciona,enraivece
Cria mecanismos de duração curta
Quatro,cinco anos
A política faz o bom parecer obsoleto
O mau parecer o mais indicado
Faz com que as cortinas se abram
Para uma nova encenação
À qual a platéia ri,chora quando assiste...mas não acredita
Ninguém sobrevive às garras impiedosas do favorito
Do preferido,que aguardava sua vez
Desde a eleição passada
Basta estar de pé
Em frente aos domínios da política
E perceber os sábios andarem
Perdidos e desmpregados
Nas mãos o diploma,o certificado
O deseepero
Os olhos atentos a qualquer movimento
À espera de um sinal de fôlego
Um aceno,um chamado
E volta após algumas horas
A sentar-se tristemente no banco da praça
Ao ver seu lugar ocupado
Pelo antigo estúpido
Que no primeiro de janeiro
Ganhou ares de favorito.

Sopro

Em qualquer hora de uma vida
Um semblante confuso
Uma dor atroz
Um mínimo e um máximo de qualquer veneno
Pode não ser o mais perigoso,nem o mais letal
Mas há de ser um veneno
Para que sele com fúria a agonia dos dias passados
Para que semeie o fim em qualquer possibilidade de início
Para que a mudez ressoe em todos os cantos
Para que o louco torne-se apenas um infeliz
E o já dito normal,torne-se aquele que grita
Não há caminhos possíveis para aquele que persegue pesadelos
Ao invés de render-se ao colorido dos sonhos
Pouco resta de ar a respirar,de cor a vislumbrar
Nada há de substituir uma antiga glória
O prazer sem precedentes
Um bolor na fala,um sorriso com pesar
Um crime incompleto
Cede espaço a uma meia-morte
Uma consequência aparente
Dá tons vivos a uma quase esperança
Uma lavoura quase próspera
Um acidente,quase um infortúnio
Uma vida mais ou menos
Um choque sem espasmos
A iniferença
O pouco caso
Quase que um bom vento
Quase um sopro de vitória
Quase que metade de tudo
Que complementa uma metade de nada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Marina

Eu e meus irmãos tivemos uma generosa contribuição em nossas formações morais por parte de uma pessoa que cuidava de nós enquanto nossos pais trabalhavam:a Marina.Uma rica de uma criatura.Nunca mais eu tive o prazer de conhecer alguem que chegasse a se assemelhar à grandeza da Marina.Era uma pessoa que conseguia enxergar tudo cor-de-rosa no meio de um terremoto.Caminhava como quem dança,como quem atravessa nossas vidas flutuando,deixando para trás um rastro de bom humor contagiante.A Marina adorava passear,rir e dava a vida por uma conversa.Sofria há anos de diabetes,e ,para não ter que deixar de comer o que gostava(doces),deciciu deixar de comer.Passava o dia inteirinho sem comer nada.Cozinhava e não almoçava.Fazia pão e doces(a balinha de mel!) para nós,e nem provava.Fazia cada rango!!!!Quando cozinhava galinha,deixava os ossinhos para a gente roer!Heheheheh...
Uma vez ela fez um pão caseiro,e me deu pedacinhos de massa para eu fazer delas o formato que quisesse...fiz um boneco todo torto e ela colocou para assar.É claro que o forno pariu um monstro horroroso,com barriga inchada e um nariz de bolota que despencou.Mas que alegria eu tive em lambuzar de manteiga aquele pão e comer!Eu mesma tinha feito!!!!!!!!!
A Marina fazia tudo o que a gente quisesse.Abandonava o trabalho dela para ir na "venda" buscar salagdinho,bala,chiclete...acobertava nossas traquinagens(e ria muito com elas,com certeza!),não entregava nossos segredos...esperava eu acordar para passar o aspirador de pó no quarto(odiava acordar com aquele barulho!), e chegou ao cúmulo de me emprestar dinheiro!Coitada da Marina!!!
Quando ela faleceu,nem lembro o ano,já não trabalhava mais conosco,e fiquei sabendo de sua morte meses depois...não deu para não chorar.Não pude nem ir ao enterro da minha babázona!!!
Cahamava boneca de "bonecra",casa fúnebre de "casafúner",controle remoto e computador ela chamava de "coiso",e sendo negra,chamava todo os outros negros de "negrona","negrão",e os negros que via na televisão,chamava de "negro comum"."Onde á se viu?Um negro comum desse na tevê!Um negro comum!".E ria,ria,ria...
Lembro de uma vez,enquanto o marido(um ogro) ainda era vivo,ela saiu de casa dizendo pra ele que iria nos cuidar durante a noite.O máximo dela que vimos,foi um par de chinelos velhos que ela escondeu entre as hortênsias no jardim,porque ela parou ali só para calçar a sandálias novas e rumar para o baile.
Faz falta hoje em dia uma pessoa que nem a Marina.´Quanto mais procuro gente como ela,mais topo com selvagens.

