sábado, 28 de março de 2009

Medo

Quero um vermute agri-doce
Quero um cigarro de cravo ou canela
Que me anestesie a lingua e os pensamentos
Sem dor,sem sal,sem tempero algum
Quero um trem que arrase
Que voe parado em pleno furacão
Quero um doce extremo
Cacau com lembranças
Cevada e erva braba
Onde esconder os medos e certezas
Quando o armário está lotado
De coisas inúteis mas importantes
Não há espaço,mas há uma inquietação
Mudo de casa ou de atitude?
Mudo de vício ou de virtude?
Ando descalça ou de sandálias
Que cores vestir num dia tão opaco
Que sapatos calçar num solo tão inseguro?
Posso afundar ou a areia me ejeterá aos céus
Como acontece aos anjos e demônios?
Sempre que quero gritar
Minha garganta fecha e coça
Fica um restinho de voz rouca que acaha que saiu
Mas ainda está presa na boca do meu estômago`
É feio falar impropérios em tom agressivo
É feio enfrentar e ressuscitar a cada dia
O bom é ficar sempre com a mesma cara lavada
Feia e cansada...enjoada
Fazer uma média com o espelho,fingir um desconcerto
Mentir para os próprios olhos
Uma anedota por dia,faz a vida sadia
Mesmo que seja para esconder o medo.

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