terça-feira, 30 de junho de 2009

Furturo

À medida em que as tardes vão se esvaindo
E as marcas de uma indecisão passada vão-se apagando
Passam a ter lugar as certezas
As esperanças e a noção do que é ou não reversível
O que se pode ou não trazer de volta parece tão claro
Que quase vislumbra-se o furturo
Sim o FURTURO...porque o futuro em si furta
Rouba-nos a chance de fantasiar,de tentar novamente
O furto que mais causa sensação de perda,que mais causa tristezas
Quando o ontem vira hoje,o amanhã torna-se cada vez mais próximo e mais curto
O tempo parece levar consigo a capacidade de decidir
De ousar,de ser desaforado
Quando o ontem vira hoje veste-se a máscara e fecha-se os olhos
Na esperança de disfarçar o que não foi feito
E o que foi mal feito
O furturo está presente desde o ontem
E assombrará os amanhãs...sempre
Leva embora o brilho dos olhos
Apaga as cores de nossos rostos
E grita em nossos ouvidos fazendo ameaças
Mas quando ele chega de verdade e resolvemos encará-lo
Acaba o medo,acaba o pânico,acaba a busca
Quando aceitamos o furturo
A vida torna-se mais digna,mais suave
Mais velha
Perde-se a chama
Mas ganha-se a serenidade
A calmaria.

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