terça-feira, 9 de março de 2010

Doce vagabundo

Um doce vagabundo de orelhas caídas e calças boca larga.É esse o holograma que vejo quando ouço a música do passado não tão distante e do gosto não tão refinado.Um preto belo,bela voz...um amigo sincero,um drinque logo após.Chapéu de tricô,cabelo sujo e corpo flexível.Cheira a fumaça suspeita,hálito de vinho barato...bom amigo,bons tempos,boas surras de álcool.Lá se vão alguns anos desde que deixei um vagabundo para trás e junto com ele uma aura de magia juvenil,uma disposição que não encontro mais...sou sempre vencida covardemente pelo sono ou pela fome...o doce vagabundo não tinha horário e nem frescura...qualquer dia era dia,qualquer comida enchia a pança...eu vim correndo e ele ficou lá na esquina...cigarro entre os dedos finos,roupa surrada e um sorriso inabalável.Juventude é um bem não-durável,portanto cuidado...o vagabundo de cada um pode escapar com os anos.

Um comentário:

Anônimo disse...

No teu caso, mudando o ano, cairia bem o refrão daquela música: “Sou vagabundo, confesso, da turma de 78...”
O meu costumava aparecer pouco... ultimamente mais... pra um cigarro, boas risadas, um vinho (que por sorte não é vagabundo)...
O intrigante é que nos últimos anos anda verborrágico que te digo! Me enche de perguntas e me ensina muita coisa.
Deixa ele perguntar... me instiga, me sensibiliza, me faz mais humano. Tenho a impressão que os nossos vagabundos também enjoam de vinho barato e de cabelo comprido...
Te amo! Beijos de um vagabundo da turma de 74.