Meio termo?

Se eu fumo demais,sou viciada
Se nã fumo,enlouqueço
Se eu bebo demais,sou doente
Se não bebo,fico amargurada
Se eu falo demais,estou me exibindo
Se falo de menos,sou rasa
Se como demais,sou gulosa
Se como de menos,estou preocupada
Se caminho demais,sou vaidosa
Se caminho de menos,sou preguiçosa
Se faço críticas,não me enxergo
Se não faço,sou ingênua
Se sorrio,sou facil
Se não sorrio,sou antipática
Se pergunto opiniões,sou insistente
Se não pergunto,sou pouco democrática!

Perda

Este texto eu dedico a alguem que vem me magoando e decepcionando muito conforme os meus últimos dias de férias se arrastam.Tenho me sentido muito acabrunhada com o que está acontecendo e fico fazendo especulações a respeito de um erro ou falta que eu tenha cometido capaz de agredir a tal ponto de não trocar mais comigo os cumprimentos basicos que as pessoas educadas costumam se dar ao trabalho.
Não estou aqui querendo bancar a boazinha e muito menos a vítima.Apenas acho que mereço ser tratada como alguem inteligente e capaz de rever conceitos e fazer consertos.
Não pretendo peguntar o velho "eu fiz alguma coisa?" porque acho que na minha idade não cabem perguntas desse tipo,e muito menos comportamentos assim.Penso que o mais certo e decente é trocar uma idéia,conversar na boa, e se não houver consenso,o último a chegar arreda o pé.Simples assim.Mas porque deixar no ar essa impressão de que está me fazendo um favor?Porquê interromper uma relação antes tão boa e cômoda(para ambos os lados)?
Creio que tenho maturidade suficiente para ouvir,processar e aceitar uma crítica.E se caso eu não goste dela,é a velha prática "os incomodados que se retirem",o que eu já comecei a fazer mesmo antes de saber qual foi o motivo do silêncio e revolta.
Bem,desde há muito não passava por essas coisas,e desaprendi a ficar esperando esclarecimentos,ou até mesmo de buscá-los,principalmente quando não sou informada de que algo está errado.
Penso que provavelmente foi algo que falei ou até escrevi,por já saber que sou muito agressiva com as palavras.Mas nunca direcionei nenhum dos meus escritos a essa pessoa,nem dei as famosas indiretas,mesmo porque,é uma pessoa de quem não tenho nem nunca tive qualquer reclamação.Acho que a carapuça andou servindo na cabeça errada.E eu lamento muito porque não me incomodo em perder dinheiro e nem oportunidades,mas perder amigos e bem complicado,justamente por ser uma relação que ainda consigo nutrir sem malícia, sem interesse,sem julgamentos.É um sentimento sincero que se alimenta de gestos simples.
Mas infelizmente antes de saber o que aconteceu,já fui obrigada a tomar providências,pois não posso mais sustentar uma rotina assim.
Eu saio.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Fósseis

