terça-feira, 21 de abril de 2009

Fada Salupa

Salupa sonhou com um grande castelo
Era uma fada de tez alva
Não precisava fatigar-se em escadas
Nem despencar de torres
Simplesmente flutuava como uma folha
A morada de Salupa era em tons pastéis
Como uma tela de contos infantis
Grandes portões mantinham-na segura
Cavalos brancos estalavam seus cascos no jardim
Bravos cavaleiros armados disputavam sua atenção
Salupa alimentava-se de algodão-doce
Dormia em lençóis acetinados
Escrevia em seu diário
Luas cor-de-rosa iluminavam suas noites quentes
No castelo de Salupa não havia frio
Não havia lágrimas
Salupa viu em seu sonho avesso
A realidade desejada na infância
Que jamais viu rastro nem sinal
O príncipe encantado em armadura
Um mundo sem preço,sem moeda
Um mundo livre de semblantes obscuros
De palavras frias
Salupa não quis acordar,não quis abrir os olhos
Embora soubesse que bons sonhos não se estendem
Não resistem à luz da manhã quando esta decide rasgar a cortina
Salupa evitou o espelho
Evitou a própria voz
Não pôde chorar nem rir
Não pôde mover-se
Não quis que a vida continuasse
Procurou em vão a varinha de condão
Encontrou apenas o tapete no chão
Desbotado,sujo.velho
Negro e sem poderes mágicos.

sábado, 18 de abril de 2009

Virtue and vice

Virtude e vício
Palavras que beiram o insano
Quem sabe o impossível
O vício é mau
A virtude é nobre
Desde os mais obscuros tempos
O vício e a virtude separam os homens
Rótulos para uma vida inteira
Uma máscara que cai bem a uma cara
Por conta de uma atitude impensada
Quando achava que ningeum olhava
O vício lembra uma pre-disposição quase que patológica
Ao mau agir,ao mau caratismo
A virtude já cobre de graças seu portador
Perdoa-lhe todas as atitudes
Passa a mão pela cabeça
A virtude tem aura
O vício tem máscara
A virtude salva
O vício condena
Ambos são predadores de consciências
Devoradores de naturalidade
Cada qual a seu modo,sem nunca misturar-se
Infeliz é o homem que veste tal indumentária
Prisioneiro de um olhar curioso
De palavras ditas em tom baixo
Infeliz é o homem
Que viciou-se em ser virtuoso
Ou que desvirtua-se para não cair em vícios.

Sentir-se só

Sentir-se só nem sempre é sentir ausência de alguem
Sentir-se só nem sempre faz com que fiquemos tristes
Sentir-se só traz à tona coisas antigas
Faz questionar o mundo após uma má noite de sono
Sentir-se só revela pecados que nunca ousamos cometer
Faz culpar os outros por erros que não conseguimos reconhecer
Sentir-se só nos leva a analisar a vida do ano zero
Faz analisar a vida dos outros e descobrir o porquê
De se sentir tão diferente de todos
Sentir-se só faz com que questionemos nossas decisões
Faz com que busquemos fugas artificiais
Por não estar à vontade com a pr´pria solidão
Sentir-se só é sentir uma raiva contida
Raiva de não podido pensar antes de atirar a pedra
Antes de assumir um risco
Antes de jogar nas mãos de alguem o destino que por direito nos pertencia
Mãos erradas ou não
Mãos cuidadosas ou não
Sentir-se só traz a inveja ao nosso cotidiano
Traz miséria e olheiras
A solidão cobre a face de amargura
Cobre nossos dias de impotência
De questinamentos,dúvidas
Estar só é olhar o mundo de fora
É criticar tudo o que não atingimos
É fazer das atitudes pequenos sacrifícios
É não ter iniciativa para doar-se
Nem para receber doações
É torcer a cara para tudo
Desconfiar de tudo
Esmorecer diante da alegria dos outros
Criar empecilhos para a própria felicidade
Buscar meios nos fins
E mesmo sabendo de quem é a culpa
Sentir-se só é jamais aceitar-se
Jamais perdoar a si mesmo.

O frio

O anoitecer hoje é largo
O céu é firme e já não prevê mais chuvas de verão
Os dias,cada vez mais curtos,alongam-se conforme a angústia
As noites já não são mais tranquilas e serenas
Dores assombram,sons noturnos despertam
As horas parecem fugir do relógio
Rumo ao despertar iminente
O sol já tem cores vaporosas
O laranja engole o amarelo vivo
Que sucumbe rapidamente ao negro
Os insetos dançam cada vez menos frenéticos
Ao redor das luzes da rua
Os animais retiram-se cedo ao descanso
O frio já assalta a todos
Um longo inverno se encaminha
Seus sinais claros abatem corpos e espíritos
A busca pelo fogo,pela luz esvazia as calçadas
Expulsa as vozes da vizinhança
O calor está dentro
E o frio entra pelas frestas trazendo a mensagem
"Cubram-se todos...acumulem víveres..."
Aproximam-se os meses frios do ano
As caras fechadas,os humores abalados
A chuva e fungos
Estamos entrando em épocas de hibernação
Mais um ano,mais um inverno.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meu bebê em Arambaré

Enfim...fui a Arambaré!Passei ao lado do meu maridão 4 longos e belíssimos dias cheios de nada fazer,nada produzir,nada pensar e tudo esquecer.Estava ótimo e era tudo o que estava precisando.
A Lagoa dos Patos estava deslumbrante,um espelho dágua que encheu meus olhos sem deixar espaço para nenhuma visão mais.Não pensei em escola,nem em compromissos,nem provas e trabalhos a corrigir...
Minha sede por Arambaré é resultado de um verão escaldante socada dentro de casa,com pouca grana,muita incerteza e uma piscina de plástico para enfiar a cabeça fervente.Não digo que foi terrível ou insuportável...mas foi difícil,foi estressante...posso dizer com certeza que o único bônus deste verão foi o bebê que carrego neste momento,às vesperas de completar 11 semanas de vida in-útero.Foi uma excelente consequência,é claro...mas meu bebê poderia ter muito bem sido concebido em momentos de relaxamento e segurança numa paisagem estimulante.Mas...não foi!E hoje ele pode curtir a praia na barriga da mamãe que envia descargas hormonais positivas cada vez que estica o corpanzil volumoso em qualquer superfície horizontal,e atinge o êxtase quando o local em questão é a praia de Arambaré.
Logo pretendo retornar à praia doce levando meu feijãozinho comigo e fazer dessa gravidez um pretexto para distribuir sorrisos e dispensar caras-feias e coisas que não quero fazer.
A mamãe já pensa muito em ti,meu bebezinho!!!!!E te espera com muita alegria e um peito rebentando de amor e lactose!!!!!