Eu e meus irmãos tivemos uma generosa contribuição em nossas formações morais por parte de uma pessoa que cuidava de nós enquanto nossos pais trabalhavam:a Marina.Uma rica de uma criatura.Nunca mais eu tive o prazer de conhecer alguem que chegasse a se assemelhar à grandeza da Marina.Era uma pessoa que conseguia enxergar tudo cor-de-rosa no meio de um terremoto.Caminhava como quem dança,como quem atravessa nossas vidas flutuando,deixando para trás um rastro de bom humor contagiante.A Marina adorava passear,rir e dava a vida por uma conversa.Sofria há anos de diabetes,e ,para não ter que deixar de comer o que gostava(doces),deciciu deixar de comer.Passava o dia inteirinho sem comer nada.Cozinhava e não almoçava.Fazia pão e doces(a balinha de mel!) para nós,e nem provava.Fazia cada rango!!!!Quando cozinhava galinha,deixava os ossinhos para a gente roer!Heheheheh...
Uma vez ela fez um pão caseiro,e me deu pedacinhos de massa para eu fazer delas o formato que quisesse...fiz um boneco todo torto e ela colocou para assar.É claro que o forno pariu um monstro horroroso,com barriga inchada e um nariz de bolota que despencou.Mas que alegria eu tive em lambuzar de manteiga aquele pão e comer!Eu mesma tinha feito!!!!!!!!!
A Marina fazia tudo o que a gente quisesse.Abandonava o trabalho dela para ir na "venda" buscar salagdinho,bala,chiclete...acobertava nossas traquinagens(e ria muito com elas,com certeza!),não entregava nossos segredos...esperava eu acordar para passar o aspirador de pó no quarto(odiava acordar com aquele barulho!), e chegou ao cúmulo de me emprestar dinheiro!Coitada da Marina!!!
Quando ela faleceu,nem lembro o ano,já não trabalhava mais conosco,e fiquei sabendo de sua morte meses depois...não deu para não chorar.Não pude nem ir ao enterro da minha babázona!!!
Cahamava boneca de "bonecra",casa fúnebre de "casafúner",controle remoto e computador ela chamava de "coiso",e sendo negra,chamava todo os outros negros de "negrona","negrão",e os negros que via na televisão,chamava de "negro comum"."Onde á se viu?Um negro comum desse na tevê!Um negro comum!".E ria,ria,ria...
Lembro de uma vez,enquanto o marido(um ogro) ainda era vivo,ela saiu de casa dizendo pra ele que iria nos cuidar durante a noite.O máximo dela que vimos,foi um par de chinelos velhos que ela escondeu entre as hortênsias no jardim,porque ela parou ali só para calçar a sandálias novas e rumar para o baile.
Faz falta hoje em dia uma pessoa que nem a Marina.´Quanto mais procuro gente como ela,mais topo com selvagens.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
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2 comentários:
q engraçado.. há pouco escrevi um texto sobre essa pessoa tão querida no meu blog também...
http://pablodelarocha.blogspot.com/2008_08_01_archive.html
(o post cozinhando nostalgia)
Marina era um gênio dentro da sua ingeniudade. Uma vez, voltando ás 7hs da manhã depois de uma festa, encontrei ela no ônibus junto com uma amiga. As duas tavam 'pra lá de Bagdá' e me diverti mais com elas no trajeto do ônibus do que em toda noite.
diegodelarocha
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