Bem,logo após ter passado por este constrangimento que descrevi abaixo,tomei,é claro,beeeeem mais cervejas do que o planejado e acabei lembrando de várias pessoas com quem eu convivi durante um tempo que me fizeram atravessar situações parecidas.Sim,porque onde há resquícios de pólvora,um dia houve um tiroteio,ou quem sabe até uma guerra.
Quando abandonei a casa de meus pais com 16 anos,só levei um molho de chaves de casa(que tive que devolver depois),umas roupas na mochila(que tive que buscar mais depois), e uma garrafa de vinho vagabundo para comemorar minha coragem(que me deu dor de cabeça depois).Após passar a primeira noite fora de casa,já amanheci aos prantos com saudade da minha mãe e com pena do meu pai,mas permaneci dura e forte,não por orgulho,mas por achar que tinha feito o que era preciso.Assim fiquei por quase 4 anos.Não ouvi mais nãos,mas vivi todos eles.Não fui mais priobida de sair à noite,mas fui proibida de várias outras coisa que eram importantes para mim.Não deixei de beber e fumar,mas tive que vender quase tudo o que eu tinha.Fiz muitos amigos,mas não lembro do nome de quase nenhum.
Perdi a delicadeza no trato com todos
Perdi a sensibilidade frente à dor
Perdi muitas noites,muitas caminhadas
Perdi um ser,uma alma
Perdi chances e oportunidades
Mas perdi também a mania de lamentar o que não deu certo
Perdi a mania de reclamar quando não tenho dinheiro
Perdi o péssimo hábito de bater portas e me enfurecer por qualquer motivo
Ganhei um nariz empinado,ganhei impáfia
Ganhei coragem de trilhar o caminho que queria
Me enfiei goela abaixo de muita gente
E continuo perdendo e ganhando a cada dia
Continuo buscando o mesmo que eu buscava quando tinha 16
Sou um produto de minha própria obra
Me fiz quase que sozinha,trocava apenas de companhia
De lá ate aqui sempre trouxe comigo uma sombra
Que me atormenta mesmo quando chove
Uma sombra que me assalta principalmente à noite
A rolar na cama sem sono
Me fiz de muito mérito,pouco arrependimento
Mas bastante culpa e perguntas
É claro que nada disso me impede e de andar para frente,mesmo com minhas guerras internas,mas ás vezes,quando sou obrigada a reviver certas sensações,o furacão desce,quente e úmido,a revolver a terra do passado,a desenterrar os mortos.
Então eu escrevo
E tudo se vai de novo.

Protesto

Sem qualquer explicação,o mundo se despatacou quando descobri que nem depois de ter conquistado com meus próprios esforços tudo aquilo que é básico para a sobrevivência de um ser humano(dinheiro e respeito),percebi que não tenho nada nas mãos ainda.E pior...descobri que a velha sina ainda me persegue.
Numa cidade pequena como essa,uma mulher casada que bebe cerveja já é algo difícil de se engolir.Uma mulher que não gasta todo o salário em lojas comprando bugigangas ,é ineceitável.Também detesta funk,sertanejo,fofoca,e não sai à rua armada de metralhadora com visão de 360 graus alvejando todos os homens que se atravessam à sua frente.Mas o pior mesmo aconteceu ontem,enquanto eu estava,como já disse,bebendo cerveja na varanda em companhia de meu hóspede(marido de uma das minhas melhores amigas),enquanto o Alexandre estava na faculdade.Bem...é lamentável,mas recebi olhares de reprovação tão incisivos que cheguei a ficar constrangida(o que hoje em dia em mim,é muito,muito raro!).Me forcei a convidar meu "amante" para terminarmos a conversa dentro de casa,para proteger pelo menos a ele da maldade dos olhos malvados.
Nunca fui vista como uma santa,tampouco me comportei como uma,pois os milagres que fiz nunca serão reconhecidos pelos céus.Mas quando se opta por ser livre de espírito,avessa à convenções,paga-se esse preço...ser julgada e observada com olhos atentos por qualquer macho ou fêmea maliciosa,e ainda chegar ao cúmulo de ter que sair do espaço que eu mesma conquistei para proteger pessoas de quem gosto.
Mas ora...talvez eu seja desagradável demais para minhas companheiras de gênero
Agradável demais para quem goste de representar diante dos outros
Sincera demais para quem vive escondendo o que é
E desprendida demais para ter respeito.Nunca atirei pedra na cruz,mas parece que o crucificado desceu da cruz por minha causa!!!Heheheheheh
Meu maridão me diz "Não dá bola!!!É gente de cabeça pequena!!".Se ELE diz isso,eu deveria ficar satisfeita e não me preocupar mesmo.Mas fico sentindo uma agonia,um desgosto por estar vivendo isso de novo!Me dá vontade de sair dançando pelada pela rua , armar um despacho na esquina fumando um charutão de erva boa, gritando:"Sou professora dos filhos de vocês!!Eu sou o exemplo que os filhos de vocês vão seguir!"
Não é nada poético,nada respeitoso...mas que me dá uma vontade,dá.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Soldadinhos

