terça-feira, 21 de abril de 2009

Fada Salupa

Salupa sonhou com um grande castelo
Era uma fada de tez alva
Não precisava fatigar-se em escadas
Nem despencar de torres
Simplesmente flutuava como uma folha
A morada de Salupa era em tons pastéis
Como uma tela de contos infantis
Grandes portões mantinham-na segura
Cavalos brancos estalavam seus cascos no jardim
Bravos cavaleiros armados disputavam sua atenção
Salupa alimentava-se de algodão-doce
Dormia em lençóis acetinados
Escrevia em seu diário
Luas cor-de-rosa iluminavam suas noites quentes
No castelo de Salupa não havia frio
Não havia lágrimas
Salupa viu em seu sonho avesso
A realidade desejada na infância
Que jamais viu rastro nem sinal
O príncipe encantado em armadura
Um mundo sem preço,sem moeda
Um mundo livre de semblantes obscuros
De palavras frias
Salupa não quis acordar,não quis abrir os olhos
Embora soubesse que bons sonhos não se estendem
Não resistem à luz da manhã quando esta decide rasgar a cortina
Salupa evitou o espelho
Evitou a própria voz
Não pôde chorar nem rir
Não pôde mover-se
Não quis que a vida continuasse
Procurou em vão a varinha de condão
Encontrou apenas o tapete no chão
Desbotado,sujo.velho
Negro e sem poderes mágicos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ta me parecendo teu alter-ego... até enxergo teu nome em 'Salupa'.
To certo?
beijo
diegodelarocha