sábado, 28 de fevereiro de 2009

Recomendo a qualquer mortal pensante baixar o disco ao lado do Taj Mahal,além de informar-se sobre quem foi esse cara negro blueseiro com nome de palácio indiano.http://camaradeeco.blogspot.com/2009/01/taj-mahal-natchl-blues.html
Não percam,por favor!!!!!Aliás,o blog é ótimo!!

Mundos e órbitas

É claro que o mundo tem que seguir girando,mesmo que as voltas sejam mais lentas
Que o sol não esteja presente
Mesmo que a chuva atrapalhe as caminhadas
E mesmo que a bruma invada a visão como uma cortina
Ainda assim o mundo segue seu conformado itinerário
Meu mundo pode parar por um segundo
Mas isso não quer dizer que o teu também sofrerá prejuízos
O mundo de alguem pode despencar ladeira abaixo
Enquanto que o de outros continua verdejante e cheio de perspectivas
O mundo gira porque não há nada humano que o impeça
Nem mesmo divino
O mundo do outro é um espaço pequeno
Limitado pela linha divisória do mundo vizinho
Pelo lado esquerdo,direito,frente e costas
Vivemos em pequenos países limítrofes
Onde cada um dá suas ordens e determina seu sucesso
São mundos feitos de partículas
Recolhidas pelo chão durante uma vida inteira
Constituído de poeira,fumaça
E alguns elementos sólidos
Para que pareça um pouco mais tangível
Cada mundo é inspirado no mundo do outro
Construído por um obreiro sem experiência
Sem noções de estrutura
Pode sim ruir a qualquer momento
Bastam emendas e rejuntes mal feitos
Um telhado frágil suscetível ao granizo
E paredes de papel
Que não suportam um vento mais severo
Mundos frágeis
Giram em órbitas diferentes
Acompanhados por astros brilhantes
Se chocam,se invadem
Em busca de unidade
Em busca de espaço vital
De romper com a escuridão
Com a solidão de um compromisso firmado
Um compromisso que não diz nada sobre nós mesmos
Mas contenta o mundo do vizinho
Mas nos mantem sós.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Talvez

O que eu espero da vida?Olha...da última vez que me fizeram esta pergunta,percebi que não tenho resposta para ela.Não tenho a mínima idéia do que eu espero da minha vida.É bem mais fácil dizer o que eu quero da vida dos outros...que sejam felizes,que tenham saúde,amor e longevidade.Mas para mim?Não sei mesmo.Talvez eu deseje que tudo continue como está...ou que seja tão bom quanto foi o ano passado,ou retrasado...sei que tenho vontade de conhecer a Bahia,Uruguai e quem sabe a Argentina...mas também não sei se um dia vou poder ir.Sei que quero ter filhos...mas não sei se um dia vou tê-los,e nem sei se posso tê-los.Sei que gostaria de escrever um livro...mas não me dedico o suficiente à pesquisas para a elaboração do mesmo.Sei que quero ter uma casa,mas não sei se vou conseguir economizar dinheiro para comprá-la.Acho que é por isso que não tenho nada definido em relação aos meus anseios.Planejar,construir,projetar...é tudo tão perigoso...até posso estar redondamente enganada,ou mesmo sendo covarde...sei que sou...mas a política do "se acontecer,tô no lucro!" tem me prporcionado bastantes surpresas agradáveis,assim como a ausência de planos me ajuda na adaptação durante momentos de crise.Nunca me frustro...nunca caio um tombo...nunca sou surpreendida...mas tambem não arrisco,não me atiro em nada,não boto o nariz para fora...foi uma escolha que acabei fazendo sem perceber.Me acomodei a uma vida serena por medo de voltar a viver a tormenta do passado.Nunca mais viver sem dinheiro!Nunca mais ser proibida de alguma coisa!Nunca mais ouvir coisas que não quero!!!!Nunca mais!!!!Digamos que eu seja uma acomodada sim...mas estou em estado de latência...a qualquer momento posso ressurgir e abocanhar o que vier...ou talvez morra velha e tranquila...talvez,tlavez...

