Hoje é Halloween.O "dia das bruxas" norte-americano não tem nada a comemorar.Nada de grandioso existe neste dia,a não ser relembrar as milhares de mulheres queimadas vivas pela acusação de "feitiçaria",o que serviu de espetáculo a milhares de desocupados,que ao invés de ir ao shopping como fazemos hoje,iam à praça assistir uma execução.Estima-se que pelo menos 400 mil mulheres tenham sido queimadas em praça pública no século XVII nos EUA por não confiar em pastores anglicanos pedófilos e fazer chá para curar doenças,rejeitando a sagrada água benta.Selavageria?
A bruxaria sempre foi motivo de pavor e curiosidade para qualquer falso-cristão.E como todos sabemos,condenar é mais fácil do que buscar informação.O cristianismo tratou de responsabilizar as práticas pagãs por todas as misérias do mundo antigo,dando-lhes um estigma com cara, cor,defeitos e um "Malleus malleficarum" absurdo e carregado de maldade cristã.
As bruxas eram e são um caminho alternativo de falar a verdade e ungir-se de natureza-deiferente de rezar ou orar-,procurando buscar explicações necessárias ao desenvolvimento do espírito humano.As bruxas ritualizam o feminino,o masculino e o ainalcançável para a sociedade atual: a nobreza,a pureza,o ser-estar verdadeiro.
Ísis egípcia,Ishtar mesopotâmica,Persephone e Iemanjá...são deusas femininas repletas de bruxaria.Deusas que um dia viveram e foram perseguidas e questionadas...ganharam aura angelical e bustos imponentes.
Alguem já viu o filme "As bruxas de Salem"?
Carregar um unhal encantado no bolso,ter uma pedra colorida,um altar,pendurar sementes no pescoço...são práticas de feitiçaria aprovadas hoje em dia, e admiradas...
Mas onde está a comemoração ?Por quê eleger um dia para comemorar a existência das bruxas?Para que as crianças sardentas norte-americanas se fantasiem e batam às portas a pedir doces?
Quem dera metade do mundo fosse composto por bruxos e bruxas de narigões verruguentos e chapéus de aba larga pontudos.Seria mais fácil conviver com um inimigo feio desses.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Dissabor
Já faz horas que o mundo anda por fora
Tentando estar por dentro
Como se portasse uma sídrome de gravidade indiscutível
Doença perigosa e fértil que se espalha em veias e sangues.Uma doença que cega a todos,e priva dos sentidos essenciais o mais estável dos seres.Nem bebedeira,nem placebo,nem paliativo...
De são e verdadeiro só sobrou a arte...a expressão,o extravaso,o limite.Seres reféns de um dia que não raia,de um sol que não se deita,de um caminho que não cessa.
Invade a mim e a todos uma doença com cara e defeitos...uma doença de pele macilenta,de gosto azedo e odor fúnebre!Somos agora reféns de uma febre dolorida de correr de dia...de não sonhar à noite.
Somos bens perecíveis apenas...apodrecemos vagarosamente em vida,na tentativa de atrasar a morte.Estamos cegos e empobrecidos de espírito.Nossas mais profundas manifestações humanas tornaram-se "frescura" e nossos mais caros desejos transformaram-se em "bens de consumo".
Frutos de um pretérito perfeito servil e comandado
Que assim permanecerá até que sejamos extintos e nossa história seja resgatada e recontada por seres sementes de nós.
Tentando estar por dentro
Como se portasse uma sídrome de gravidade indiscutível
Doença perigosa e fértil que se espalha em veias e sangues.Uma doença que cega a todos,e priva dos sentidos essenciais o mais estável dos seres.Nem bebedeira,nem placebo,nem paliativo...
De são e verdadeiro só sobrou a arte...a expressão,o extravaso,o limite.Seres reféns de um dia que não raia,de um sol que não se deita,de um caminho que não cessa.
Invade a mim e a todos uma doença com cara e defeitos...uma doença de pele macilenta,de gosto azedo e odor fúnebre!Somos agora reféns de uma febre dolorida de correr de dia...de não sonhar à noite.
Somos bens perecíveis apenas...apodrecemos vagarosamente em vida,na tentativa de atrasar a morte.Estamos cegos e empobrecidos de espírito.Nossas mais profundas manifestações humanas tornaram-se "frescura" e nossos mais caros desejos transformaram-se em "bens de consumo".
Frutos de um pretérito perfeito servil e comandado
Que assim permanecerá até que sejamos extintos e nossa história seja resgatada e recontada por seres sementes de nós.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
"Soube da Eloá?"
