sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A noite II

Já caiu a noite
Caiu como se despencasse
Seca e árida
Trouxe lamentos,ferrugem de um ser solitário
A noite carrega consigo um grande saco de memórias
E deposita em cada viver um pouco de morrer
Caminhando pela sombra,o velho vê a noite e suplica
Por um dia claro que nunca acabe,uma centelha a mais de vida
O velho ri
Ri porque já não pode chorar mais
Traz os olhos já chorados e as mãos na cabeça cansada
O novo ri porque ainda não amarga
Sempre que a noite cai,o mundo emudece um pouco
Os vivos tremem de pavor,encurralados
Não meditam,roubam
Não clamam,exigem
Os vivos tem no peito um ser maior que si
Que sente medo,mas não assusta
Sente fé,mas não acata
Sente dor,mas não serena...mata
O velho que ri rola na areia,sobrevive a mais um dia
E arma-se para enfrentar mais horas de escuridão
O mundo mudo
O tempo estanque
O cheiro da terra úmida traz gosto à boca
As folhas suspiram emquanto o vento esbarra em almas
Como mortas,sem voz,sem cheiros
Que sopre o vento,que embale em seus braços a escuridão
Que reinvente o dia
A noite precede um mar de luz sem brilho
Para homens sem ração,sem razão que vagam sobre a terra
Com ar de importância
Com cara de indecisão

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