Salupa vai às compras

Salupa foi às compras
Vitrines coloridas,vozes misturadas
Pessoas e corpos à venda
No outdoor um sorriso forçado
Salupa não viu realidade,não viu pureza
Salupa atravessa a rua e deixa cair a chave de casa
A faixa no chão,tão branca esconde o objeto procurado
Salupa deixa cair mais o guarda-chuva
A faixa branca cada vez mais perto
Salupa ouve o som metálico
Será o telefone da esquina?
Será um chamado?
As chaves estão escondidas na chuva,na faixa branca
O som alto...Salupa sente que não tem mais pernas
Braços,mãos...frouxos como que apenas pendurados
O som do motor
Salupa não levanta,não cai
Salupa sente uma dor lancinante nas costas
Um baque
Agora Salupa caiu,com sacolas e apetrechos
Nem chaves,nem guarda-chuva nem nada
Não vai entrar em casa
Abre os olhos...a dor nas costas
Um céu escuro e barulhento
Rodas,fumaça
Sem pernas,sem braços
Nos braços de alguem

Noite III

Um blues
Um copo ou outro
Numa noite escura
Uma companhia muda
Ou até estridente
Uma fumaça densa
Uma voz poderosa
Um cigarro de filtro amarelo
Nem sombra nem luz
Num canto qualquer,sussurros
Num espaç curto de tempo
Uma confissão
No teto a bruma,no chão a areia
Um blues
Uma testa na mesa,o sono profundo
Viagem marcada
Uma cara inchada,um olhar furtivo
Horas de esquecimento
Risos e gritos
Pernas,pés...mãos inquietas
Atrás do balcão
Vidros e marcas
Um olhar entediado
Mão no queixo,sono
Garganta seca
Calor e suor
Reservas e calafrios.

Meu avô

Durante este feriado de Carnaval,resolvi colocar em dia minhas visitas de família que estava devendo há uns dois anos mais ou menos.Entre as visitas que fiz,está meu avô Théo que conta agora com 89 anos de vida.Ele tem quase que exatamente o triplo da minha idade.Ele viveu 3 vezes a minha vida...isso é impressionante!!Se em 30 anos eu já tenho algumas coisas para contar,imagina o que ele deve ter no estoque de histórias.É uma pena que quando se tem um baú cheio de memórias,a cabeça não ajuda a preservá-las.Ele lembra de quase todas as pessoas que passaram pela vida dele,nome,sobrenome,família de origem...mas acredita que a filha mais nova é a esposa já falecida,chamando-a de "mãe" ou "Iarinha".Acredita que a esposa está ao lado dele e compartilha com ela as memórias.A idade tirou dele o vigor físico,a lucidez,a independência...mas não tirou o imenso amor sincero que sentia por minha avó Iara.Um amor puro misturado com companheirismo...amor de marido,de pai e de filho por uma so pessoa.
Meu avô não caminha mais sozinho,pois choca-se com as paredes...meu avô precisa de alguem para banhá-lo,para alimentá-lo,conduzí-lo...ele só ficou mesmo com as divagações e lembranças.Cada vez mais calado,cada vez mais só...ele passa dia a ter alucinações como ver coisas paradas em movimento,ver pessoas nas sombras,conversando com amigos imaginários...e tem pânico de que roubem o dinheiro dele.Sua carteira tem uma borrachinha enrolada 3 vezes.As 3 voltas são o único controle ue ele tem sobre o que é dele.Se a borracha foi mexida,ele conclui que alguem roubou o dinheiro dele.
Meu avô foi um exímio dançarino de tango.Ate hoje tem diversos CDs que ouve antes de dormir.Enquanto estava lá,ele cismou que minha prima de 18 anos havia roubado seus CD´s de tango!!O que ela faria com CD´s de tango?
Bem...fiquei mesmo muito chocada com o que vi...fiquei com pena de meus familiares,que precisam dedicar muito tempo de suas vidas e paciências ao velhinho,porque ele realmente dá muito trabalho!Fiquei também sentida por ver que um homem antes tão lúcido e galante tem pequenos momentos,mínimos mesmo de pé no chão durante o dia.O resto do tempo ele vive no passado,ao lado daqueles que já se foram.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carnaval de Caminha

Quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei de Portugal dando um relatório da viagem financiada pela coroa ao Brasil,suas palavras para designar a "indumentária" das nativas foram "vergonhas descobertas".Isso nada mais quer dizer que as índias desfrutavam do calor e das águas límpidas dos rios exatamanete como vieram ao mundo.Foi um verdadeiro escândalo!A corte portuguesa se viu diante do primeiro choque cultural da moda.Foram levados à Portugal diversos "exemplares" de peladões e peladonas para que os europeus pudessem domesticá-los e ensinálos a vertir-se.Bem...até aqui nada de novidade...todos sabem que os nativos andavam nus ou de tanga,que dançavam,batucavam e até que o europeu colocasse seu pé chulezento em terras brasileiras,nada havia de errado com este comportamento.A influência foi tamanha que hoje vemos na televisão índios da Amazônia de calção Adidas e camisa pólo.
Mas como toda a vergonha tem seu momento de glamour,a nudez tão criticada nas índias é hoje o que traz milhares de europeus ao Brasil em épocas de carnaval.Sim...os europeus que acharam absurda a vestimenta dos indígenas há apenas 500 anos atrás (o que,diga-se de passagem,para a História,é o mesmo que 5 anos)hoje gastam milhares de dólares por um assento na arquibancada da Sapucaí,e ainda por cima com ares de grandeza,para mirar de perto as mulatas com as vergonhas descobertas.Talvez seja por isso que o Brsail nunca deixou de ser o playground do mundo.Embora o carnaval traga ganhos para o mercado do turismo,acaba ao mesmo tempo jogando fora o respeito que poderia ter conquistado nos ultimos séculos.O povo espera o turista o ano inteiro,as mulatas malham e fazem dieta para ficar com a retaguarda cada vez maior para receber nossos ilustres navegadores.E entre todas as diferenças que existem entre estes dois períodos históricos é a que as mulatas,tal qual as índias,são produtos de exportação,mas seguramente,nenhum europeu tenta mais ensinar a elas as boas maneiras,principalmente no que diz respeito à vestimenta.

Um deus

Brilha no escuro
A dois passos da insanidade
Ressucita um claro e tenaz conselho
Um simples e desmedido interesse
Um singelo e pobre dar a mão
Sempre que um som grita
Denuncia uma alma em prantos
Como as almas perdidas a vagar
Em suspenso no firmamento
Sem céu,sem brilho
Ontem mesmo era dia de amanhã
Quando tudo era incerto e assustador
Quando o miserável se deita
O farto acorda de seu sono
E assim são os ajudantes de um deus que
Quem sabe...se perdeu?
Esqueceu o rumo?Esqueceu de acordar
Há alguns séculos caiu em sono profundo
E deixou vidas em abandono

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta-feira 13

Logo pela manhã do dia de hoje,senti que algo estava fora do lugar.Procurei pela casa,pelos meus papéis tentando dar um fôlego à minha percepção,que desde o início das férias anda meio preguiçosa.Não encontrei nada fora da ordem habitual.
Chegado o meio-dia,me emputeci com coisas bobas,a respiração acelerou,o sangue esquentou.Agarrei meu "O vermelho e o negro" e me acalmei.Passei o resto da tarde em paz,apenas lendo,atirando um olho para a TV e escrevendo.Eis que,alguem de dentro chega de fora com uma notícia que me afrouxou as pernas.Sangue fervendo de novo,olhos injetados...me emputeci de novo.Ao memso tempo que digeria a informação,tentava dar consolo,tentava ver o lado positivo.Me vi surda,muda e ferozmente provida de todos os demais sentidos.Tomou conta de mim a dor nas costas,a pressão despencou ao nível do dedão do pé.Conversa vai ,conversa vem...enfim...entre a angústia e a conformidade,escolhi a cerveja.Fui então ao supermercado buscar meu bálsamo e lá descobri a possível causa de um dia tão estranho...hoje é sexta-feira 13.
Tudo bem...não sou das mais supersticiosas,mas a associação dos maus eventos do dia com esta data funcionou para mim como um atenuante de tensão.Passei logo a pensar que a culpa é da data...amanhã será um lindo sábado 14,ensolarado e mais próspero talvez.Será?
A sexta-feira 13 já foi vista como um dia de mau agouro,fruto do constante pânico cristão frente a seus demônios que tem dia certo para mostrar a cara.Bem...quando do nascimento da superstição,não havia nada a temer senão desastres climáticos ou mesmo aparições demoníacas...nao havia crise econômica,desemprego,violência urbana.Os medos da humanidade frente a datas supersticiosas é sensível aos males de cada época.Hoje tememos tudo o que vem do homem...não mais o que vem de deus ou pregações bíblicas.
De fato,como nunca havia acontecido antes,senti o peso de uma data absurda.Senti a força deste número que até então eu julgava fantástico devido à sua natureza matemática.Algarismos que ,combinados ,deixam uma mancha negra no meu calendário como se fosse uma segunda feira de retorno ao trabalho.

