segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Infelizes

Felizes são aqueles que já não devem
Nem temem,não esperam,não imploram
Felizes são os que encontraram paz com decência
Que fizeram da vida um ato teatral
Que viveram como se o mundo estivesse na volta derradeira
Que podem ver a todos e a tudo sem ser fisgado por um débito antigo
Sem ter reservas e mágoas encravadas no peito
Felizes são os que souberam perdoar
Pois o próprio ato de não perdoar gera rancores maiores que a culpa de ter errado
Felizes são os pobres
Não os pobres de posses,mas os pobres de vaidade
Mais felizes ainda são os bem resolvidos
Que jamais se sentem impelidos ou forçados a ser o que não querem
Vivem no campo cercado de flores,onde o ar não falta,nem o medo faz calar
Já os infelizes
Esses são tantos...são férteis
São contagiosos
Infelizes são os que não vão à fogueira sem companhia
Não vão à guerra pela paz
Não vencem o orgulho
Nem se deixam derrotar pela alegria
Jamais perdem,jamais descansam
Os infelizes correm até sentir-se mais veloz que todos
O infeliz não tem sono,não descansa o corpo
E escraviza o espírito
O infeliz não sabe estender a mão,o infeliz não pode reconhecer erros
O infeliz não se vê como ser incompleto
O infeliz deve a todos,mas não sacrifica nada
Pobre infeliz
Anda em círculos,não empresta sutileza
Não cede,não se inferioriza
Jamais...

Um comentário:

Anônimo disse...

òtimo texto... meio estóico, meio cínico (não de cinismo, mas a vertente filosófica).
Grande beijo!
diegodelarocha