Tenho dois irmãos maravilhosos,que eu amo mais do que tudo
Cada um tem sua cor,seu jeito,seu lamento
Mas estou aqui querendo falar de meu irmão mais novo
Não preciso dizer o nome,porque todos sabem
Não preciso dizer o quanto ele é lindo e perfeito,porque todos enxergam
Muito me doei,muito sofri por este irmão mais novo
Quando buscava ele pela mãozinha o jardim de infância
Quando ele chorava por um brinquedo estragado
Quando ele chorava porque não podia acompanhar nosso irmão mais velho
Ele é um filho que eu ainda não tive
Sofro e admito que morro por ele
Tão brilhante e bonito
Tão inteligente e sensível
Meu irmão é o homem que qualquer mulher desejaria
Tem seus defeitos como qualquer mortal
Sofre e agoniza como todos nós
Quantas vezes levei ele para festas,noites e bebedeiras
E depois ele acabou por me levar também
Com uma serenidade que me dava segurança
Nas horas em que mais precisei,que pisei na jaca
Era só a ele que eu tinha,meu amigo,meu irmão,meu cúmplice
Amo meu irmão mais novo como a um filho
Eu presenciei suas derrotas infantis,vergonhas,desgostos
Qunado nossos pais se ausentaram em nosso aniversário
Não lembro bem o ano,mas ele contava 6 ou 7 anos de idade
Ficamos sozinhos no dia das mães,e em nossos aniversários
Doeu,mas fomos fortes e unidos
Eu e meu irmão mais novo
Fomos unidos
Carreguei tantas vezes esse guri pela mãozinha
No colégio,na festa,no carnaval,nas primeiras decepções
Me sinto meio mãe,meio intrometida
Quero resolver a vida dele como quem busca sossego
Quero ver o sorriso dele,tão lindo,aberto,brilhante
Lembro quando ele nasceu,que me assutei com o cordão umbilical
E chorava dizendo "o mano tem um bicho na barriga,mãe!"
Como eu gosto desse guri,como quero ver ele bem
E sofro as dores dele como se fossem minhas
Vivemos juntos tanto tempo
Com 16 saí de casa e deixei ele sozinho
Uma criança inocente que brincava de carrinho
Quando voltei,4 anos depois,encontrei um homem
De voz grossa e um futuro brilhante pela frente
Passou antes de mim no vestibular
Se atirou na piscina mas não teve coragem de comemorar
Sorria e sem qualquer palavra,me dava alento
Ô guri medonho!!!!!!!!!!
Tua irmã te tem muito amor e dedicação
Te carreguei quando criança,te levei junto comigo
Sempre quis tua companhia porque me eras muito caro
Até hoje me és caro
E não poso admitir que sofras,que chores,que te humilhes
Não posso permitir nada
Se queres amargar a vida por escolha,não me pede apoio
Nunca vou poder te ver numa ruim
Nunca vou poder esquecer que te carreguei pela mãozinha
Pequenininho
Com carinha de anjo
Não posso esquecer que és quase um filho meu
E que me dedico a ti como uma mãe-irmã
Que te ama muito,e que não sabe nem medir o tamanho desse amor.
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Dor
Sempre que uma dor surge,vem já hospedando um desespero
Vem já rompendo linhas,esmagando sorrisos
A dor nunca vem só
Não sabe andar sem companhia,pois pode esquecer de doer
A dor é negra como um corvo
Ensurdece,apaga o calor e deixa o frio como rastro
Um frio que ninguem mais sente
Assim como a dor vem,ela some
Não espera vontades e remédios
Ela vem a passos curtos,e some a passos largos
A dor atrapalha,machuca,espezinha
Seja que dor for
Da mais lancinante à mais irremediável
Da mais clara à mais velada
A dor enegrece o dia
Não permite que o bem escoe
Não permite que o mal se enterre
A dor vem para lembrar a qualquer um
Que ela vence a todos.
Vem já rompendo linhas,esmagando sorrisos
A dor nunca vem só
Não sabe andar sem companhia,pois pode esquecer de doer
A dor é negra como um corvo
Ensurdece,apaga o calor e deixa o frio como rastro
Um frio que ninguem mais sente
Assim como a dor vem,ela some
Não espera vontades e remédios
Ela vem a passos curtos,e some a passos largos
A dor atrapalha,machuca,espezinha
Seja que dor for
Da mais lancinante à mais irremediável
Da mais clara à mais velada
A dor enegrece o dia
Não permite que o bem escoe
Não permite que o mal se enterre
A dor vem para lembrar a qualquer um
Que ela vence a todos.
