Os acontecimentos da semana passada que tiveram um fim trágico nesta semana deixaram meus alunos num estado de agitação dificil de conter e triste de presenciar.Eles estão com medo do mundo que os aguarda na vida adulta.Viram a menina Eloá morrer nas mãos de um semi-pedófilo-infanticida e puseram-se perplexos.Me fizeram perguntas de toda ordem,às quais eu tentei responder sem aumentar e nem diminuir o pânico."Mas o que ela fez,sôra?","Por quê o pai dela não deu um tiro nele?","Como a gente sabe se o namorado pode matar a gente?","Será que ela sentiu dor?".Enfim...fico com pena dos adolescentes assistirem tragédias com esta em canal aberto a qualquer hora,sem censura,sem comedimento.Eles ficaram realmente bem assustados,e colocaram-se na pele da menina e sofreram com a sensação experimentada: ser arracado dos pais por um estranho em quem um dia confiou,ser maltratado e ainda ter a vida interrompida por motivos desconhecidos.Eu já havia me deparado com uma situãção semelhante também provocada pelo pânico da TV durante o caso Isabella Nardoni,supostamente morta pelo pai e pela madrasta.A sensação que eles tinham era a de que não poderiam mais confiar na madrasta ou padrasto, e em último caso,nos pais.O desamparo que os assaltava era crescente -claro que embalados pela discussão acalorada que fomentei-e em seus olhos várias perguntas: por quê isso está acontecendo?Por quê os pais agora matam os filhos?Será que meu pai me mataria para agradar mina madrasta ou vice-versa? Não é uma coisa fácil para adultos já maduros e corrompidos...para uma criança é inconcebível.
Acho que a televisão deve sim mostrar a realidade e abrir os olhos de todos...mas não precisa provocar pânico!Por que não deixar a coitadinha da Eloá para o horário nobre?Por quê não deixar a Isabella com a polícia e os advogados da família?Por quê as crianças têm que entrar nessa febre coletiva?Não sobra nem espaço para que os pais comentem o caso com os filhos e possam orientá-los sem causar traumas,pois a TV já faz esse papel,porém com adições trágicas de imagens,depoimentos e desenhos(como foi o caso da reconstituição do caso Isabella).
É bem difícil tentar educar e passar algo de construtivo para crianças que já estão inseridas num mundo dramatizado e assustador de crimes hediondos,desvios terríveis de conduta,roubos descarados...os alunos na escola quase que debocham da cara dos professores quando tentam falar em ética,caráter e respeito.Tarefa para heróis?Mártires?Desconjuntados?Talvez seja trabalho para todos os cidadãos que convivem ou que tem um mínimo de preocupação com o mundo no qual nossos filhos viverão,que sabe o que é necessário uma criança saber ou não,que saiba medir palavras e controlar instintos...onde estão os cidadãos que foram no velório da Eloá que pareciam tão tocados com a tragédia e preocupados com os jovens?Será que eles e todos nós seríamos capazes de parar e pensar no assunto não como um filme da Tela Quente,mas como um mal generalizado,que nos faz chorar não porque "poderia ser com meu filho",mas porque é um comportamento que já está se entranhando em nossa sociedade e cultura.Nossas crianças estão apavoradas conosco,e dificilmente nos apercebemos disso..
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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2 comentários:
foda isso, tche
a gente não costuma ligar a tv em casa... só assistimos filmes e os desenhos da feli...
mas as vezes paro pra pensar se também não é ruim deixar de expôr a pequena a essas coisas, pelo menos em doses homeopáticas...
afinal, ela precisa conhecer um pouco do mundo em que ela vai viver...
uma criança inocente demais é passada pra trás, sofre na infância, adolescência e é o tipo de pessoa que se deixa abusar quando adulta.
quando paro pra pensar nessas coisas, penso q a felicia nunca devia ter saido da barriga da mãe...
É verdade,mano...colocar um filho no mundo é ser obrigado a assumir culpa pelo que acontece e pelo que ainda vai acontecer.É bem difícil saber o que fazer diante de situações como essa,pois nunca vamos encontrar um meio-termo.
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