Conta-se de tudo para vencer a miséria dos dias
Conta-se as horas,conta-se segundos
Conta-se vantagens
Sem perceber o quanto é claustrofóbica a sensação
De assistir or órgãos minguando,desisitindo
Acordar à noite com dor,com tosse,com ânsia
Saltar do sono como se dormir causasse perda
Quando amanhece,a sensação de que se perdeu mais uma carta do jogo
Talvez uma carta imortante,de valor inestimável
Entre ases e coringas, tempo é o símbolo que mais se assemelha à morte
Que muda de cara conforme a data
Que sai do controle,que choca e desespera
Somos todos soldadinhos com tapa-olho
Movimentando-se mecanicamente para um fim já planejado
Pulando obstáculos,de armas em punho
Sorrimos para que a luta não pareça tão árdua
Pois demos a ela essa cara
Choramos para fingir desistência
Agitamos bandeiras vazias,falamos preces estúpidas
Queremos sempre mais
Queremos sempre melhor
A eterna insatisfação daquele que perde o alvo
Passando a atirar em várias direções
Soldadinhos infantis,desengonçados
Fracos,assolados pelo frio e a fome
Sozinhos e pálidos
Parece ser vazia assim a grande proposta dos portadores da razão
Lutando contra a consciência
Cedendo a desejos sem escrúpulos
Mantendo viva uma chama que já não ilumina,nem aquece
Apenas arrasta-nos para frente
Alguns metros por dia
Mas jamais volta atrás
Nem retrocede.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Iemanjá

Não podia passar esse segundo dia
De um segundo mês de um ano qualquer
Sem dedicar odes à minha rainha
À rainha das águas,á deusa dos meus pedidos
À rainha Iemanjá
A ela que fui visitar em madrugadas de mar agitado
Que fui levar oferendas pobres e lamuriosas
Minha linda rainha,simples,mais do que feminina
Minha Iemanjá,minha entidade forte
Grande e atenciosa
Te venero como a uma mãe
Rainha das águas,mares e lagoas
Rainha dos esquecidos,rainha dos miseráveis
Mais um ano se passa e nunca te esqueço,minha mãe de pedra
Te venero como coisa minha
Te amo como amo a água,como amo a noite
Te dedico minhas humanas preces e desejos femininos
Absurdos,magros,momentâneos
Te vejo balançar junto às ondas,te vejo equilibrar-se nas marés
Te vejo aceitar os presentes de um povo que te cultua
Que sofreu em meu colo,em minha História
Que viu em ti a fusão entre o sonho e a mágoa da realidade
Ô mãe,minha severa matrona
Me castigas com força,me repreendes
Me sacodes como a vela de uma nau,de uma jangada
Me sacrificas a teus deuses
Mas nunca te esqueço
Sempre que meu peito chora,me acodes
Trazes a mim o som e a o odor da maresia
Trazes a mim a ligação com tuas águas
Que me atravessa,que transcende
Minha negra rainha
Cheia de curvas,sedução e perfume
Enquanto a idade avança em meu corpo
Sinto cada vez mais a proximidade contigo
Meu cheiro e minha voz
Meu ventre e minhas curvas
Meu colo e meus pensamentos
São cada vez mais produto de tua força em mim
Te dei uma noite minhas lágrimas
E nunca te esqueço
Nunca me afasto de ti
Minha negra mãe,furiosa,bondosa
Como são teus negros filhos
Presença mística
Bem sei que vives em meu seio
Aceleras meu sangue e me dás a direção
Te dedico minhas palavras
Mais uma vez
Mais um ano
Mais um mar.