Política

A política dá ao ser humano novos contornos
Nova voz,falsa criatividade
Dá e retira posses,virtudes
Controla vicios
Não importa a natureza da política
Seja ela de econômica,social
Ou até a mais invisível delas
A política induz às máscaras
Aos gestos exagerados
Às falas vazias
Às falácias impróprias
A política trafega entre todos
No momento de mentir,de falar a verdade
De livrar a cara
A política decepciona,enraivece
Cria mecanismos de duração curta
Quatro,cinco anos
A política faz o bom parecer obsoleto
O mau parecer o mais indicado
Faz com que as cortinas se abram
Para uma nova encenação
À qual a platéia ri,chora quando assiste...mas não acredita
Ninguém sobrevive às garras impiedosas do favorito
Do preferido,que aguardava sua vez
Desde a eleição passada
Basta estar de pé
Em frente aos domínios da política
E perceber os sábios andarem
Perdidos e desmpregados
Nas mãos o diploma,o certificado
O deseepero
Os olhos atentos a qualquer movimento
À espera de um sinal de fôlego
Um aceno,um chamado
E volta após algumas horas
A sentar-se tristemente no banco da praça
Ao ver seu lugar ocupado
Pelo antigo estúpido
Que no primeiro de janeiro
Ganhou ares de favorito.

Sopro

Em qualquer hora de uma vida
Um semblante confuso
Uma dor atroz
Um mínimo e um máximo de qualquer veneno
Pode não ser o mais perigoso,nem o mais letal
Mas há de ser um veneno
Para que sele com fúria a agonia dos dias passados
Para que semeie o fim em qualquer possibilidade de início
Para que a mudez ressoe em todos os cantos
Para que o louco torne-se apenas um infeliz
E o já dito normal,torne-se aquele que grita
Não há caminhos possíveis para aquele que persegue pesadelos
Ao invés de render-se ao colorido dos sonhos
Pouco resta de ar a respirar,de cor a vislumbrar
Nada há de substituir uma antiga glória
O prazer sem precedentes
Um bolor na fala,um sorriso com pesar
Um crime incompleto
Cede espaço a uma meia-morte
Uma consequência aparente
Dá tons vivos a uma quase esperança
Uma lavoura quase próspera
Um acidente,quase um infortúnio
Uma vida mais ou menos
Um choque sem espasmos
A iniferença
O pouco caso
Quase que um bom vento
Quase um sopro de vitória
Quase que metade de tudo
Que complementa uma metade de nada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Marina

Eu e meus irmãos tivemos uma generosa contribuição em nossas formações morais por parte de uma pessoa que cuidava de nós enquanto nossos pais trabalhavam:a Marina.Uma rica de uma criatura.Nunca mais eu tive o prazer de conhecer alguem que chegasse a se assemelhar à grandeza da Marina.Era uma pessoa que conseguia enxergar tudo cor-de-rosa no meio de um terremoto.Caminhava como quem dança,como quem atravessa nossas vidas flutuando,deixando para trás um rastro de bom humor contagiante.A Marina adorava passear,rir e dava a vida por uma conversa.Sofria há anos de diabetes,e ,para não ter que deixar de comer o que gostava(doces),deciciu deixar de comer.Passava o dia inteirinho sem comer nada.Cozinhava e não almoçava.Fazia pão e doces(a balinha de mel!) para nós,e nem provava.Fazia cada rango!!!!Quando cozinhava galinha,deixava os ossinhos para a gente roer!Heheheheh...
Uma vez ela fez um pão caseiro,e me deu pedacinhos de massa para eu fazer delas o formato que quisesse...fiz um boneco todo torto e ela colocou para assar.É claro que o forno pariu um monstro horroroso,com barriga inchada e um nariz de bolota que despencou.Mas que alegria eu tive em lambuzar de manteiga aquele pão e comer!Eu mesma tinha feito!!!!!!!!!
A Marina fazia tudo o que a gente quisesse.Abandonava o trabalho dela para ir na "venda" buscar salagdinho,bala,chiclete...acobertava nossas traquinagens(e ria muito com elas,com certeza!),não entregava nossos segredos...esperava eu acordar para passar o aspirador de pó no quarto(odiava acordar com aquele barulho!), e chegou ao cúmulo de me emprestar dinheiro!Coitada da Marina!!!
Quando ela faleceu,nem lembro o ano,já não trabalhava mais conosco,e fiquei sabendo de sua morte meses depois...não deu para não chorar.Não pude nem ir ao enterro da minha babázona!!!
Cahamava boneca de "bonecra",casa fúnebre de "casafúner",controle remoto e computador ela chamava de "coiso",e sendo negra,chamava todo os outros negros de "negrona","negrão",e os negros que via na televisão,chamava de "negro comum"."Onde á se viu?Um negro comum desse na tevê!Um negro comum!".E ria,ria,ria...
Lembro de uma vez,enquanto o marido(um ogro) ainda era vivo,ela saiu de casa dizendo pra ele que iria nos cuidar durante a noite.O máximo dela que vimos,foi um par de chinelos velhos que ela escondeu entre as hortênsias no jardim,porque ela parou ali só para calçar a sandálias novas e rumar para o baile.
Faz falta hoje em dia uma pessoa que nem a Marina.´Quanto mais procuro gente como ela,mais topo com selvagens.

