segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O que eu quis

Quando há alguns dias falei contigo
Não pude dormir,não pude pensar,não pude racionalizar
Falei e ouvi como quem busca algo no fundo do mar
Como quem espreita a noite atrás de um símbolo,de um grão
Falei contigo por minutos,mas estive contigo por séculos
A esperar um sinal,a ver na paisagem fria,um raio de luz
Estive contigo no peito,na selva,na memória
Não te vi nunca mais,mas escrevi cartas e recados
Não de amor,mas de socorro
Por vezes vi em ti um feixe de madeira frente à corredeira de um rio violento
No qual eu quis me abraçar e buscar um pouco de alento,de vida
Busquei em letras e músicas um prato cheio
No qual eu pudesse matar minha fome
No qual eu pudesse até desperdiçar
E encontrei uma mesa posta,mas um cocho vazio
Um cheiro farto de fome saciada
Uma dor de mar após a chuva forte
Uma sede de água após a bebedeira
Um gosto de azedo na boca
Não quis de ti uma porta aberta
Quis de ti um bom agouro
Quis de ti uma promessa
Um perdão
Quis um apelo,um abraço
Uma súplica,um milagre
Quis de ti algo que os livros não me deram
Jamais me darão
Quis de ti não o que o corpo aprisiona
Mas tudo o que o espírito liberta
Quis de ti algo que não podes medir
Que talvez não entendas
Que talvez não suportes
E que agradeço hoje por jamais ter te proposto.

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