O que eu quis

Quando há alguns dias falei contigo
Não pude dormir,não pude pensar,não pude racionalizar
Falei e ouvi como quem busca algo no fundo do mar
Como quem espreita a noite atrás de um símbolo,de um grão
Falei contigo por minutos,mas estive contigo por séculos
A esperar um sinal,a ver na paisagem fria,um raio de luz
Estive contigo no peito,na selva,na memória
Não te vi nunca mais,mas escrevi cartas e recados
Não de amor,mas de socorro
Por vezes vi em ti um feixe de madeira frente à corredeira de um rio violento
No qual eu quis me abraçar e buscar um pouco de alento,de vida
Busquei em letras e músicas um prato cheio
No qual eu pudesse matar minha fome
No qual eu pudesse até desperdiçar
E encontrei uma mesa posta,mas um cocho vazio
Um cheiro farto de fome saciada
Uma dor de mar após a chuva forte
Uma sede de água após a bebedeira
Um gosto de azedo na boca
Não quis de ti uma porta aberta
Quis de ti um bom agouro
Quis de ti uma promessa
Um perdão
Quis um apelo,um abraço
Uma súplica,um milagre
Quis de ti algo que os livros não me deram
Jamais me darão
Quis de ti não o que o corpo aprisiona
Mas tudo o que o espírito liberta
Quis de ti algo que não podes medir
Que talvez não entendas
Que talvez não suportes
E que agradeço hoje por jamais ter te proposto.

Medo

Aqui,pensando com minhas conchas e caramujos
Vejo que sou talvez
Mística demais
Creio em deuses demais
Me seduzo facilmente por um bocado de água em movimento
Acredito em tudo o que é vivo
Acredito demais no que está além dos meus olhos
Espero demais dos pensantes
E aceito as atitudes racionais dos que não são capazes e raciocinar
Talvez tenha lido livros de magia em demasia
Tenha vivido demais frente ao mar
Tenha me banhado demais nas águas barulhentas do mar
Talvez seja incrédula demais frente à maldade dos homens
E acredite demais naquele que me é simpático e agradável
Talvez eu tenha sido queimada há alguns séculos,em praça pública
Por acreditar na bondade ou no amor de alguem
Talvez tenha uma estúpida crença de que palavras doces são verdadeiras
De que pessoas simples são sinceras
De que o mar ou as águas doces me protegeriam de qualquer mal
Hoje nada me protege de nada
O que é dito é feito,o que é uma ameaça torna-se uma tormenta
Sou fácil demais,sou infinitamente sensível às promessas
E não sei lidar com as maldades que vem à tona
Não sei lidar com a reforma ortográfica,nem com as crises
Não sei lidar com nada que o homem constrói
Não sei lidar com os males contemporâneos
Tenho medo,tenho receio
De ferir pela minha estupidez,ou com meu ceticismo
Tenho medo de me deixar levar facilmente
Por um novo paradigma,um novo modelo
Que me convença,que me sacie
Tenho medo de que o mundo não se satisfaça mais coma beleza e simplicidade do mar
Das ondas,ou com as águas doces da lagoa
Com a luz tênue da lua
Tenho medo que o ser humano não veja mais beleza em nada
Que não preencha mais seus vazios com as colheradas de consolo da natureza
Tenho medo de estar só
De estar em meio a um sonho antigo
De estar pensando como um primata
De estar correndo atrás de algo que já não existe há séculos
De nadar e morrer na praia em meio a todos os outros cadáveres
Que jazem à beira mar por culpa da indecência humana.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Operação Valquíria

Está saindo dos fornos de Hollywood um bom filme chamado "A operação Valquíria".Ainda não assisti(nem ninguem),pois chega ao Brasil no final o semestre.
Trata-se de uma bomba histórica!!!!O filme conta como foi planejado,e posto em prática o atentado contra Adolf Hittler em 1944 por um general nazista.Sim..general nazista Von Stauffenberg,líder do complô.
Já havia lido na Revista Aventuras na História uma entrevista com o neto do general,o que me deixou muito impressionada.Não com a já justamente apedrejada barbaridade dos nazistas,mas sim com a atitude de um general ,que desfrutava de todos os confortos que a patente lhe proporcionava e mesmo assim ergue-se com fúria contra Hittler.O atentado fracassou,o alvo machucou-se de leve,mas os maquinadores do atentado foram fuzilados,e suas respectivas famílias levadas à campos de concentração e lá permanceram até o fim da guerra.
O neto do general menciona com muita sabedoria a postura tomada pela Alemanha atual em relação ao Holocausto Nazista.Reforça a idéia de que os alemães não devem esquecer-se nunca do que aconteceu,as crianças devem aprender na escola,envergonhar-se e repudiar a atitude de seus antepassados.É um país marcado por uma tragédia que sabe muito bem o que fazer com uma memória indesejável.
Vale a pena assistir ao filme,onde o General Stauffenberg é vivido por Tom Cruise,e retrata o mais vergonhoso crime político do século XX.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Meu irmão mais novo

