sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pérolas aos porcos

Não fosse o total exagero,o bem viver alcançaria a todos os seres que habitam(ou poluem,conforme o caso) a face do frágil planeta em que nossos pés estão cravados.Há o que basta para todos,sem deixar qualquer vida em abandono.Essa afirmação é perfeitamente constatável se observarmos os níveis de pobreza (material e intelectual) de alguns e o de riqueza de outros.Longe de mim vir com um discurso esquerdista,já que fui obrigada a abandoná-lo quando me lancei na selva do meracdo de trabalho.Minha intenção é mesmo dar ênfase às diferenças tênues que encontramos em todas as esquinas ao topar com a miséria existente em todos os detalhes,do mendigo na calçada à escassa banca de revistas.Nada há para comer,nada há para ler.Pessoalmente trato a fome orgânica e a fome cultural como termômetros indicativos de pobreza.É claro que o mendigo não pode comprar uma revista interessante poruqe não possui meios.Mas quem tem esse privilégio,escolherá a revista de fofoca.Para piorar o caso,outra observação:as revistas de fofoca são semanais!!!!E não me resta dúvida de que se o mendigo tivesse a oportunidade de cmprar uma revista,escolheria justamente esta.O povo lê sim!Não falem mal do povo!O problema é que o povo lê mal,assiste TV em horários e canais precários e comenta a novela no outro dia de manhã sentado em bancos de ônibus precários.
Tenho reparado que meus alunos não sabem distinguir obras literárias de textos didáticos de História.Qualquer conjunto de letras que possa lembra-los de que estão "lendo" algo já é motivo para queixas e expresões de tédio.E tenho receio de ser soterrada por tomates podres caso queira forçá-los a ler ou explorar algo dentro dos vastos limites da literatura.Nada atinge ninguem nesses tempos.A morte do Michael Jackson me roubou minutos preciosos de aula sobre Renascimento na sétima série.Tive me deter a explicar como um nariz de negro pode virar nariz de branco em poucos anos.Se os filhos de Michael Jackson seriam brancos ou negros.Sim...expliquei...podem rir de mim à vontade,mas o fato é que esclareci todas as dúvidas que pude,porque minha bandeira é e sempre foi a educação pelo diálogo,e jamais pelo cala-boca.Me prestei inclusive a incluir o nariz mutilado do Michael Jackson para falar no Apartheid sul-africano na aula de Geografia na 8ª série.
Levando em consideração que na idade de meus alunos as palavras que povoam suas bocas e mentes são namoro,sexo,pedra de crack e hip-hop,acho até que obtive algum êxito,mesmo que limitado à pouca vivência que possuem.
Mas ao chegar em casa parei e pensei:"será que sempre vou ter essa criatividade?Esse jogo de cintura combinado com uma dose gigantesca de paciência?".Não sou do tipo que desiste fácil...mas eu canso...Em meio à minha indignação me faço perguntas:Que tipo de pessoas eles serão?Que momento da vida eles vão parar e pensar que vale a pena ler,estudar?Mesmo que não seja para um vestibular em universidade pública(sonho meu!),mas será que o dia de valorizar a leitura vai chegar para eles?
Daí a grande diferença entre pobreza orgânica e pobreza intelectual.Meus alunos vestem roupas melhores que as minhas,comem com certeza mais vezes e melhor do que eu e moram em casa própria,coisa que ainda não consegui...mas são pobres!São muito mais pobres que eu...e a pobreza deles é crônica,pois já dura mais que anos!!!E o pior de tudo é que quem sofre com isso sou eu,pois tenho que aguentar minha desilusão quando tento ajudá-los ou minha conciência pesada quando procuro ser indiferente.

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