segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Novela

Começa uma nova novela à noite
Personagens esquisitos,com roupas de outro mundo circulam diante dos olhos dos bons
Imaginações sem mundo nem fundo a sofrer estímulos de um deus que distrai,que ofende
Que leva mortais a subir ao Olimpo em busca de realizações absurdas
Longe do alcance de suas mãos,de seus dedos sem ouro,sem pele
Músicas de outro mundo,palavras sem tradução
Sorrisos que procuram provocar outros sorrisos
Dinheiro nos bastidores,olhos atentos no roteiro
Cotas e números a atingir
Do lado de cá,olhos sôfregos
Impacientes por sorver algo novo
Bolso roto,espírito cansado,palavras frias
Minutos de evasão da vida
Minutos de passeio por outra dimensão
Do lado de lá...pessoas comuns tratadas como divindades
Nuas ou vestidas,povoam a imaginação dos parcos semi-mortos
Trepudiam,rejubilam-se...tem como limite o céu
Acreditam-se capazes de atingí-lo
E atingem
Atingem à medida em que a hora avança em direção à noite
E a contemplá-los estão milhões de pessoas
Entre blocos há carros,cores,fones,corpos,líquidos
Há tudo o que o dinheiro vale
Nada de novo ao alcance dos dedos sem ouro
Nada de ouro...o ouro escondido está
E não há personagens nem indumentárias de outro mundo
Que possam estimular os pobres parcos e ver o que há de ouro dentro de si.

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