Os acontecimentos da semana passada que tiveram um fim trágico nesta semana deixaram meus alunos num estado de agitação dificil de conter e triste de presenciar.Eles estão com medo do mundo que os aguarda na vida adulta.Viram a menina Eloá morrer nas mãos de um semi-pedófilo-infanticida e puseram-se perplexos.Me fizeram perguntas de toda ordem,às quais eu tentei responder sem aumentar e nem diminuir o pânico."Mas o que ela fez,sôra?","Por quê o pai dela não deu um tiro nele?","Como a gente sabe se o namorado pode matar a gente?","Será que ela sentiu dor?".Enfim...fico com pena dos adolescentes assistirem tragédias com esta em canal aberto a qualquer hora,sem censura,sem comedimento.Eles ficaram realmente bem assustados,e colocaram-se na pele da menina e sofreram com a sensação experimentada: ser arracado dos pais por um estranho em quem um dia confiou,ser maltratado e ainda ter a vida interrompida por motivos desconhecidos.Eu já havia me deparado com uma situãção semelhante também provocada pelo pânico da TV durante o caso Isabella Nardoni,supostamente morta pelo pai e pela madrasta.A sensação que eles tinham era a de que não poderiam mais confiar na madrasta ou padrasto, e em último caso,nos pais.O desamparo que os assaltava era crescente -claro que embalados pela discussão acalorada que fomentei-e em seus olhos várias perguntas: por quê isso está acontecendo?Por quê os pais agora matam os filhos?Será que meu pai me mataria para agradar mina madrasta ou vice-versa? Não é uma coisa fácil para adultos já maduros e corrompidos...para uma criança é inconcebível.
Acho que a televisão deve sim mostrar a realidade e abrir os olhos de todos...mas não precisa provocar pânico!Por que não deixar a coitadinha da Eloá para o horário nobre?Por quê não deixar a Isabella com a polícia e os advogados da família?Por quê as crianças têm que entrar nessa febre coletiva?Não sobra nem espaço para que os pais comentem o caso com os filhos e possam orientá-los sem causar traumas,pois a TV já faz esse papel,porém com adições trágicas de imagens,depoimentos e desenhos(como foi o caso da reconstituição do caso Isabella).
É bem difícil tentar educar e passar algo de construtivo para crianças que já estão inseridas num mundo dramatizado e assustador de crimes hediondos,desvios terríveis de conduta,roubos descarados...os alunos na escola quase que debocham da cara dos professores quando tentam falar em ética,caráter e respeito.Tarefa para heróis?Mártires?Desconjuntados?Talvez seja trabalho para todos os cidadãos que convivem ou que tem um mínimo de preocupação com o mundo no qual nossos filhos viverão,que sabe o que é necessário uma criança saber ou não,que saiba medir palavras e controlar instintos...onde estão os cidadãos que foram no velório da Eloá que pareciam tão tocados com a tragédia e preocupados com os jovens?Será que eles e todos nós seríamos capazes de parar e pensar no assunto não como um filme da Tela Quente,mas como um mal generalizado,que nos faz chorar não porque "poderia ser com meu filho",mas porque é um comportamento que já está se entranhando em nossa sociedade e cultura.Nossas crianças estão apavoradas conosco,e dificilmente nos apercebemos disso..
Acho que a televisão deve sim mostrar a realidade e abrir os olhos de todos...mas não precisa provocar pânico!Por que não deixar a coitadinha da Eloá para o horário nobre?Por quê não deixar a Isabella com a polícia e os advogados da família?Por quê as crianças têm que entrar nessa febre coletiva?Não sobra nem espaço para que os pais comentem o caso com os filhos e possam orientá-los sem causar traumas,pois a TV já faz esse papel,porém com adições trágicas de imagens,depoimentos e desenhos(como foi o caso da reconstituição do caso Isabella).
É bem difícil tentar educar e passar algo de construtivo para crianças que já estão inseridas num mundo dramatizado e assustador de crimes hediondos,desvios terríveis de conduta,roubos descarados...os alunos na escola quase que debocham da cara dos professores quando tentam falar em ética,caráter e respeito.Tarefa para heróis?Mártires?Desconjuntados?Talvez seja trabalho para todos os cidadãos que convivem ou que tem um mínimo de preocupação com o mundo no qual nossos filhos viverão,que sabe o que é necessário uma criança saber ou não,que saiba medir palavras e controlar instintos...onde estão os cidadãos que foram no velório da Eloá que pareciam tão tocados com a tragédia e preocupados com os jovens?Será que eles e todos nós seríamos capazes de parar e pensar no assunto não como um filme da Tela Quente,mas como um mal generalizado,que nos faz chorar não porque "poderia ser com meu filho",mas porque é um comportamento que já está se entranhando em nossa sociedade e cultura.Nossas crianças estão apavoradas conosco,e dificilmente nos apercebemos disso..
Sangue Negro
Pode até parecer insistência de minha parte ficar comentando os filmes que assisto,mas é que numa cidade menor que a minha de origem,minhas visitas à locadora se tornaram mais frequentes do que a bares e festas.Não que a cidade seja ruim,apenas conheço poucas pessoas,e das poucas que conheço,são raras as que gostam das coisas que gosto,como cinema,literatura,e além do mais,sou meio chata para gostos musicais,por isso evito até perguntar o tipo de som que as pessoas ouvem para não esboçar nenhum tipo de reação ofensiva.Então deixemos assim...fico com meus filmes numa condição semi-isolada...mas não tenho do que reclamar.
