segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Medo

Aqui,pensando com minhas conchas e caramujos
Vejo que sou talvez
Mística demais
Creio em deuses demais
Me seduzo facilmente por um bocado de água em movimento
Acredito em tudo o que é vivo
Acredito demais no que está além dos meus olhos
Espero demais dos pensantes
E aceito as atitudes racionais dos que não são capazes e raciocinar
Talvez tenha lido livros de magia em demasia
Tenha vivido demais frente ao mar
Tenha me banhado demais nas águas barulhentas do mar
Talvez seja incrédula demais frente à maldade dos homens
E acredite demais naquele que me é simpático e agradável
Talvez eu tenha sido queimada há alguns séculos,em praça pública
Por acreditar na bondade ou no amor de alguem
Talvez tenha uma estúpida crença de que palavras doces são verdadeiras
De que pessoas simples são sinceras
De que o mar ou as águas doces me protegeriam de qualquer mal
Hoje nada me protege de nada
O que é dito é feito,o que é uma ameaça torna-se uma tormenta
Sou fácil demais,sou infinitamente sensível às promessas
E não sei lidar com as maldades que vem à tona
Não sei lidar com a reforma ortográfica,nem com as crises
Não sei lidar com nada que o homem constrói
Não sei lidar com os males contemporâneos
Tenho medo,tenho receio
De ferir pela minha estupidez,ou com meu ceticismo
Tenho medo de me deixar levar facilmente
Por um novo paradigma,um novo modelo
Que me convença,que me sacie
Tenho medo de que o mundo não se satisfaça mais coma beleza e simplicidade do mar
Das ondas,ou com as águas doces da lagoa
Com a luz tênue da lua
Tenho medo que o ser humano não veja mais beleza em nada
Que não preencha mais seus vazios com as colheradas de consolo da natureza
Tenho medo de estar só
De estar em meio a um sonho antigo
De estar pensando como um primata
De estar correndo atrás de algo que já não existe há séculos
De nadar e morrer na praia em meio a todos os outros cadáveres
Que jazem à beira mar por culpa da indecência humana.

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