Tenho dois irmãos maravilhosos,que eu amo mais do que tudo
Cada um tem sua cor,seu jeito,seu lamento
Mas estou aqui querendo falar de meu irmão mais novo
Não preciso dizer o nome,porque todos sabem
Não preciso dizer o quanto ele é lindo e perfeito,porque todos enxergam
Muito me doei,muito sofri por este irmão mais novo
Quando buscava ele pela mãozinha o jardim de infância
Quando ele chorava por um brinquedo estragado
Quando ele chorava porque não podia acompanhar nosso irmão mais velho
Ele é um filho que eu ainda não tive
Sofro e admito que morro por ele
Tão brilhante e bonito
Tão inteligente e sensível
Meu irmão é o homem que qualquer mulher desejaria
Tem seus defeitos como qualquer mortal
Sofre e agoniza como todos nós
Quantas vezes levei ele para festas,noites e bebedeiras
E depois ele acabou por me levar também
Com uma serenidade que me dava segurança
Nas horas em que mais precisei,que pisei na jaca
Era só a ele que eu tinha,meu amigo,meu irmão,meu cúmplice
Amo meu irmão mais novo como a um filho
Eu presenciei suas derrotas infantis,vergonhas,desgostos
Qunado nossos pais se ausentaram em nosso aniversário
Não lembro bem o ano,mas ele contava 6 ou 7 anos de idade
Ficamos sozinhos no dia das mães,e em nossos aniversários
Doeu,mas fomos fortes e unidos
Eu e meu irmão mais novo
Fomos unidos
Carreguei tantas vezes esse guri pela mãozinha
No colégio,na festa,no carnaval,nas primeiras decepções
Me sinto meio mãe,meio intrometida
Quero resolver a vida dele como quem busca sossego
Quero ver o sorriso dele,tão lindo,aberto,brilhante
Lembro quando ele nasceu,que me assutei com o cordão umbilical
E chorava dizendo "o mano tem um bicho na barriga,mãe!"
Como eu gosto desse guri,como quero ver ele bem
E sofro as dores dele como se fossem minhas
Vivemos juntos tanto tempo
Com 16 saí de casa e deixei ele sozinho
Uma criança inocente que brincava de carrinho
Quando voltei,4 anos depois,encontrei um homem
De voz grossa e um futuro brilhante pela frente
Passou antes de mim no vestibular
Se atirou na piscina mas não teve coragem de comemorar
Sorria e sem qualquer palavra,me dava alento
Ô guri medonho!!!!!!!!!!
Tua irmã te tem muito amor e dedicação
Te carreguei quando criança,te levei junto comigo
Sempre quis tua companhia porque me eras muito caro
Até hoje me és caro
E não poso admitir que sofras,que chores,que te humilhes
Não posso permitir nada
Se queres amargar a vida por escolha,não me pede apoio
Nunca vou poder te ver numa ruim
Nunca vou poder esquecer que te carreguei pela mãozinha
Pequenininho
Com carinha de anjo
Não posso esquecer que és quase um filho meu
E que me dedico a ti como uma mãe-irmã
Que te ama muito,e que não sabe nem medir o tamanho desse amor.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Dor

Sempre que uma dor surge,vem já hospedando um desespero
Vem já rompendo linhas,esmagando sorrisos
A dor nunca vem só
Não sabe andar sem companhia,pois pode esquecer de doer
A dor é negra como um corvo
Ensurdece,apaga o calor e deixa o frio como rastro
Um frio que ninguem mais sente
Assim como a dor vem,ela some
Não espera vontades e remédios
Ela vem a passos curtos,e some a passos largos
A dor atrapalha,machuca,espezinha
Seja que dor for
Da mais lancinante à mais irremediável
Da mais clara à mais velada
A dor enegrece o dia
Não permite que o bem escoe
Não permite que o mal se enterre
A dor vem para lembrar a qualquer um
Que ela vence a todos.

A noite II

Já caiu a noite
Caiu como se despencasse
Seca e árida
Trouxe lamentos,ferrugem de um ser solitário
A noite carrega consigo um grande saco de memórias
E deposita em cada viver um pouco de morrer
Caminhando pela sombra,o velho vê a noite e suplica
Por um dia claro que nunca acabe,uma centelha a mais de vida
O velho ri
Ri porque já não pode chorar mais
Traz os olhos já chorados e as mãos na cabeça cansada
O novo ri porque ainda não amarga
Sempre que a noite cai,o mundo emudece um pouco
Os vivos tremem de pavor,encurralados
Não meditam,roubam
Não clamam,exigem
Os vivos tem no peito um ser maior que si
Que sente medo,mas não assusta
Sente fé,mas não acata
Sente dor,mas não serena...mata
O velho que ri rola na areia,sobrevive a mais um dia
E arma-se para enfrentar mais horas de escuridão
O mundo mudo
O tempo estanque
O cheiro da terra úmida traz gosto à boca
As folhas suspiram emquanto o vento esbarra em almas
Como mortas,sem voz,sem cheiros
Que sopre o vento,que embale em seus braços a escuridão
Que reinvente o dia
A noite precede um mar de luz sem brilho
Para homens sem ração,sem razão que vagam sobre a terra
Com ar de importância
Com cara de indecisão

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Casamento

Eu e o Alexandre estamos hospedando um amigo nosso desde domingo,pois foi nomeado no Banco do Brasil aqui para Camaquã e deixou a esposa e filhas em Pedro Osório durante a adaptação na nova cidade.O curioso é que este amigo,juntamente com a esposa se formaram junto conosco na mesma turma da faculdade,e consequentemente conhecem todos os nossos podres e furos da época estudantil( e nós os deles,é claro!).As situações que temos passado nos últimos dias tem sido hilárias,pois estão todas carregadas de lembranças que tentamos deixar no passado por vergonha ou constrangimento.Pois nosso amigo,mesmo sem tocar nos assuntos,trouxe tudo de volta.Nossa...como é engraçado e difícil ao mesmo tempo...Qualquer pergunta que façamos a ele e ele a nós cria uma situação quase que de pânico!"Será que ele se lembra daquela cagada que eu fiz?",ou "Será que ele me viu bêbado e falando tudo o que falei naquela festa?","Será que ela ficou sabendo que eu deixei aquele furo?","Será que ele vai comentar?".Ao mesmo tempo que é difícil,acaba sendo bom porque acabamos tendo que lidar com essas rugas na testa,com algumas coisas escondidas dentro de nós mesmos.Quando ficamos eu e o Alex sozinhos,acabamos dando continuidade ao assunto,esclarecendo algumas coisas que ficaram para trás,como por exemplo o dia da nossa formatura,que eu espanquei ele com o canudo durante a colação de grau ao lado deste nosso ilustre colega,que sente hoje mais vergonha do que nós pelo acontecido.Fica vermelho e arregala os olhos como se tivesse sido ele o causador da briga quase que teatral que tivemos naquele momento.Eu nem sinto mais vergonha de coisa nenhuma,porque esse tipo de sentimento me deixa inquieta demais,e acredito que se tive coragem de fazer,tenho tambem o dever de assumir.
Enfim...temos sentado todas as noites a conversar na varanda aqui de casa,colocando os papos em dia,e quando o assunto começa a se encaminhar para onde não deve ir,surge um convite inesperado e tímido de qualquer um de nós :"Vamos jantar?",ou "Vamos assar uma carninha?".
Acho mesmo que o casamento é coisa séria,coisa que merece respeito,e,já que hoje faço parte de um casal,tenho mesmo que passar umas lembranças no ovo e na farinha e mandar para a frigideira,porque se eu não comê-las,elas me engolem!!!!Não acho que casar seja abster-se de tudo e nem inclinar-se à vontade do outro...acho apenas que é uma escolha como qualquer outra,que pode vingar ou murchar conforme nossa dedicação.Essa coisa de fazer sacrifícios por amor,mudar de personalidade,se dobrar até quebrar a coluna não é comigo.Jamais me sentiria bem se tivesse que gastar meu dinheiro para comprar uma casa de cimento se eu gosto da de madeira.É claro que nem sempre é possível chegar-se a consensos,mas deve-se fazer o possível sempre para jamais ter que receber na cara algo que não foi dito na hora certa porque houve comodismo ou simplesmente um silêncio pacífico.Compartilhar a vida com alguem é algo que exige muita maturidade e pouco egoísmo.É preciso gostar muito de si para admirar o outro,justamente porque o outro terá características que não temos,talvez nem gostaríamos de ter,mas caem muito bem no parceiro.