Na verdade,essa ladainha toda é para preludiar um comentário sobre um filme excelente que assisti hoje pela tarde chamado "Sangue negro",com Daniel-Day-Lewis, que trata do início da corrida pelo petróleo nos EUA no início do século XX.A maneira como o assunto é tratado é quase que uma profecia em relação à corrida atual pelo minério.No filme a exploração se dá em pequenas propriedades de terras onde vivem famílias protestantes-fanáticas à moda evangélicos atuais,com direito a rituais de exorcismo e tudo,o que me fez lembrar muito o Talibã afeganistanês,terra de muito sal e petróleo-que de início pouco sabem do valor do petróleo.O explorador (Lewis) compra a propriedade da família e muda-se com seu time de perfuradores juntamente com seu pequeno filho, e lá ergue uma grande plataforma de madeira sugadora.A ganância presente nas feições do personagem,e a maneira como vem a tratar o filho quando doente- o pobre perde a audição numa explosão de metano,que jorra antes do jato de petróleo-é de uma crueldade inenerrável,chegando incusive a abandoná-lo em um trem para livrar-se do "problema" que empatava seus negócios em expansão.A atitude do pai em relação ao filho que "atrapalha",retrata em cores desbotadas a realidade vivida por povos do Oriente Médio -também hoje tratados como um empecilho, um "problema",pois não se pode abandoná-los a todos em um trem-que,100 anos mais tarde,pelo simples fato de estarem vivendo e morrendo sobre uma terra que vale bilhões de dólares,sofrem com guerras e intervenções militares.Aproveitando para unir as pontas,ouso traçar um paralelo com um outro filme "O preço da coragem" com a bela Jolie, que perde o marido jornalista para uma entrevista com um Sheik "anti-americanista"-o filme se passa no Paquistão-e desenvolve-se numa época em que o petróleo já não responde mais por todos os males,mas é o primeiro rsponsável.
Não se trata de uma crítica ao "american way of life" e muito menos de um discurso oriundo de doutrinas socialistas.O fato é que os americanos foram os primeiros a deflagrar um "boom" de tudo por dinheiro e poder na História.Desprezando seus "pais" ingleses,os norte-americanos inauguraram durante a Primeira Guerra Mundial algo nunca visto:enriquecer sorrindo às custas de soldados europeus nas trincheiras,para quem forneciam os enlatados que até hoje consumimos, e após o término do conflito,espalhar a fome pelo mundo inteiro com o acúmulo sem compradores dessas porcarias industrializadas...chamaram de superprodução...a verdade é que já haviam produzido enlatados para durar pelo menos mais 10 anos de guerra!!!!E já se compara a crise econômica atual com o Crack de 29.Mas isso é assunto para outro texto...
Enfim,Lewis atuou muito bem no filme ,apresentando inclusive várias transformações a que se submeteu para o papel- manca de uma perna,é meio corcunda, e sua voz está irreconhecível- e deixa bem claro que havia muito mais do que dinheiro em seu empenho em fazer o filme,pois este configura-se num belíssimo protesto,com pinceladas cruas de frieza humana diante do poder e a escravidão humana diante da religião.
Na verdade,essa ladainha toda é para preludiar um comentário sobre um filme excelente que assisti hoje pela tarde chamado "Sangue negro",com Daniel-Day-Lewis, que trata do início da corrida pelo petróleo nos EUA no início do século XX.A maneira como o assunto é tratado é quase que uma profecia em relação à corrida atual pelo minério.No filme a exploração se dá em pequenas propriedades de terras onde vivem famílias protestantes-fanáticas à moda evangélicos atuais,com direito a rituais de exorcismo e tudo,o que me fez lembrar muito o Talibã afeganistanês,terra de muito sal e petróleo-que de início pouco sabem do valor do petróleo.O explorador (Lewis) compra a propriedade da família e muda-se com seu time de perfuradores juntamente com seu pequeno filho, e lá ergue uma grande plataforma de madeira sugadora.A ganância presente nas feições do personagem,e a maneira como vem a tratar o filho quando doente- o pobre perde a audição numa explosão de metano,que jorra antes do jato de petróleo-é de uma crueldade inenerrável,chegando incusive a abandoná-lo em um trem para livrar-se do "problema" que empatava seus negócios em expansão.A atitude do pai em relação ao filho que "atrapalha",retrata em cores desbotadas a realidade vivida por povos do Oriente Médio -também hoje tratados como um empecilho, um "problema",pois não se pode abandoná-los a todos em um trem-que,100 anos mais tarde,pelo simples fato de estarem vivendo e morrendo sobre uma terra que vale bilhões de dólares,sofrem com guerras e intervenções militares.Aproveitando para unir as pontas,ouso traçar um paralelo com um outro filme "O preço da coragem" com a bela Jolie, que perde o marido jornalista para uma entrevista com um Sheik "anti-americanista"-o filme se passa no Paquistão-e desenvolve-se numa época em que o petróleo já não responde mais por todos os males,mas é o primeiro rsponsável.
