Lembro de ouvir Engenheiros do Hawaii quando mais nova "Terra de gigantes".Que beleza era aquilo,não?E "A revolta dos Dandis"?Era muito legal...pena que hoje em dia não se faça mais músicas como aquelas.Não quero fazer críticas à musica atual (ate porque me faltam palavras para denominar tanta barbárie) , e nem entrar numa onda nostálgica.Até porque quando ouvi Engenheiros pela primeira vez,a banda já andava rumo ao fim da carreira.Minha intenção é questionar a falta de contestação dos jovens de hoje...principalmente aqueles que produzem música.Onde está a música-protesto?Onde está a grande causa a ser defendida?Não existe mais a ditadura da Tropicália, nem a depressão que enchia de tristeza as canções do Legião.Os jovens de hoje não têm causa a defender,não enxergam na música uma forma de protesto...até porque tudo é permitido.Não existe mais censura...tudo o que quiser se falar,pode ser falado!E o que se faz dessa liberdade de expressão?Se faz funk(em várias velocidades),se faz versões de coisas antigas,se faz sertanejo...como já disse...não sou crítica de música,mas cadê a expressão política e social dessa gente?Não se usa mais esse instrumento tão poderoso quanto a música para protesto numa era em que não faltam motivos para isso!Pode-se usar a música para provocar e serenar tantas dores...para chamar à luta,para chamar a atenção...
Pelo quê os jovens lutam?O que faria com que se unissem?O que faz os jovens pensarem hoje em dia?Eles parecem ter todos a mesma idade,a mesma identidade(salvo raríssimas exceções,é claro!),as mesma palavras na boca.Não acredito que fiquei velha tão rápido.Acho que vivi uma transição cultural,e ainda vivo...quem está na casa dos 30 é filhote da ditadura.Não vimos nada acontecer,mas ouvimos no rádio e vimos na TV os resquícios que ficaram de uma época tão dura.Não fomos torturados,mas sabemos que isso aconteceu,acreditamos que foi do jeito que contam (pois conhecemos alguem que viveu na pele,ou já ouvimos um relato de alguem que conheceu alguem que viveu).Estamos atravessando um tempo em que diversas gerações se fundem numa só...ontem fui aluna e hoje me vejo nos meus alunos.Eu não dançava funk,mas dançava Flashdance.Eu não tinha Ipod,mas ouvia rádio e toca-fitas.Era diferente,era instigante...
Me preocupa muito a situação dessa gurizada...que jeito vão ser?O que fará com que parem e pensem um dia?O que os fará mobilizar-se?Seus passados não tem nada de estrondoso,tudo o que possuem foi conquistado por pessoas que já morreram,tudo o que ouvem diz respeito ao que virá,e jamais ao que já foi...um presente infértil,um passado soterrado por um presente cheio de propagandas coloridas e dinheiro fácil para a Coca-cola da merenda.Não sei nem se devo sentir pena...mas sei que devo sentir alguma coisa...acho que me resta apenas a preocupação,como ser humano e como professora.
domingo, 16 de novembro de 2008
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2 comentários:
é maninha
não é fácil
aqui no trabalho é tudo estagiário de 17 anos... um bando de bunda mole que ouve musica ruim e passa as tardes na academia. As gurias com chapinha, silicone e os caras com biceps maiores q minhas coxas... todos devidamente acompanhados de seu i-pod tocando trance psy cocô tronic
qualé o fundamento de ouvir esse lixo? ah, é pra dar aquele gás na academia! na corrida pelo parque!
viva o culto do eu! eles só tem que lutar pelo seu abdomen sarado... pela pegação em atlântida no verão...
ah q saudade da punho cerrado
Pois mano,enquanto eu escrevia esse texto eu só me lembrava da Punho.Foi umas das últimas tentativas de se fazer música com um objetivo libertador.Pena que a luta pela sobrevivência não permitiu que continuasse.
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