Medo,arremedo
Um grita,outro escuta
Sangra veia,sangra
Sob fio de mil lâminas
Uma banheira em rubi,uma mão suspensa
Medo arremedo
Canelas,pés,joelhos
Roxa solidão
Morte por desafio
Grito de dor sem voz
Uma alma que assobia
Um sol que deita no extremo
Um rádio que chia
Uma voz ao fundo diz
"Não esqueçamos de que o importante é ser feliz!"
Voa, pardal,voa
Leva ao chefe de polícia um recado
De que um morto jaz em junho
Na tarde do santo de barro
Que descansa em cima da cômoda
Exibindo um sorriso plácido
Contempla a cena com sarcasmo
Um fim pouco digno
Uma despedida da empregada
Um copo de conhaque,um cigarro apagado
Um dedo em riste
Soa,cuco,soa
Já se passaram seis horas
O morto não acorda
O azedo da morte não se cala
O ralo, púrpura,não abraça
Sangra,veia,sangra
Mais uma notícia no rádio
Uma cruel voz retumba
Um estrondo anuncia
Mais um conto a ser contado
Mais uma vida que se esgota
Mais uma arte que repousa inquieta
É a morte do poeta.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
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