Não se trata de uma crítica ao "american way of life" e muito menos de um discurso oriundo de doutrinas socialistas.O fato é que os americanos foram os primeiros a deflagrar um "boom" de tudo por dinheiro e poder na História.Desprezando seus "pais" ingleses,os norte-americanos inauguraram durante a Primeira Guerra Mundial algo nunca visto:enriquecer sorrindo às custas de soldados europeus nas trincheiras,para quem forneciam os enlatados que até hoje consumimos, e após o término do conflito,espalhar a fome pelo mundo inteiro com o acúmulo sem compradores dessas porcarias industrializadas...chamaram de superprodução...a verdade é que já haviam produzido enlatados para durar pelo menos mais 10 anos de guerra!!!!E já se compara a crise econômica atual com o Crack de 29.Mas isso é assunto para outro texto...
Enfim,Lewis atuou muito bem no filme ,apresentando inclusive várias transformações a que se submeteu para o papel- manca de uma perna,é meio corcunda, e sua voz está irreconhecível- e deixa bem claro que havia muito mais do que dinheiro em seu empenho em fazer o filme,pois este configura-se num belíssimo protesto,com pinceladas cruas de frieza humana diante do poder e a escravidão humana diante da religião.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Pobres infâncias
Assiti hoje a um filme "Desaparecidos"(Trade),com o brilhante Kevin Kline,sumido há algum tempo,que trata de um assunto difícil de engolir,mas fácil de empurrar para baixo do tapete:o tráfico ilegal de crianças e adolescentes(em sua maioria meninas entre 11 e 17 anos) para o mercado sexual.O roteiro foi feito em cima de artigos publicados por um jornalista norte-americano que decidiu pesquisar sobre o tema quando viu num noticiário televisivo que meninas mexicanas usavam indevidamente um "matinho" na estrada para San Diego para prostituir-se e ganhar dinheiro explorando os "bons cidadãos americanos".Juntando os vocábulos "prostituição","exploração" e "mexicano",pode-se concluir que as investigações policiais em território estadunidense não obtiveram grande êxito por pura falta de atitude e interesse.O filme mostra muito bem isso quando inicia-se a maratona de um garoto mexicano que vê a irmã ser sequestrada por traficantes de mulheres e, por conta própria,decide ele próprio investigar.Daí em diante inicia-se uma maratona angustiante vivida pela irmã de 13 anos,quando é arrancada da bicicleta e levada à força.Paralelamente,desenrola~se a captura de uma polonesa -que através de uma agência de modelos ilícita- decide abandonar o filho em seu país para tentar "melhorar de vida nos EUA".Logo que desembarca no aeroporto,seu passaporte é confiscado pelo traficante, enquanto é brutalmente jogada na carroceria de um carro para ser levada a um cativeiro,onde já está a irmã do protagonista(Adriana),juntamente com uma brasileira e mais 2 mexicanas.Seu destino: New Jersey,com uma "paradinha" na estrada de San Diego,local cercado por "matinhos".Enfileirados nesses matinhos já estão os "papais" de família à espera de carne nova para alguns minutos de prazer roubado,e é óbvio,muito bem pagos ao traficante.
A cena mais marcante é a da pobre criança sendo conduzida a um matagal para fazer sexo oral com um homem adulto que a chama de "vadia mexicana".O nojo e o repúdio faz o telespectador enrugar a testa e a boca de repulsa,pensando em como é possível seguir vivendo após passar por uma situação dessas.Mesmo com uma vida inteira pela frente,uma menina de 13 anos não pode jamais conceber um ato desses,pois nem seu vocabulário conhece palavras para nomear a atitude que foi obrigada a tomar.E o pior de tudo:são fatos reais e que acontecem diariamente.Estima-se que mais de 50 mil meninas são forçadas a atravessar a fronteira com este intuito,a cada ano.
Terceiro mundo...terceiro plano,terceira opção...é assim que as coisas se desenrolam num mundo onde gente pobre é formiga catadeira, que não vale coisa nenhuma,que ninguem percebe se some,que ninguem se importa se morre...assim é aqui,assim sempre foi aqui e lá no México...e no resto do terceiro mundo.Somos números e as crianças são projetos de "vadias" e "vagabundos",que um dia se somarão á legião dos "bonzinhos" ,dos bandidos,ou dos que passa fome porque não têm "iniciativa".
A cena mais marcante é a da pobre criança sendo conduzida a um matagal para fazer sexo oral com um homem adulto que a chama de "vadia mexicana".O nojo e o repúdio faz o telespectador enrugar a testa e a boca de repulsa,pensando em como é possível seguir vivendo após passar por uma situação dessas.Mesmo com uma vida inteira pela frente,uma menina de 13 anos não pode jamais conceber um ato desses,pois nem seu vocabulário conhece palavras para nomear a atitude que foi obrigada a tomar.E o pior de tudo:são fatos reais e que acontecem diariamente.Estima-se que mais de 50 mil meninas são forçadas a atravessar a fronteira com este intuito,a cada ano.
