domingo, 11 de janeiro de 2009

Salupa de férias

Salupa viajou de férias
Viu o mar,as ondas,animais marinhos
Salupa sentiu-se acompanhada quando a noite caiu
Pequenos grãos de areia escorregavam por entre seus dedos
Como um dia escorregou um sonho bom
Um sonho bom que Salupa nunca viveu
E ali diante do mar,esvaiu-se...desalojou o caracol e enfiou-se na concha
Como se nunca tivesse existido
Quando as ondas do mar dão uma volta no infinito,Salupa deixa-se envolver pelo sono
Pelas pálpebras pesadas...Salupa agora dorme
Mas não tem sonhos,porque sonhos que se sonha dormindo não são de gente grande
E Salupa é gente grande
O vento da noite arrasta areia sobre o corpo de Salupa
Mais areia,menos sonhos
Mais sal, menos doce
Salupa não tem mais braços,nem pernas
Salupa ficou sem cabelos
Mais dois ou três grãos de areia
Deixam Salupa sem olhos
A garganta fecha,o sono se vai
Salupa acorda e chora
No horizonte o sol desponta
Salupa abandona o túmulo e vai embora
Deixa no chão algumas lágrimas salgadas,um sonho num caramujo
E a sensação de ter morrido por alguns instantes.

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