domingo, 11 de janeiro de 2009

Ano novo

Bem...parece que os sinos finalmente dobraram
Ano novo,roupas velhas
Dias frios,estações avessas
Cada ano que circula,é menos um em nossas existências
Menos um ano a viver,mais um ano para nada fazer
Sempre que um punhado de dias se passa,aquilo que é velho se aproxima cada vez mais
Rumar para o futuro não é o mesmo que distanciar-se do passado
E sim aprender a conviver com ambos numa mistura perfeita
Vamos ficando velhos e companheiros da nostalgia
Como unha e carne
Carne e ossos...
Somos um baú de alegrias mofadas
E de tristezas perfumadas que o malvado tempo nos faz confundir
Rostos e corpos disformes,mas com névoas de memória
Algumas palavras secas que azedaram com o vinho derramado na mesa
Algumas cinzas de fumo que sobreviveram ao fim da noite
Suaves lembranças que o passar dos anos transformou em vertigens
Como as vertigens infantis de domingos de sol
Não se sabe ao certo se foi real ou se já foi lapidada por nosso inconsciente
Somos já velhos assistndo a um espetáculo do qual somos preguiçosos demias para fazer parte
E talvez guardemos mágoas demais para encarnar um personagem
Nem tudo vai embora com o ano que vira
Nem superstições, nem simpatias
O que é novo é o ponto de partida
Mas o mesmo não se aplica ao ponto de chegada
Que será inevitavelmente o mesmo
Seja o ano par ou ímpar.

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