Terceiro mundo...terceiro plano,terceira opção...é assim que as coisas se desenrolam num mundo onde gente pobre é formiga catadeira, que não vale coisa nenhuma,que ninguem percebe se some,que ninguem se importa se morre...assim é aqui,assim sempre foi aqui e lá no México...e no resto do terceiro mundo.Somos números e as crianças são projetos de "vadias" e "vagabundos",que um dia se somarão á legião dos "bonzinhos" ,dos bandidos,ou dos que passa fome porque não têm "iniciativa".
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Essa é antológica!
Perfeito vinho
Se pudesse te comparar a uma bebida
Te compararia ao vinho
Bebida fina
De procedência andina
De sabor suave
Que pode ser bebida ao natural
Em temperatura ambiente
Bebida sensual
A mais completa dentre todas as outras
Mas se fosses meu vinho
Me pouparia de comprar-te em qualquer loja
Se acaso fosses meu vinho
Eu te roubaria
Te esconderia por baixo da minha roupa
Compartilharia contigo o calor de meu corpo
E te levaria a um lugar
Que fosse perfeito para a degustação do meu vinho
E ao chegar lá
Te poria sobre a mesa
E à tua frente
Eu me sentaria
Se fosses o vinho
Passaria horas a admirar-te
Antes de decidir abrir-te
Pois o vidro q te envolve
Atrairia meus olhos
E de todas as curiosidades
A mais insaciável
Seria a do gosto
Que tal conteúdo teria
Mas se fosses o meu vinho
Após desarrolhar-te
Eu me deixaria envolver
Pelo teu cheiro
E assim me perderia
Mas se fosses meu vinho
Te beberia em taça de cristal
Aquela taça destinada ao mais nobre de todos os vinhos
E após ver-te tomar forma
Mirando-te através da transparência
Pegaria a taça entre meus dedos
E te levaria à boca
Se fosses o meu vinho
Eu te beberia quente
Gota a gota,sem dar-me o luxo de desperdiçar um
mililitro do teu ser
E se caso escorresses pelo meu queixo
Eu então te lamberia
Te sorveria
Te deixaria penetrar em meu corpo
Percorrer minha alma
Morrer em meus sonhos
Se fosses o meu vinho
Te beberia devagar
Te deixaria me embriagar
Até que perdesse todos os meus sentidos
Te beberia sem medo
E quando não houvesse mais
Uma centelha de razão a perder
A ti me entregaria
E a sorrir
Tomada de uma sensação incomparável
Eu me perguntaria
Se em algum momento
Deixei de pensar
Deixei de imaginar
Se tu me roubarias
Assim como te roubei
E se caso um dia
Desejasses me roubar
O teu vinho
Eu seria...
Se pudesse te comparar a uma bebida
Te compararia ao vinho
Bebida fina
De procedência andina
De sabor suave
Que pode ser bebida ao natural
Em temperatura ambiente
Bebida sensual
A mais completa dentre todas as outras
Mas se fosses meu vinho
Me pouparia de comprar-te em qualquer loja
Se acaso fosses meu vinho
Eu te roubaria
Te esconderia por baixo da minha roupa
Compartilharia contigo o calor de meu corpo
E te levaria a um lugar
Que fosse perfeito para a degustação do meu vinho
E ao chegar lá
Te poria sobre a mesa
E à tua frente
Eu me sentaria
Se fosses o vinho
Passaria horas a admirar-te
Antes de decidir abrir-te
Pois o vidro q te envolve
Atrairia meus olhos
E de todas as curiosidades
A mais insaciável
Seria a do gosto
Que tal conteúdo teria
Mas se fosses o meu vinho
Após desarrolhar-te
Eu me deixaria envolver
Pelo teu cheiro
E assim me perderia
Mas se fosses meu vinho
Te beberia em taça de cristal
Aquela taça destinada ao mais nobre de todos os vinhos
E após ver-te tomar forma
Mirando-te através da transparência
Pegaria a taça entre meus dedos
E te levaria à boca
Se fosses o meu vinho
Eu te beberia quente
Gota a gota,sem dar-me o luxo de desperdiçar um
mililitro do teu ser
E se caso escorresses pelo meu queixo
Eu então te lamberia
Te sorveria
Te deixaria penetrar em meu corpo
Percorrer minha alma
Morrer em meus sonhos
Se fosses o meu vinho
Te beberia devagar
Te deixaria me embriagar
Até que perdesse todos os meus sentidos
Te beberia sem medo
E quando não houvesse mais
Uma centelha de razão a perder
A ti me entregaria
E a sorrir
Tomada de uma sensação incomparável
Eu me perguntaria
Se em algum momento
Deixei de pensar
Deixei de imaginar
Se tu me roubarias
Assim como te roubei
E se caso um dia
Desejasses me roubar
O teu vinho
Eu seria...
Calor
Já dá para sentir o calor das horas.É sempre incrível ver a mudança de ânimos e humores na rua quando da aproximação do verão.Num estado frio,chuvoso e cinzento como o nosso,as feições mais leves tornam-se nubladas.As pessoas parecem estar sempre cansadas e trabalhando cegamente com os olhos fixos no relógio,na esperança de que o dia acabe antes de suas forças.Sentimos dores no corpo por encolher-se,narizes e bocas virulentos,bolor e mofo nas roupas e na alma.
Porém,o mais leve sinal de calor,mesmo que acompanhado desse vento insano,já transforma paisagens e aparências...coloca um sorriso na cara dos viventes,traz rubor às faces desbotadas pela chuva e frio,e há mais musicalidade no ar...o verão vem à galope...até nossos planos ganham mais vida e nosso dinheiro se estica...
Acredito que o calor faça bem a todos,pois até meu avô com 88 anos de idade,sente que a vida vai durar mais um pouquinho quando pode tomar um chimarrão na varanda vestindo bermuda e havaianas.
Porém,o mais leve sinal de calor,mesmo que acompanhado desse vento insano,já transforma paisagens e aparências...coloca um sorriso na cara dos viventes,traz rubor às faces desbotadas pela chuva e frio,e há mais musicalidade no ar...o verão vem à galope...até nossos planos ganham mais vida e nosso dinheiro se estica...
Acredito que o calor faça bem a todos,pois até meu avô com 88 anos de idade,sente que a vida vai durar mais um pouquinho quando pode tomar um chimarrão na varanda vestindo bermuda e havaianas.
Brincando de não ver
Nem te vi ontem
Nem vou te ver amanhã
Mas parece que tenho te visto todos os dias
Desde que deixei de te ver
Há horas não vejo ninguém, nem ninguém me vê
Horas salgadas ,horas endurecidas
Nem sei quanto tempo faz que não vejo o que um dia fui
Nem planejo o que um dia serei
Mas com certeza te vejo sem te ver
E te desejo que me vejas, mesmo que não me queiras ver
Mesmo que vejas a todos os mortais
E não me reste nem um canto de olho anêmico
Nunca deixes de me ver
Para que tua visão nunca me abandone.
Nem vou te ver amanhã
Mas parece que tenho te visto todos os dias
Desde que deixei de te ver
Há horas não vejo ninguém, nem ninguém me vê
Horas salgadas ,horas endurecidas
Nem sei quanto tempo faz que não vejo o que um dia fui
Nem planejo o que um dia serei
Mas com certeza te vejo sem te ver
E te desejo que me vejas, mesmo que não me queiras ver
Mesmo que vejas a todos os mortais
E não me reste nem um canto de olho anêmico
Nunca deixes de me ver
Para que tua visão nunca me abandone.
Deus e o Diabo
Há algumas semanas, em sala de aula, uma aluna de 11 anos de idade quase me levou a dizer absurdos durante uma aula de História na escola na qual leciono. Na ocasião, discutíamos sobre a religião dos egípcios, assunto sobre o qual eu discorria cuidadosamente, para não correr o risco de ofender as crenças religiosas da classe. Ao falar no ritual de embalsamamento ao qual eram destinados os nobres após a morte, para que o corpo não sofresse degradação, uma aluna me perguntou:
- Professora, eu não acredito nessas coisas de vida depois da morte!
Como uma professora espirituosa e pronta a abrir espaço para debates, eu perguntei então sobre o que ela acreditava que acontecia com as pessoas após a morte.
- Eu acredito que se a gente é bonzinho, vamos para o céu, e se somos ruins, vamos para o inferno!
Longe de contestar qualquer dogma religioso, ou de criticar qualquer crença, procurei manter a calma,pois a mesma aluna já havia me criticado quando no bimestre anterior, tive de explicar à classe a Teoria Evolucionista(que defende a feliz idéia de que somos macacos evoluídos).A mesma aluna já me havia dito aquele insistente “eu não acredito!”.Segurei meus ímpetos e falei apenas que cada um deveria acreditar naquilo que lhe conviesse,que cada um tem as suas verdades e tal.Prossegui a aula,(já não com o mesmo entusiasmo) e logo comecei a falar sobre a crença egípcia de que não havia apenas um deus, e sim um deus para cada coisa...fertilidade,paz,amor.A terrivelmente teimosa aluninha novamente me interrompeu com os seus “não acreditos”.Os demais alunos começaram também a ficar inquietos,já demonstrando irritação em relação à colega que insistia em interromper um assunto tão interessante.Deixei-a falar o que queria, mas não pude deixá-la sem resposta:
- Fulana, acho que tens todo o direito de te manifestar e de acreditar no que quiseres.Mas acontece que estás começando a perturbar a aula e teus colegas que,mesmo que acreditando em coisas diferentes das tuas ou das minhas,conseguem se manter interessados.Qual é então o problema contigo?
Ela me respondeu que se ficássemos falando “nessas coisas”,o Diabo iria puni-la.Senti neste momento que o sangue subiu violentamente ao meu rosto,e devo ter ficado muito parecida com a criatura tão temida pela menina.Comecei então a esbravejar:
_ Mas criatura,tu não vês que tu perdes teu tempo acreditando em coisas que não existem?Não vês que teus pais te ameaçam com o Diabo quando querem te fazer comer verdura?Ou quando querem que faças algo que não queres fazer?Já paraste para pensar que o Diabo é irmão do Papai Noel e do Coelho da Páscoa?