A noite II
Já caiu a noite
Caiu como se despencasse
Seca e árida
Trouxe lamentos,ferrugem de um ser solitário
A noite carrega consigo um grande saco de memórias
E deposita em cada viver um pouco de morrer
Caminhando pela sombra,o velho vê a noite e suplica
Por um dia claro que nunca acabe,uma centelha a mais de vida
O velho ri
Ri porque já não pode chorar mais
Traz os olhos já chorados e as mãos na cabeça cansada
O novo ri porque ainda não amarga
Sempre que a noite cai,o mundo emudece um pouco
Os vivos tremem de pavor,encurralados
Não meditam,roubam
Não clamam,exigem
Os vivos tem no peito um ser maior que si
Que sente medo,mas não assusta
Sente fé,mas não acata
Sente dor,mas não serena...mata
O velho que ri rola na areia,sobrevive a mais um dia
E arma-se para enfrentar mais horas de escuridão
O mundo mudo
O tempo estanque
O cheiro da terra úmida traz gosto à boca
As folhas suspiram emquanto o vento esbarra em almas
Como mortas,sem voz,sem cheiros
Que sopre o vento,que embale em seus braços a escuridão
Que reinvente o dia
A noite precede um mar de luz sem brilho
Para homens sem ração,sem razão que vagam sobre a terra
Com ar de importância
Com cara de indecisão
Caiu como se despencasse
Seca e árida
Trouxe lamentos,ferrugem de um ser solitário
A noite carrega consigo um grande saco de memórias
E deposita em cada viver um pouco de morrer
Caminhando pela sombra,o velho vê a noite e suplica
Por um dia claro que nunca acabe,uma centelha a mais de vida
O velho ri
Ri porque já não pode chorar mais
Traz os olhos já chorados e as mãos na cabeça cansada
O novo ri porque ainda não amarga
Sempre que a noite cai,o mundo emudece um pouco
Os vivos tremem de pavor,encurralados
Não meditam,roubam
Não clamam,exigem
Os vivos tem no peito um ser maior que si
Que sente medo,mas não assusta
Sente fé,mas não acata
Sente dor,mas não serena...mata
O velho que ri rola na areia,sobrevive a mais um dia
E arma-se para enfrentar mais horas de escuridão
O mundo mudo
O tempo estanque
O cheiro da terra úmida traz gosto à boca
As folhas suspiram emquanto o vento esbarra em almas
Como mortas,sem voz,sem cheiros
Que sopre o vento,que embale em seus braços a escuridão
Que reinvente o dia
A noite precede um mar de luz sem brilho
Para homens sem ração,sem razão que vagam sobre a terra
Com ar de importância
Com cara de indecisão
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Casamento
Eu e o Alexandre estamos hospedando um amigo nosso desde domingo,pois foi nomeado no Banco do Brasil aqui para Camaquã e deixou a esposa e filhas em Pedro Osório durante a adaptação na nova cidade.O curioso é que este amigo,juntamente com a esposa se formaram junto conosco na mesma turma da faculdade,e consequentemente conhecem todos os nossos podres e furos da época estudantil( e nós os deles,é claro!).As situações que temos passado nos últimos dias tem sido hilárias,pois estão todas carregadas de lembranças que tentamos deixar no passado por vergonha ou constrangimento.Pois nosso amigo,mesmo sem tocar nos assuntos,trouxe tudo de volta.Nossa...como é engraçado e difícil ao mesmo tempo...Qualquer pergunta que façamos a ele e ele a nós cria uma situação quase que de pânico!"Será que ele se lembra daquela cagada que eu fiz?",ou "Será que ele me viu bêbado e falando tudo o que falei naquela festa?","Será que ela ficou sabendo que eu deixei aquele furo?","Será que ele vai comentar?".Ao mesmo tempo que é difícil,acaba sendo bom porque acabamos tendo que lidar com essas rugas na testa,com algumas coisas escondidas dentro de nós mesmos.Quando ficamos eu e o Alex sozinhos,acabamos dando continuidade ao assunto,esclarecendo algumas coisas que ficaram para trás,como por exemplo o dia da nossa formatura,que eu espanquei ele com o canudo durante a colação de grau ao lado deste nosso ilustre colega,que sente hoje mais vergonha do que nós pelo acontecido.Fica vermelho e arregala os olhos como se tivesse sido ele o causador da briga quase que teatral que tivemos naquele momento.Eu nem sinto mais vergonha de coisa nenhuma,porque esse tipo de sentimento me deixa inquieta demais,e acredito que se tive coragem de fazer,tenho tambem o dever de assumir.