Meio termo?

Se eu fumo demais,sou viciada
Se nã fumo,enlouqueço
Se eu bebo demais,sou doente
Se não bebo,fico amargurada
Se eu falo demais,estou me exibindo
Se falo de menos,sou rasa
Se como demais,sou gulosa
Se como de menos,estou preocupada
Se caminho demais,sou vaidosa
Se caminho de menos,sou preguiçosa
Se faço críticas,não me enxergo
Se não faço,sou ingênua
Se sorrio,sou facil
Se não sorrio,sou antipática
Se pergunto opiniões,sou insistente
Se não pergunto,sou pouco democrática!

Perda

Este texto eu dedico a alguem que vem me magoando e decepcionando muito conforme os meus últimos dias de férias se arrastam.Tenho me sentido muito acabrunhada com o que está acontecendo e fico fazendo especulações a respeito de um erro ou falta que eu tenha cometido capaz de agredir a tal ponto de não trocar mais comigo os cumprimentos basicos que as pessoas educadas costumam se dar ao trabalho.
Não estou aqui querendo bancar a boazinha e muito menos a vítima.Apenas acho que mereço ser tratada como alguem inteligente e capaz de rever conceitos e fazer consertos.
Não pretendo peguntar o velho "eu fiz alguma coisa?" porque acho que na minha idade não cabem perguntas desse tipo,e muito menos comportamentos assim.Penso que o mais certo e decente é trocar uma idéia,conversar na boa, e se não houver consenso,o último a chegar arreda o pé.Simples assim.Mas porque deixar no ar essa impressão de que está me fazendo um favor?Porquê interromper uma relação antes tão boa e cômoda(para ambos os lados)?
Creio que tenho maturidade suficiente para ouvir,processar e aceitar uma crítica.E se caso eu não goste dela,é a velha prática "os incomodados que se retirem",o que eu já comecei a fazer mesmo antes de saber qual foi o motivo do silêncio e revolta.
Bem,desde há muito não passava por essas coisas,e desaprendi a ficar esperando esclarecimentos,ou até mesmo de buscá-los,principalmente quando não sou informada de que algo está errado.
Penso que provavelmente foi algo que falei ou até escrevi,por já saber que sou muito agressiva com as palavras.Mas nunca direcionei nenhum dos meus escritos a essa pessoa,nem dei as famosas indiretas,mesmo porque,é uma pessoa de quem não tenho nem nunca tive qualquer reclamação.Acho que a carapuça andou servindo na cabeça errada.E eu lamento muito porque não me incomodo em perder dinheiro e nem oportunidades,mas perder amigos e bem complicado,justamente por ser uma relação que ainda consigo nutrir sem malícia, sem interesse,sem julgamentos.É um sentimento sincero que se alimenta de gestos simples.
Mas infelizmente antes de saber o que aconteceu,já fui obrigada a tomar providências,pois não posso mais sustentar uma rotina assim.
Eu saio.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Fósseis

Bem,logo após ter passado por este constrangimento que descrevi abaixo,tomei,é claro,beeeeem mais cervejas do que o planejado e acabei lembrando de várias pessoas com quem eu convivi durante um tempo que me fizeram atravessar situações parecidas.Sim,porque onde há resquícios de pólvora,um dia houve um tiroteio,ou quem sabe até uma guerra.
Quando abandonei a casa de meus pais com 16 anos,só levei um molho de chaves de casa(que tive que devolver depois),umas roupas na mochila(que tive que buscar mais depois), e uma garrafa de vinho vagabundo para comemorar minha coragem(que me deu dor de cabeça depois).Após passar a primeira noite fora de casa,já amanheci aos prantos com saudade da minha mãe e com pena do meu pai,mas permaneci dura e forte,não por orgulho,mas por achar que tinha feito o que era preciso.Assim fiquei por quase 4 anos.Não ouvi mais nãos,mas vivi todos eles.Não fui mais priobida de sair à noite,mas fui proibida de várias outras coisa que eram importantes para mim.Não deixei de beber e fumar,mas tive que vender quase tudo o que eu tinha.Fiz muitos amigos,mas não lembro do nome de quase nenhum.
Perdi a delicadeza no trato com todos
Perdi a sensibilidade frente à dor
Perdi muitas noites,muitas caminhadas
Perdi um ser,uma alma
Perdi chances e oportunidades
Mas perdi também a mania de lamentar o que não deu certo
Perdi a mania de reclamar quando não tenho dinheiro
Perdi o péssimo hábito de bater portas e me enfurecer por qualquer motivo
Ganhei um nariz empinado,ganhei impáfia
Ganhei coragem de trilhar o caminho que queria
Me enfiei goela abaixo de muita gente
E continuo perdendo e ganhando a cada dia
Continuo buscando o mesmo que eu buscava quando tinha 16
Sou um produto de minha própria obra
Me fiz quase que sozinha,trocava apenas de companhia
De lá ate aqui sempre trouxe comigo uma sombra
Que me atormenta mesmo quando chove
Uma sombra que me assalta principalmente à noite
A rolar na cama sem sono
Me fiz de muito mérito,pouco arrependimento
Mas bastante culpa e perguntas
É claro que nada disso me impede e de andar para frente,mesmo com minhas guerras internas,mas ás vezes,quando sou obrigada a reviver certas sensações,o furacão desce,quente e úmido,a revolver a terra do passado,a desenterrar os mortos.
Então eu escrevo
E tudo se vai de novo.

Protesto

Sem qualquer explicação,o mundo se despatacou quando descobri que nem depois de ter conquistado com meus próprios esforços tudo aquilo que é básico para a sobrevivência de um ser humano(dinheiro e respeito),percebi que não tenho nada nas mãos ainda.E pior...descobri que a velha sina ainda me persegue.
Numa cidade pequena como essa,uma mulher casada que bebe cerveja já é algo difícil de se engolir.Uma mulher que não gasta todo o salário em lojas comprando bugigangas ,é ineceitável.Também detesta funk,sertanejo,fofoca,e não sai à rua armada de metralhadora com visão de 360 graus alvejando todos os homens que se atravessam à sua frente.Mas o pior mesmo aconteceu ontem,enquanto eu estava,como já disse,bebendo cerveja na varanda em companhia de meu hóspede(marido de uma das minhas melhores amigas),enquanto o Alexandre estava na faculdade.Bem...é lamentável,mas recebi olhares de reprovação tão incisivos que cheguei a ficar constrangida(o que hoje em dia em mim,é muito,muito raro!).Me forcei a convidar meu "amante" para terminarmos a conversa dentro de casa,para proteger pelo menos a ele da maldade dos olhos malvados.
Nunca fui vista como uma santa,tampouco me comportei como uma,pois os milagres que fiz nunca serão reconhecidos pelos céus.Mas quando se opta por ser livre de espírito,avessa à convenções,paga-se esse preço...ser julgada e observada com olhos atentos por qualquer macho ou fêmea maliciosa,e ainda chegar ao cúmulo de ter que sair do espaço que eu mesma conquistei para proteger pessoas de quem gosto.
Mas ora...talvez eu seja desagradável demais para minhas companheiras de gênero
Agradável demais para quem goste de representar diante dos outros
Sincera demais para quem vive escondendo o que é
E desprendida demais para ter respeito.Nunca atirei pedra na cruz,mas parece que o crucificado desceu da cruz por minha causa!!!Heheheheheh
Meu maridão me diz "Não dá bola!!!É gente de cabeça pequena!!".Se ELE diz isso,eu deveria ficar satisfeita e não me preocupar mesmo.Mas fico sentindo uma agonia,um desgosto por estar vivendo isso de novo!Me dá vontade de sair dançando pelada pela rua , armar um despacho na esquina fumando um charutão de erva boa, gritando:"Sou professora dos filhos de vocês!!Eu sou o exemplo que os filhos de vocês vão seguir!"
Não é nada poético,nada respeitoso...mas que me dá uma vontade,dá.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Soldadinhos