A turma inteira começou a rir de mim ,de minha reação e claro ,da colega.E como se não bastasse meu discurso inflamado de caça-mentiras,eu segui em meu protesto:
_Vocês estão estudando em Geografia as Camadas da Terra.Sabem que existe a crosta terrestre,o manto e o Núcleo...então me digam:Onde é o tal inferno?Na crosta,no manto ou no núcleo?Sim,porque vocês me dizem que inferno fica lá embaixo,não é?Então?Em qual camada está o Inferno?
Não sei dizer se me arrependi do que fiz ou se com essa minha atitude eu deixei claro que não acredito em Inferno,e nem no Diabo .Depois,já em casa,me peguei fazendo perguntas à mesma professora que desmentiu a existência dessas entidades em sala de aula:será que acreditas em Deus?Será que para existir Deus,é preciso que exista o Diabo,o Inferno?
Sinceramente,acho que já existem muitas coisas ruins que são mostradas todos os dias na TV,no jornal ou em qualquer meio de comunicação.Para que então assustar as pobres crianças,ameaçá-las com coisas que,mesmo que existam,estão fora de suas realidades,se a própria realidade já é assustadora?
- Professora, eu não acredito nessas coisas de vida depois da morte!
Como uma professora espirituosa e pronta a abrir espaço para debates, eu perguntei então sobre o que ela acreditava que acontecia com as pessoas após a morte.
- Eu acredito que se a gente é bonzinho, vamos para o céu, e se somos ruins, vamos para o inferno!
Longe de contestar qualquer dogma religioso, ou de criticar qualquer crença, procurei manter a calma,pois a mesma aluna já havia me criticado quando no bimestre anterior, tive de explicar à classe a Teoria Evolucionista(que defende a feliz idéia de que somos macacos evoluídos).A mesma aluna já me havia dito aquele insistente “eu não acredito!”.Segurei meus ímpetos e falei apenas que cada um deveria acreditar naquilo que lhe conviesse,que cada um tem as suas verdades e tal.Prossegui a aula,(já não com o mesmo entusiasmo) e logo comecei a falar sobre a crença egípcia de que não havia apenas um deus, e sim um deus para cada coisa...fertilidade,paz,amor.A terrivelmente teimosa aluninha novamente me interrompeu com os seus “não acreditos”.Os demais alunos começaram também a ficar inquietos,já demonstrando irritação em relação à colega que insistia em interromper um assunto tão interessante.Deixei-a falar o que queria, mas não pude deixá-la sem resposta:
- Fulana, acho que tens todo o direito de te manifestar e de acreditar no que quiseres.Mas acontece que estás começando a perturbar a aula e teus colegas que,mesmo que acreditando em coisas diferentes das tuas ou das minhas,conseguem se manter interessados.Qual é então o problema contigo?
Ela me respondeu que se ficássemos falando “nessas coisas”,o Diabo iria puni-la.Senti neste momento que o sangue subiu violentamente ao meu rosto,e devo ter ficado muito parecida com a criatura tão temida pela menina.Comecei então a esbravejar:
_ Mas criatura,tu não vês que tu perdes teu tempo acreditando em coisas que não existem?Não vês que teus pais te ameaçam com o Diabo quando querem te fazer comer verdura?Ou quando querem que faças algo que não queres fazer?Já paraste para pensar que o Diabo é irmão do Papai Noel e do Coelho da Páscoa?
A turma inteira começou a rir de mim ,de minha reação e claro ,da colega.E como se não bastasse meu discurso inflamado de caça-mentiras,eu segui em meu protesto:
_Vocês estão estudando em Geografia as Camadas da Terra.Sabem que existe a crosta terrestre,o manto e o Núcleo...então me digam:Onde é o tal inferno?Na crosta,no manto ou no núcleo?Sim,porque vocês me dizem que inferno fica lá embaixo,não é?Então?Em qual camada está o Inferno?
Não sei dizer se me arrependi do que fiz ou se com essa minha atitude eu deixei claro que não acredito em Inferno,e nem no Diabo .Depois,já em casa,me peguei fazendo perguntas à mesma professora que desmentiu a existência dessas entidades em sala de aula:será que acreditas em Deus?Será que para existir Deus,é preciso que exista o Diabo,o Inferno?
