segunda-feira, 12 de abril de 2010

No espelho

Ainda não descobri qual é a origem
Deste mal-estar que me arrasta
Que não me faz feliz nem me acrescenta
Quando fui um bote perdido em alto mar,recebia pedidos de socorro
Alertas em vermelho
Ouvia por horas o lamento incansável
Hoje a noite parece mais escura
O ar mais denso,como em grandes altitudes
Sinto que meus membros afrouxaram-se
Que perdi parte de minhas forças
Sinto uma lâmina transpassar meu peito ao final de cada dia
Como se não fosse haver amanhecer
O relógio me trai
A Lua parece não me querer mais como confidente
Aquele brilho que levava nos olhos não existe mais nem no espelho
Que reflete tristemente minha cara vazia
Boca crispada,olhos ciumentos
No fundo da minha imagem surge sempre um animal raivoso
Que nao sabe se ri ou chora a fome e a solidão
Grandes ladainhas noturnas
Flores e cartões rubi
Não sei qual foi a melhor parte da vida que vivi
Nem há quanto tempo me encontro aquia dedilhar segredos no teclado
Não sei nem o que me resta ainda
De quantas misérias ainda vou escapar ou vivenciar
Assim como ignoro o quanto de mim sobreviverá.

Nenhum comentário: