Bem,logo após ter passado por este constrangimento que descrevi abaixo,tomei,é claro,beeeeem mais cervejas do que o planejado e acabei lembrando de várias pessoas com quem eu convivi durante um tempo que me fizeram atravessar situações parecidas.Sim,porque onde há resquícios de pólvora,um dia houve um tiroteio,ou quem sabe até uma guerra.
Quando abandonei a casa de meus pais com 16 anos,só levei um molho de chaves de casa(que tive que devolver depois),umas roupas na mochila(que tive que buscar mais depois), e uma garrafa de vinho vagabundo para comemorar minha coragem(que me deu dor de cabeça depois).Após passar a primeira noite fora de casa,já amanheci aos prantos com saudade da minha mãe e com pena do meu pai,mas permaneci dura e forte,não por orgulho,mas por achar que tinha feito o que era preciso.Assim fiquei por quase 4 anos.Não ouvi mais nãos,mas vivi todos eles.Não fui mais priobida de sair à noite,mas fui proibida de várias outras coisa que eram importantes para mim.Não deixei de beber e fumar,mas tive que vender quase tudo o que eu tinha.Fiz muitos amigos,mas não lembro do nome de quase nenhum.
Perdi a delicadeza no trato com todos
Perdi a sensibilidade frente à dor
Perdi muitas noites,muitas caminhadas
Perdi um ser,uma alma
Perdi chances e oportunidades
Mas perdi também a mania de lamentar o que não deu certo
Perdi a mania de reclamar quando não tenho dinheiro
Perdi o péssimo hábito de bater portas e me enfurecer por qualquer motivo
Ganhei um nariz empinado,ganhei impáfia
Ganhei coragem de trilhar o caminho que queria
Me enfiei goela abaixo de muita gente
E continuo perdendo e ganhando a cada dia
Continuo buscando o mesmo que eu buscava quando tinha 16
Sou um produto de minha própria obra
Me fiz quase que sozinha,trocava apenas de companhia
De lá ate aqui sempre trouxe comigo uma sombra
Que me atormenta mesmo quando chove
Uma sombra que me assalta principalmente à noite
A rolar na cama sem sono
Me fiz de muito mérito,pouco arrependimento
Mas bastante culpa e perguntas
É claro que nada disso me impede e de andar para frente,mesmo com minhas guerras internas,mas ás vezes,quando sou obrigada a reviver certas sensações,o furacão desce,quente e úmido,a revolver a terra do passado,a desenterrar os mortos.
Então eu escrevo
E tudo se vai de novo.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
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