Sinceramente,acho que já existem muitas coisas ruins que são mostradas todos os dias na TV,no jornal ou em qualquer meio de comunicação.Para que então assustar as pobres crianças,ameaçá-las com coisas que,mesmo que existam,estão fora de suas realidades,se a própria realidade já é assustadora?
sábado, 18 de outubro de 2008
A última ceia
Acabei de rever o maravilhoso filme "A última ceia"com Billy Bob Thorton e Halle Berry, e pela segunda vez me vi envolvida no embaraçoso e profundo roteiro de um filme que todos deveriam ver,mas para variar ,poucos assistiram.É realmente um filme que inaugura uma série de películas com enredos confusos mas profundamente reais e a realidade presente nele assusta.A cena da cadeira elétrica marca a retina do espectador de tal forma que chega-se a inocentar o criminoso antes de ser impiedosamente torrado,pois nenhum ser humano é capaz de passar por tal situação se não tivesse a certeza absoluta de que esta será a última experiência que terá em vida.Tal cena é tão nervosa e inquietante que pode ser equiparada somente à tensão que invade nossos emporcalhados espíritos selvagens quando Letícia e Henk escalam um o corpo do outro num emaranhado de pele e morenice para,digamos "sexualizar " a dor da perda.Naquele momento,creio que nem o mais pervertido dos homens é capaz de reparar apenas na performance e no bem talhado corpo de Halle Berry(espero estar certa),pois existe tanto conteúdo humano nessa cena que chega-se a sentir vergonha de "trepar" sem compromisso.
Não se sabe qual crime é o mais perverso,e mesmo qual é a atitude mais "explicável" do filme,pois nenhuma parece ser digna de explicações superficiais que normlmente daríamos.Todas as situações mostradas no filme são perfeitamente possíveis,por mais absurdas que pareçam.Uma bola de neve de tragédias que amontoam-se (comovoltei a ver anos depois em "Babel"e "21 gramas") ,mas que nos deixa perplexos justamente por serem plausíveis...perfeitamente possíveis...basta uma dose bem exagerada da famigerada coincidência para que realmente a vida dance como dançou no filme.
Um filme muito bom,atores fora do comum reunidos numa sucessão de acontecimentos comuns que rodeiam qualquer um de nós.Difícil é engolir a morte do Heath Ledger(que também trabalha em "A última ceia").
Não se sabe qual crime é o mais perverso,e mesmo qual é a atitude mais "explicável" do filme,pois nenhuma parece ser digna de explicações superficiais que normlmente daríamos.Todas as situações mostradas no filme são perfeitamente possíveis,por mais absurdas que pareçam.Uma bola de neve de tragédias que amontoam-se (comovoltei a ver anos depois em "Babel"e "21 gramas") ,mas que nos deixa perplexos justamente por serem plausíveis...perfeitamente possíveis...basta uma dose bem exagerada da famigerada coincidência para que realmente a vida dance como dançou no filme.
Um filme muito bom,atores fora do comum reunidos numa sucessão de acontecimentos comuns que rodeiam qualquer um de nós.Difícil é engolir a morte do Heath Ledger(que também trabalha em "A última ceia").
Sábado de sol
Ainda bem que hoje é sabado e que ainda não é domingo.Amanhã será domingo e ter que encarar isso (principalmente depois das 5 da tarde) é terrível.Não que eu odeie trabalhar,ou que tenha raiva de segunda-feira...é só o desgosto de ver que os fins de semana estão cada vez mais curtos...e o pior de tudo é que estão cada vez mais chuvosos e nublados(pelo menos nesses ultimos meses).Pois bem...estou precisando de férias!Adoro meus alunos e a rotina da escola,mas levantar cedo me mata!!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Dia do professor
Hoje estou no meu feriado de Dia do Guerreiro.Tranquila em casa com meus gatos e já pensando nas aulas de segunda-feira...parece mentira que somos capazes de viver o presente consultando o livro de memórias e tentando escrever umas páginas do futuro próximo.Não que isso me cause grandes medos ou sentimentos de perda de tempo...mas sinto que a força que existe dentro de cada um de nós de movimentar nossas próprias vidas apenas com a simples previsão dos próximos dias,me faz ver o quanto nos tornamos pretensiosos e centralizadores do mundo.Imagine um grupo de Australopitecus há milhões de anos,roendo ossos pelados de um borrachento e insoso javali tentando programar seu próprio futuro,pensando nas contas de luz e a fatura do cartão de crédito que deve ser pago na segunda-feira?!Não...essa imagem não me vem à cabeça,por mais criativo que seja o meu poder de retroceder no tempo...Nos tornamos donos do tempo que já foi,donos do tempo que nos arrasta para a morte agora,e insistimos em dominar o tempo que ainda está por vir.Já que o tempo "urge",porquê insistimos nesse assassinato do presente?Porquê queremos dominar a tudo e a todos para "ter uma velhice tranquila"?Meu pai sempre quis me colocar nessa redoma de medo e tensão,querendo fazer de mim alguém que prevê os terrores que o futuro pode me trazer.Se eu quisesse saber o que o futuro me aguarda,estaria admitindo que tenho pressa de morrer...Temos realmente medo?Temos realmente pânico de que o futuro seja pior do que o presente?Será que é bom saber do que está por vir apenas para estar "preparado"?É...tem coisas que já fazemos sem pensar desde que nascemos...somos seres preparadíssimos para viver os dias de amanhã,mas não temos a mínia idéia de como viver nosso próprio presente...saudade dos meus tempos de primata...
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