Enfim...temos sentado todas as noites a conversar na varanda aqui de casa,colocando os papos em dia,e quando o assunto começa a se encaminhar para onde não deve ir,surge um convite inesperado e tímido de qualquer um de nós :"Vamos jantar?",ou "Vamos assar uma carninha?".
Acho mesmo que o casamento é coisa séria,coisa que merece respeito,e,já que hoje faço parte de um casal,tenho mesmo que passar umas lembranças no ovo e na farinha e mandar para a frigideira,porque se eu não comê-las,elas me engolem!!!!Não acho que casar seja abster-se de tudo e nem inclinar-se à vontade do outro...acho apenas que é uma escolha como qualquer outra,que pode vingar ou murchar conforme nossa dedicação.Essa coisa de fazer sacrifícios por amor,mudar de personalidade,se dobrar até quebrar a coluna não é comigo.Jamais me sentiria bem se tivesse que gastar meu dinheiro para comprar uma casa de cimento se eu gosto da de madeira.É claro que nem sempre é possível chegar-se a consensos,mas deve-se fazer o possível sempre para jamais ter que receber na cara algo que não foi dito na hora certa porque houve comodismo ou simplesmente um silêncio pacífico.Compartilhar a vida com alguem é algo que exige muita maturidade e pouco egoísmo.É preciso gostar muito de si para admirar o outro,justamente porque o outro terá características que não temos,talvez nem gostaríamos de ter,mas caem muito bem no parceiro.
Enfim...temos sentado todas as noites a conversar na varanda aqui de casa,colocando os papos em dia,e quando o assunto começa a se encaminhar para onde não deve ir,surge um convite inesperado e tímido de qualquer um de nós :"Vamos jantar?",ou "Vamos assar uma carninha?".
Acho mesmo que o casamento é coisa séria,coisa que merece respeito,e,já que hoje faço parte de um casal,tenho mesmo que passar umas lembranças no ovo e na farinha e mandar para a frigideira,porque se eu não comê-las,elas me engolem!!!!Não acho que casar seja abster-se de tudo e nem inclinar-se à vontade do outro...acho apenas que é uma escolha como qualquer outra,que pode vingar ou murchar conforme nossa dedicação.Essa coisa de fazer sacrifícios por amor,mudar de personalidade,se dobrar até quebrar a coluna não é comigo.Jamais me sentiria bem se tivesse que gastar meu dinheiro para comprar uma casa de cimento se eu gosto da de madeira.É claro que nem sempre é possível chegar-se a consensos,mas deve-se fazer o possível sempre para jamais ter que receber na cara algo que não foi dito na hora certa porque houve comodismo ou simplesmente um silêncio pacífico.Compartilhar a vida com alguem é algo que exige muita maturidade e pouco egoísmo.É preciso gostar muito de si para admirar o outro,justamente porque o outro terá características que não temos,talvez nem gostaríamos de ter,mas caem muito bem no parceiro.
Dúvida
Como o que flui nas veias
Nada é puro e concreto
Uma dúvida trai a simplicidade de um gesto
Trai a veracidade de um desejo
Nada do que vive é uno
Nada do que sobrevive é livre de estigma
Um pequeno ponto,um sinal gráfico,um suspiro apenas
Transforma em abismo o que antes parecia apenas uma depressão
Os órgãos já não se encadeiam
Os sinais vitais desfalecem
As aspirações vão ao vento
Voltam à origem
Uma decepção que sucede a dúvida
Um animal irrequieto,acuado
Pedaços de coisas que já foram inquestionáveis
Que hoje flutuam como os odores e vapores
Sem poder juntar-se e parir algo sólido
Nada como o instante em que surge a morte
Abraçada a um pergunta
Uma pergunta trágica e direta
Que não se pode encarar a resposta
Não se pode resgatar o que já foi dito
Nem se pode cair nas amarras do arrependimento
Não se pode nada
Apenas humanizar-se
Despencar da linha que separa o pesadelo do sonho
Nada é puro e concreto
Uma dúvida trai a simplicidade de um gesto
Trai a veracidade de um desejo
Nada do que vive é uno
Nada do que sobrevive é livre de estigma
Um pequeno ponto,um sinal gráfico,um suspiro apenas
Transforma em abismo o que antes parecia apenas uma depressão
Os órgãos já não se encadeiam
Os sinais vitais desfalecem
As aspirações vão ao vento
Voltam à origem
Uma decepção que sucede a dúvida
Um animal irrequieto,acuado
Pedaços de coisas que já foram inquestionáveis
Que hoje flutuam como os odores e vapores
Sem poder juntar-se e parir algo sólido
Nada como o instante em que surge a morte
Abraçada a um pergunta
Uma pergunta trágica e direta
Que não se pode encarar a resposta
Não se pode resgatar o que já foi dito
Nem se pode cair nas amarras do arrependimento
Não se pode nada
Apenas humanizar-se
Despencar da linha que separa o pesadelo do sonho
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Infelizes
Felizes são aqueles que já não devem
Nem temem,não esperam,não imploram
Felizes são os que encontraram paz com decência
Que fizeram da vida um ato teatral
Que viveram como se o mundo estivesse na volta derradeira
Que podem ver a todos e a tudo sem ser fisgado por um débito antigo
Sem ter reservas e mágoas encravadas no peito
Felizes são os que souberam perdoar
Pois o próprio ato de não perdoar gera rancores maiores que a culpa de ter errado
Felizes são os pobres
Não os pobres de posses,mas os pobres de vaidade
Mais felizes ainda são os bem resolvidos
Que jamais se sentem impelidos ou forçados a ser o que não querem
Vivem no campo cercado de flores,onde o ar não falta,nem o medo faz calar
Já os infelizes
Esses são tantos...são férteis
São contagiosos
Infelizes são os que não vão à fogueira sem companhia
Não vão à guerra pela paz
Não vencem o orgulho
Nem se deixam derrotar pela alegria
Jamais perdem,jamais descansam
Os infelizes correm até sentir-se mais veloz que todos
O infeliz não tem sono,não descansa o corpo
E escraviza o espírito
O infeliz não sabe estender a mão,o infeliz não pode reconhecer erros
O infeliz não se vê como ser incompleto
O infeliz deve a todos,mas não sacrifica nada
Pobre infeliz
Anda em círculos,não empresta sutileza
Não cede,não se inferioriza
Jamais...
Nem temem,não esperam,não imploram
Felizes são os que encontraram paz com decência
Que fizeram da vida um ato teatral
Que viveram como se o mundo estivesse na volta derradeira
Que podem ver a todos e a tudo sem ser fisgado por um débito antigo
Sem ter reservas e mágoas encravadas no peito
Felizes são os que souberam perdoar
Pois o próprio ato de não perdoar gera rancores maiores que a culpa de ter errado
Felizes são os pobres
Não os pobres de posses,mas os pobres de vaidade
Mais felizes ainda são os bem resolvidos
Que jamais se sentem impelidos ou forçados a ser o que não querem
Vivem no campo cercado de flores,onde o ar não falta,nem o medo faz calar
Já os infelizes
Esses são tantos...são férteis
São contagiosos
Infelizes são os que não vão à fogueira sem companhia
Não vão à guerra pela paz
Não vencem o orgulho
Nem se deixam derrotar pela alegria
Jamais perdem,jamais descansam
Os infelizes correm até sentir-se mais veloz que todos
O infeliz não tem sono,não descansa o corpo
E escraviza o espírito
O infeliz não sabe estender a mão,o infeliz não pode reconhecer erros
O infeliz não se vê como ser incompleto
O infeliz deve a todos,mas não sacrifica nada
Pobre infeliz
Anda em círculos,não empresta sutileza
Não cede,não se inferioriza
Jamais...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Janeiro
Janeiro é um mês meio sem chão
Ainda não é o ano novo
Mas também não é mais o ano que passou
Depois de passar pelas alegrias esperançosas das viradas e natais e décimo terceiro
Vem o ressacado janeiro,com direito a dor de cabeça e estômago embrulhado
O Janeiro traz uma sensação de perda,de solo não muito firme
Tudo é novo,mas também nada é desconhecido
Vem as férias que nos tiram da rotina
Que levam o ser que produz a sentir-se inútil,e até culpado
Janeiro nos enfia numa teia como se fôssemos insetos cambaleantes depois de encher-se de um sangue qualquer
Nos envolve e nos empurra dia após dia para o reinício de tudo
A boca fica seca,o ar pesado,as pernas travadas,braços cruzados
Janeiro não tem piedade,passa rápido
Janeiro não tem dias,tem minutos
Mês de sufoco no bolso
Mês de arrastar chinelos
Mês que deixa a cabeça cheia,mas o corpo inerte
Já vai acabar
Fevereiro se anuncia à galopadas
Fevereiro é ainda mais ingrato
É menor...
Vem com a hipnose carnavalesca
Com as fantasias de cores absurdas e adereços esquisitos
Vem com cheirinho de março,abril,maio...
Sem esqucer que tem um dia de cinzas
São mesmo as cinzas de um dezembro ansioso e alegre
Um janeiro tedioso e improdutivo
De um fevereiro tão curto
Que nem se deixou ver
Ainda não é o ano novo
Mas também não é mais o ano que passou
Depois de passar pelas alegrias esperançosas das viradas e natais e décimo terceiro
Vem o ressacado janeiro,com direito a dor de cabeça e estômago embrulhado
O Janeiro traz uma sensação de perda,de solo não muito firme
Tudo é novo,mas também nada é desconhecido
Vem as férias que nos tiram da rotina
Que levam o ser que produz a sentir-se inútil,e até culpado
Janeiro nos enfia numa teia como se fôssemos insetos cambaleantes depois de encher-se de um sangue qualquer
Nos envolve e nos empurra dia após dia para o reinício de tudo
A boca fica seca,o ar pesado,as pernas travadas,braços cruzados
Janeiro não tem piedade,passa rápido
Janeiro não tem dias,tem minutos
Mês de sufoco no bolso
Mês de arrastar chinelos
Mês que deixa a cabeça cheia,mas o corpo inerte
Já vai acabar
Fevereiro se anuncia à galopadas
Fevereiro é ainda mais ingrato
É menor...
Vem com a hipnose carnavalesca
Com as fantasias de cores absurdas e adereços esquisitos
Vem com cheirinho de março,abril,maio...
Sem esqucer que tem um dia de cinzas
São mesmo as cinzas de um dezembro ansioso e alegre
Um janeiro tedioso e improdutivo
De um fevereiro tão curto
Que nem se deixou ver
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Novela
Começa uma nova novela à noite
Personagens esquisitos,com roupas de outro mundo circulam diante dos olhos dos bons
Imaginações sem mundo nem fundo a sofrer estímulos de um deus que distrai,que ofende
Que leva mortais a subir ao Olimpo em busca de realizações absurdas
Longe do alcance de suas mãos,de seus dedos sem ouro,sem pele
Músicas de outro mundo,palavras sem tradução
Sorrisos que procuram provocar outros sorrisos
Dinheiro nos bastidores,olhos atentos no roteiro
Cotas e números a atingir
Do lado de cá,olhos sôfregos
Impacientes por sorver algo novo
Bolso roto,espírito cansado,palavras frias
Minutos de evasão da vida
Minutos de passeio por outra dimensão
Do lado de lá...pessoas comuns tratadas como divindades
Nuas ou vestidas,povoam a imaginação dos parcos semi-mortos
Trepudiam,rejubilam-se...tem como limite o céu
Acreditam-se capazes de atingí-lo
E atingem
Atingem à medida em que a hora avança em direção à noite
E a contemplá-los estão milhões de pessoas
Entre blocos há carros,cores,fones,corpos,líquidos
Há tudo o que o dinheiro vale
Nada de novo ao alcance dos dedos sem ouro
Nada de ouro...o ouro escondido está
E não há personagens nem indumentárias de outro mundo
Que possam estimular os pobres parcos e ver o que há de ouro dentro de si.
