Não podia passar esse segundo dia
De um segundo mês de um ano qualquer
Sem dedicar odes à minha rainha
À rainha das águas,á deusa dos meus pedidos
À rainha Iemanjá
A ela que fui visitar em madrugadas de mar agitado
Que fui levar oferendas pobres e lamuriosas
Minha linda rainha,simples,mais do que feminina
Minha Iemanjá,minha entidade forte
Grande e atenciosa
Te venero como a uma mãe
Rainha das águas,mares e lagoas
Rainha dos esquecidos,rainha dos miseráveis
Mais um ano se passa e nunca te esqueço,minha mãe de pedra
Te venero como coisa minha
Te amo como amo a água,como amo a noite
Te dedico minhas humanas preces e desejos femininos
Absurdos,magros,momentâneos
Te vejo balançar junto às ondas,te vejo equilibrar-se nas marés
Te vejo aceitar os presentes de um povo que te cultua
Que sofreu em meu colo,em minha História
Que viu em ti a fusão entre o sonho e a mágoa da realidade
Ô mãe,minha severa matrona
Me castigas com força,me repreendes
Me sacodes como a vela de uma nau,de uma jangada
Me sacrificas a teus deuses
Mas nunca te esqueço
Sempre que meu peito chora,me acodes
Trazes a mim o som e a o odor da maresia
Trazes a mim a ligação com tuas águas
Que me atravessa,que transcende
Minha negra rainha
Cheia de curvas,sedução e perfume
Enquanto a idade avança em meu corpo
Sinto cada vez mais a proximidade contigo
Meu cheiro e minha voz
Meu ventre e minhas curvas
Meu colo e meus pensamentos
São cada vez mais produto de tua força em mim
Te dei uma noite minhas lágrimas
E nunca te esqueço
Nunca me afasto de ti
Minha negra mãe,furiosa,bondosa
Como são teus negros filhos
Presença mística
Bem sei que vives em meu seio
Aceleras meu sangue e me dás a direção
Te dedico minhas palavras
Mais uma vez
Mais um ano
Mais um mar.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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