segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Noite

Um cigarro se vai na mesa ao lado
O cinzeiro já repleto de cinzas
Um copo vazio a clamar conteúdo
Um emaranhado de letras que surgem
Ou no papel,ou numa árvore
Junto com todos os elementos que constroem uma vida
Um poço de lembranças
Vontade de rever uns
Ou de ver-se longe de outros
Simples como o raiar do dia
Que apaga a noite e sufoca as estrelas
Acaba com o infinito
Leva embora o som das vozes
Das gargalhadas ébrias
A noite deixa vestígios
O sol engole-os com raios ofuscantes
O céu torna-se vazio e infértil ao poeta
Ao escritor que julga criar
Simples peças decorativas num mundo de artes e ciências
Onde o artista espera a madrugada,o cientista espera a luz
O sábio encontra o limite entre o claro e o escuro
Os pobres de espírito pairam no ar
À espera que o dia possa reavivá-los
Ou que a noite possa tirá-los da sobrevida.

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