Personagens esquisitos,com roupas de outro mundo circulam diante dos olhos dos bons
Imaginações sem mundo nem fundo a sofrer estímulos de um deus que distrai,que ofende
Que leva mortais a subir ao Olimpo em busca de realizações absurdas
Longe do alcance de suas mãos,de seus dedos sem ouro,sem pele
Músicas de outro mundo,palavras sem tradução
Sorrisos que procuram provocar outros sorrisos
Dinheiro nos bastidores,olhos atentos no roteiro
Cotas e números a atingir
Do lado de cá,olhos sôfregos
Impacientes por sorver algo novo
Bolso roto,espírito cansado,palavras frias
Minutos de evasão da vida
Minutos de passeio por outra dimensão
Do lado de lá...pessoas comuns tratadas como divindades
Nuas ou vestidas,povoam a imaginação dos parcos semi-mortos
Trepudiam,rejubilam-se...tem como limite o céu
Acreditam-se capazes de atingí-lo
E atingem
Atingem à medida em que a hora avança em direção à noite
E a contemplá-los estão milhões de pessoas
Entre blocos há carros,cores,fones,corpos,líquidos
Há tudo o que o dinheiro vale
Nada de novo ao alcance dos dedos sem ouro
Nada de ouro...o ouro escondido está
E não há personagens nem indumentárias de outro mundo
Que possam estimular os pobres parcos e ver o que há de ouro dentro de si.
Noite
Um cigarro se vai na mesa ao lado
O cinzeiro já repleto de cinzas
Um copo vazio a clamar conteúdo
Um emaranhado de letras que surgem
Ou no papel,ou numa árvore
Junto com todos os elementos que constroem uma vida
Um poço de lembranças
Vontade de rever uns
Ou de ver-se longe de outros
Simples como o raiar do dia
Que apaga a noite e sufoca as estrelas
Acaba com o infinito
Leva embora o som das vozes
Das gargalhadas ébrias
A noite deixa vestígios
O sol engole-os com raios ofuscantes
O céu torna-se vazio e infértil ao poeta
Ao escritor que julga criar
Simples peças decorativas num mundo de artes e ciências
Onde o artista espera a madrugada,o cientista espera a luz
O sábio encontra o limite entre o claro e o escuro
Os pobres de espírito pairam no ar
À espera que o dia possa reavivá-los
Ou que a noite possa tirá-los da sobrevida.
O cinzeiro já repleto de cinzas
Um copo vazio a clamar conteúdo
Um emaranhado de letras que surgem
Ou no papel,ou numa árvore
Junto com todos os elementos que constroem uma vida
Um poço de lembranças
Vontade de rever uns
Ou de ver-se longe de outros
Simples como o raiar do dia
Que apaga a noite e sufoca as estrelas
Acaba com o infinito
Leva embora o som das vozes
Das gargalhadas ébrias
A noite deixa vestígios
O sol engole-os com raios ofuscantes
O céu torna-se vazio e infértil ao poeta
Ao escritor que julga criar
Simples peças decorativas num mundo de artes e ciências
Onde o artista espera a madrugada,o cientista espera a luz
O sábio encontra o limite entre o claro e o escuro
Os pobres de espírito pairam no ar
À espera que o dia possa reavivá-los
Ou que a noite possa tirá-los da sobrevida.
domingo, 11 de janeiro de 2009
Salupa de férias
Salupa viajou de férias
Viu o mar,as ondas,animais marinhos
Salupa sentiu-se acompanhada quando a noite caiu
Pequenos grãos de areia escorregavam por entre seus dedos
Como um dia escorregou um sonho bom
Um sonho bom que Salupa nunca viveu
E ali diante do mar,esvaiu-se...desalojou o caracol e enfiou-se na concha
Como se nunca tivesse existido
Quando as ondas do mar dão uma volta no infinito,Salupa deixa-se envolver pelo sono
Pelas pálpebras pesadas...Salupa agora dorme
Mas não tem sonhos,porque sonhos que se sonha dormindo não são de gente grande
E Salupa é gente grande
O vento da noite arrasta areia sobre o corpo de Salupa
Mais areia,menos sonhos
Mais sal, menos doce
Salupa não tem mais braços,nem pernas
Salupa ficou sem cabelos
Mais dois ou três grãos de areia
Deixam Salupa sem olhos
A garganta fecha,o sono se vai
Salupa acorda e chora
No horizonte o sol desponta
Salupa abandona o túmulo e vai embora
Deixa no chão algumas lágrimas salgadas,um sonho num caramujo
E a sensação de ter morrido por alguns instantes.
Viu o mar,as ondas,animais marinhos
Salupa sentiu-se acompanhada quando a noite caiu
Pequenos grãos de areia escorregavam por entre seus dedos
Como um dia escorregou um sonho bom
Um sonho bom que Salupa nunca viveu
E ali diante do mar,esvaiu-se...desalojou o caracol e enfiou-se na concha
Como se nunca tivesse existido
Quando as ondas do mar dão uma volta no infinito,Salupa deixa-se envolver pelo sono
Pelas pálpebras pesadas...Salupa agora dorme
Mas não tem sonhos,porque sonhos que se sonha dormindo não são de gente grande
E Salupa é gente grande
O vento da noite arrasta areia sobre o corpo de Salupa
Mais areia,menos sonhos
Mais sal, menos doce
Salupa não tem mais braços,nem pernas
Salupa ficou sem cabelos
Mais dois ou três grãos de areia
Deixam Salupa sem olhos
A garganta fecha,o sono se vai
Salupa acorda e chora
No horizonte o sol desponta
Salupa abandona o túmulo e vai embora
Deixa no chão algumas lágrimas salgadas,um sonho num caramujo
E a sensação de ter morrido por alguns instantes.
Ano novo
Bem...parece que os sinos finalmente dobraram
Ano novo,roupas velhas
Dias frios,estações avessas
Cada ano que circula,é menos um em nossas existências
Menos um ano a viver,mais um ano para nada fazer
Sempre que um punhado de dias se passa,aquilo que é velho se aproxima cada vez mais
Rumar para o futuro não é o mesmo que distanciar-se do passado
E sim aprender a conviver com ambos numa mistura perfeita
Vamos ficando velhos e companheiros da nostalgia
Como unha e carne
Carne e ossos...
Somos um baú de alegrias mofadas
E de tristezas perfumadas que o malvado tempo nos faz confundir
Rostos e corpos disformes,mas com névoas de memória
Algumas palavras secas que azedaram com o vinho derramado na mesa
Algumas cinzas de fumo que sobreviveram ao fim da noite
Suaves lembranças que o passar dos anos transformou em vertigens
Como as vertigens infantis de domingos de sol
Não se sabe ao certo se foi real ou se já foi lapidada por nosso inconsciente
Somos já velhos assistndo a um espetáculo do qual somos preguiçosos demias para fazer parte
E talvez guardemos mágoas demais para encarnar um personagem
Nem tudo vai embora com o ano que vira
Nem superstições, nem simpatias
O que é novo é o ponto de partida
Mas o mesmo não se aplica ao ponto de chegada
Que será inevitavelmente o mesmo
Seja o ano par ou ímpar.
Ano novo,roupas velhas
Dias frios,estações avessas
Cada ano que circula,é menos um em nossas existências
Menos um ano a viver,mais um ano para nada fazer
Sempre que um punhado de dias se passa,aquilo que é velho se aproxima cada vez mais
Rumar para o futuro não é o mesmo que distanciar-se do passado
E sim aprender a conviver com ambos numa mistura perfeita
Vamos ficando velhos e companheiros da nostalgia
Como unha e carne
Carne e ossos...
Somos um baú de alegrias mofadas
E de tristezas perfumadas que o malvado tempo nos faz confundir
Rostos e corpos disformes,mas com névoas de memória
Algumas palavras secas que azedaram com o vinho derramado na mesa
Algumas cinzas de fumo que sobreviveram ao fim da noite
Suaves lembranças que o passar dos anos transformou em vertigens
Como as vertigens infantis de domingos de sol
Não se sabe ao certo se foi real ou se já foi lapidada por nosso inconsciente
Somos já velhos assistndo a um espetáculo do qual somos preguiçosos demias para fazer parte
E talvez guardemos mágoas demais para encarnar um personagem
Nem tudo vai embora com o ano que vira
Nem superstições, nem simpatias
O que é novo é o ponto de partida
Mas o mesmo não se aplica ao ponto de chegada
Que será inevitavelmente o mesmo
Seja o ano par ou ímpar.
Assinar:
Comentários (Atom)