Conta-se de tudo para vencer a miséria dos dias
Conta-se as horas,conta-se segundos
Conta-se vantagens
Sem perceber o quanto é claustrofóbica a sensação
De assistir or órgãos minguando,desisitindo
Acordar à noite com dor,com tosse,com ânsia
Saltar do sono como se dormir causasse perda
Quando amanhece,a sensação de que se perdeu mais uma carta do jogo
Talvez uma carta imortante,de valor inestimável
Entre ases e coringas, tempo é o símbolo que mais se assemelha à morte
Que muda de cara conforme a data
Que sai do controle,que choca e desespera
Somos todos soldadinhos com tapa-olho
Movimentando-se mecanicamente para um fim já planejado
Pulando obstáculos,de armas em punho
Sorrimos para que a luta não pareça tão árdua
Pois demos a ela essa cara
Choramos para fingir desistência
Agitamos bandeiras vazias,falamos preces estúpidas
Queremos sempre mais
Queremos sempre melhor
A eterna insatisfação daquele que perde o alvo
Passando a atirar em várias direções
Soldadinhos infantis,desengonçados
Fracos,assolados pelo frio e a fome
Sozinhos e pálidos
Parece ser vazia assim a grande proposta dos portadores da razão
Lutando contra a consciência
Cedendo a desejos sem escrúpulos
Mantendo viva uma chama que já não ilumina,nem aquece
Apenas arrasta-nos para frente
Alguns metros por dia
Mas jamais volta atrás
Nem retrocede.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Iemanjá

Não podia passar esse segundo dia
De um segundo mês de um ano qualquer
Sem dedicar odes à minha rainha
À rainha das águas,á deusa dos meus pedidos
À rainha Iemanjá
A ela que fui visitar em madrugadas de mar agitado
Que fui levar oferendas pobres e lamuriosas
Minha linda rainha,simples,mais do que feminina
Minha Iemanjá,minha entidade forte
Grande e atenciosa
Te venero como a uma mãe
Rainha das águas,mares e lagoas
Rainha dos esquecidos,rainha dos miseráveis
Mais um ano se passa e nunca te esqueço,minha mãe de pedra
Te venero como coisa minha
Te amo como amo a água,como amo a noite
Te dedico minhas humanas preces e desejos femininos
Absurdos,magros,momentâneos
Te vejo balançar junto às ondas,te vejo equilibrar-se nas marés
Te vejo aceitar os presentes de um povo que te cultua
Que sofreu em meu colo,em minha História
Que viu em ti a fusão entre o sonho e a mágoa da realidade
Ô mãe,minha severa matrona
Me castigas com força,me repreendes
Me sacodes como a vela de uma nau,de uma jangada
Me sacrificas a teus deuses
Mas nunca te esqueço
Sempre que meu peito chora,me acodes
Trazes a mim o som e a o odor da maresia
Trazes a mim a ligação com tuas águas
Que me atravessa,que transcende
Minha negra rainha
Cheia de curvas,sedução e perfume
Enquanto a idade avança em meu corpo
Sinto cada vez mais a proximidade contigo
Meu cheiro e minha voz
Meu ventre e minhas curvas
Meu colo e meus pensamentos
São cada vez mais produto de tua força em mim
Te dei uma noite minhas lágrimas
E nunca te esqueço
Nunca me afasto de ti
Minha negra mãe,furiosa,bondosa
Como são teus negros filhos
Presença mística
Bem sei que vives em meu seio
Aceleras meu sangue e me dás a direção
Te dedico minhas palavras
Mais uma vez
Mais um ano
Mais um mar.

O que eu quis

Quando há alguns dias falei contigo
Não pude dormir,não pude pensar,não pude racionalizar
Falei e ouvi como quem busca algo no fundo do mar
Como quem espreita a noite atrás de um símbolo,de um grão
Falei contigo por minutos,mas estive contigo por séculos
A esperar um sinal,a ver na paisagem fria,um raio de luz
Estive contigo no peito,na selva,na memória
Não te vi nunca mais,mas escrevi cartas e recados
Não de amor,mas de socorro
Por vezes vi em ti um feixe de madeira frente à corredeira de um rio violento
No qual eu quis me abraçar e buscar um pouco de alento,de vida
Busquei em letras e músicas um prato cheio
No qual eu pudesse matar minha fome
No qual eu pudesse até desperdiçar
E encontrei uma mesa posta,mas um cocho vazio
Um cheiro farto de fome saciada
Uma dor de mar após a chuva forte
Uma sede de água após a bebedeira
Um gosto de azedo na boca
Não quis de ti uma porta aberta
Quis de ti um bom agouro
Quis de ti uma promessa
Um perdão
Quis um apelo,um abraço
Uma súplica,um milagre
Quis de ti algo que os livros não me deram
Jamais me darão
Quis de ti não o que o corpo aprisiona
Mas tudo o que o espírito liberta
Quis de ti algo que não podes medir
Que talvez não entendas
Que talvez não suportes
E que agradeço hoje por jamais ter te proposto.

Medo

Aqui,pensando com minhas conchas e caramujos
Vejo que sou talvez
Mística demais
Creio em deuses demais
Me seduzo facilmente por um bocado de água em movimento
Acredito em tudo o que é vivo
Acredito demais no que está além dos meus olhos
Espero demais dos pensantes
E aceito as atitudes racionais dos que não são capazes e raciocinar
Talvez tenha lido livros de magia em demasia
Tenha vivido demais frente ao mar
Tenha me banhado demais nas águas barulhentas do mar
Talvez seja incrédula demais frente à maldade dos homens
E acredite demais naquele que me é simpático e agradável
Talvez eu tenha sido queimada há alguns séculos,em praça pública
Por acreditar na bondade ou no amor de alguem
Talvez tenha uma estúpida crença de que palavras doces são verdadeiras
De que pessoas simples são sinceras
De que o mar ou as águas doces me protegeriam de qualquer mal
Hoje nada me protege de nada
O que é dito é feito,o que é uma ameaça torna-se uma tormenta
Sou fácil demais,sou infinitamente sensível às promessas
E não sei lidar com as maldades que vem à tona
Não sei lidar com a reforma ortográfica,nem com as crises
Não sei lidar com nada que o homem constrói
Não sei lidar com os males contemporâneos
Tenho medo,tenho receio
De ferir pela minha estupidez,ou com meu ceticismo
Tenho medo de me deixar levar facilmente
Por um novo paradigma,um novo modelo
Que me convença,que me sacie
Tenho medo de que o mundo não se satisfaça mais coma beleza e simplicidade do mar
Das ondas,ou com as águas doces da lagoa
Com a luz tênue da lua
Tenho medo que o ser humano não veja mais beleza em nada
Que não preencha mais seus vazios com as colheradas de consolo da natureza
Tenho medo de estar só
De estar em meio a um sonho antigo
De estar pensando como um primata
De estar correndo atrás de algo que já não existe há séculos
De nadar e morrer na praia em meio a todos os outros cadáveres
Que jazem à beira mar por culpa da indecência humana.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Operação Valquíria

Está saindo dos fornos de Hollywood um bom filme chamado "A operação Valquíria".Ainda não assisti(nem ninguem),pois chega ao Brasil no final o semestre.
Trata-se de uma bomba histórica!!!!O filme conta como foi planejado,e posto em prática o atentado contra Adolf Hittler em 1944 por um general nazista.Sim..general nazista Von Stauffenberg,líder do complô.
Já havia lido na Revista Aventuras na História uma entrevista com o neto do general,o que me deixou muito impressionada.Não com a já justamente apedrejada barbaridade dos nazistas,mas sim com a atitude de um general ,que desfrutava de todos os confortos que a patente lhe proporcionava e mesmo assim ergue-se com fúria contra Hittler.O atentado fracassou,o alvo machucou-se de leve,mas os maquinadores do atentado foram fuzilados,e suas respectivas famílias levadas à campos de concentração e lá permanceram até o fim da guerra.
O neto do general menciona com muita sabedoria a postura tomada pela Alemanha atual em relação ao Holocausto Nazista.Reforça a idéia de que os alemães não devem esquecer-se nunca do que aconteceu,as crianças devem aprender na escola,envergonhar-se e repudiar a atitude de seus antepassados.É um país marcado por uma tragédia que sabe muito bem o que fazer com uma memória indesejável.
Vale a pena assistir ao filme,onde o General Stauffenberg é vivido por Tom Cruise,e retrata o mais vergonhoso crime político do século XX.