sábado, 28 de fevereiro de 2009

Mundos e órbitas

É claro que o mundo tem que seguir girando,mesmo que as voltas sejam mais lentas
Que o sol não esteja presente
Mesmo que a chuva atrapalhe as caminhadas
E mesmo que a bruma invada a visão como uma cortina
Ainda assim o mundo segue seu conformado itinerário
Meu mundo pode parar por um segundo
Mas isso não quer dizer que o teu também sofrerá prejuízos
O mundo de alguem pode despencar ladeira abaixo
Enquanto que o de outros continua verdejante e cheio de perspectivas
O mundo gira porque não há nada humano que o impeça
Nem mesmo divino
O mundo do outro é um espaço pequeno
Limitado pela linha divisória do mundo vizinho
Pelo lado esquerdo,direito,frente e costas
Vivemos em pequenos países limítrofes
Onde cada um dá suas ordens e determina seu sucesso
São mundos feitos de partículas
Recolhidas pelo chão durante uma vida inteira
Constituído de poeira,fumaça
E alguns elementos sólidos
Para que pareça um pouco mais tangível
Cada mundo é inspirado no mundo do outro
Construído por um obreiro sem experiência
Sem noções de estrutura
Pode sim ruir a qualquer momento
Bastam emendas e rejuntes mal feitos
Um telhado frágil suscetível ao granizo
E paredes de papel
Que não suportam um vento mais severo
Mundos frágeis
Giram em órbitas diferentes
Acompanhados por astros brilhantes
Se chocam,se invadem
Em busca de unidade
Em busca de espaço vital
De romper com a escuridão
Com a solidão de um compromisso firmado
Um compromisso que não diz nada sobre nós mesmos
Mas contenta o mundo do vizinho
Mas nos mantem sós.

Nenhum comentário: